sábado, 10 de abril de 2010

A resposta pode ser simples

A hora é essa! Enfim, achei uma brecha para vir escrever aqui. Mais de um mês sem escrever... Leitor (ou melhor: pensador amigo) eu juro que tentei, juro que estive muito próximo de escrever, mas os estudos não deixaram. A única exceção foi o dia no qual eu salivava por vir escrever, já estalava os dedos, estava tudo pronto e... minha mãe quis usar o PC, aí eu deixei, afinal, ela quase não usa.

Neste período de ostracismo pensei muitas coisas, acompanhei o blog de todos os meus amigos e vi na lista de blogs do "Lentiflor com Óregano" que eu estava há muito tempo parado, deu vergonha da minha lentidão! Foi bom o tour pelos blogs (obrigado, amigos!), mas estou de volta ao meu lar.

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Vamos lá: Lembra que tema prometi na última postagem? Não? Normal, faz muito tempo que você leu, né? Prometi falar sobre o pseudointelectualismo (como são belas as regras da língua portuguesa...) e aprendi uma coisa sobre prometer temas: nunca faça isso! Você fica preso a um pensamento que não quer sair de uma hora para outra; quando você tem tempo para escrever, ele não vem; quando ele vem, você não tem tempo para escrever. Mas agora vai ( na verdade não sei no que isso vai dar)!

Deixa eu te fazer uma pergunta: Você já reparou que algumas coisas têm uma explicação muito simples e óbvia, mas que apesar disso algumas pessoas tentam explicá-las de modo muito complexo e mirabolante? Não sei você, mas eu fico meio confuso e até um pouco irritado quando isso ocorre, penso: "Meu Deus!!! Será que ninguém percebe que a resposta disso é tão óbvia? É tão simples! Será que eu sou um gênio ou os outros que são muito desatentos? Por que buscam chifres em cabeça de cavalo?" Na verdade, já faz um certo tempo que isso não me aflige tanto, pois passei a observar que isso tinha uma explicação: o pseudointelectualismo.

Vivemos em uma época em que as "verdadeiras" respostas estão na ciência, em que tudo precisa ter uma explicação científica, marginalizando-se outras fontes de saber. Tudo precisa ter uma lógica racional, científica, soar intelectual. Quando digo tudo, é tudo MESMO. Diante disso, não é espantoso vermos todos os dias pipocarem teorias novas sobre coisas óbvias, que não precisam de uma teoria para explicá-las. Ah, pensou em minha Teoria do João-Bobo, né? Não pense nela, eu não estava trabalhando cientificamente nela e nem quis usá-la como única explicação de algo, como fazem os pseudointelectuais.

Como exemplo, cito um exemplo dado por um amigo em uma postagem em outro blog: Você vê um cara de tênis e sem meias, por que você acha que ele está sem meias? Não me surpreenderia se você respondesse que ele está assim por pertencer a uma tribo urbana alternativa. Todavia, as respostas que deveriam vir primeiramente à sua cabeça deveriam ser: "Ele não possui meias" ou "Todas as meias dele estão molhadas". Não parece tão óbvio? Por que complicar? Por que ir tão longe buscar a resposta? A resposta pode não ter nada de intelectual, pode ser simples.

Estamos sendo contaminados com esse intelectualismo barato, que por soar científico nos tem convencido em muitas ocasiões. Eu vejo todos os dias na UFES um bando de pessoas que querem soar intelectuais inventando teorias e sistemas para coisas que não admitem esse tipo de coisa, coisas que não se explicam assim. Vejo pessoas que falam frases de efeito, que soam bonitas e intelectuais, mas que NÃO têm sentido algum. Consideramos intelectuais as pessoas erradas. Será que só eu percebo isso? Não é possível!

Os casos que mais me divertem são os relativos ao intelectualismo no vestuário, explico: Eu caio na gargalhada quando ligo a TV e vejo consultores de moda falando que, por exemplo, listras horizontais paralelas engordam o visual e que as verticais emagrecem (se eu tiver errado, garotas, me corrijam). Que teoria é essa? Ah, tem uma explicação intelectual, isso se baseia em estudos científicos de universidades estrangeiras (mais uma vez uma explicação cietífica para a coisa)... Você realmente acha que isso vai resolver o problema da silhueta? Que não vão perceber que você está um pouco acima do peso? Faça-me o favor! hahaha

Ela tem uns 10 kilos a menos na foto da direita

Olha que ainda nem falei dos blogs que têm por aí... Pseudointelectualismo puro! Estou sendo muito azedo? Se estiver, não é essa a intenção. Se discorda, comente, no final terei prazer em discutir com você as suas ideias. Mas voltando aos blogs, estão inventando de tudo por aí, vendendo gato por lebre, blefando ao som da língua intelectual. Querem dar aspecto científico à muitas besteiras, sabem que só assim vão convencer quem lê, precisa soar científico para convencer.

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Eu faço o possível para manter-me longe dessa praga. Não veja meus pensamentos como explicações que quero vender ao mundo, explicações definitivas (longe disso), por isso são pensamentos abstratos, não uso teorias para explicar coisas (vale a pena ler minha 1ª postagem). Os pseudointelectuais buscam o sentido científico do pseudônimo Don Quasímodo, alguns chegam a dividí-lo em "quase mudo", enquanto, na verdade eu só quis esse nome porque quis algo que soasse incomum, feio. Por que um macaco pensando na foto do perfil? Nenhuma analogia intelectual, só quis ironizar uma vez que eu jogava o jogo WAR e um amigo disse que até mesmo um macaco de camiseta jogaria melhor do que eu, ou seja, apenas quis dar, ironicamente, os créditos do blog ao macaco, afinal, ele é melhor do que eu. Viu? Não é nada científico, não há metáforas intelectuais. É assim que as coisas são na maioria das vezes, só que a gente não tem conseguido perceber isso, nós queremos ver tudo a partir de óculos intelectuais. Por favor, não tente intelectualizar as coisas da vida, tente simplificá-las. As explicações podem ser (e são) óbvias muitas vezes.

Me despeço aqui, na certeza de que preciso falar mais desses patifes pseudointelectuais outro dia! Tenho mais a dizer sobre eles!

PS: O que pode ter me levado a terminar o assunto aqui? Pense! Pense! Responda! Errou. A resposta é: Já são mais de 15 horas e eu ainda não almocei, estou morrendo de fome. Viu? Há explicações simples para as coisas da vida. Mais simples do que a gente imagina. hahaha

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Você sabe, não me pergunte

Enrolei para tratar do assunto de hoje, mas não o tiro da cabeça há mais de um ano. Prestes a escrever aqui fui chamado por outro tema recorrente em meus pensamentos abstratos, o pseudointelectualismo (é tudo junto mesmo!), mesmo doido para encher os pseudointelectuais, que com certeza devem zanzar pelo meu blog também, eu resisti e mantive-me no tema que eu acordei hoje pensando em tratar aqui.

Diante disso, hoje farei algo novo, avisarei o próximo tema: o pseudointelectualismo, que creio ser uma das patologias do século XXI. Vamos parar de introdução e vamos aos finalmentes, o tema de hoje; confesso que detesto tratar sobre esse tipo de tema, acho sentimentalista demais, muito existencial, até meio afrescalhado, além disso, eu odeio falar sobre meus sentimentos, mas às vezes eu não resisto e cedo ao pensamento abstrato, cedo pensando em você.

PERDÃO, MAS USAREI ABAIXO A PALAVRA "VOCÊ" MUITAS VEZES E DE MODO REPETITIVO, FOI A MANEIRA MAIS CLARA DE PASSAR A MENSAGEM...

Sabe uma pergunta que odeio? Uma bem assim: Quem é você? Não me refiro à pergunta sobre quem é o palhaço que escreve por detrás do pseudônimo "Don Quasímodo", até porque adoro falar disso com quem não sabe quem sou. Me refiro a essa pergunta com o tom existencial. Sim. Sobre quem eu acho que sou como pessoa. Odeio porque não sou eu quem deve responder, mas você.

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Explico: Você se conhece, não digo que se conhece completamente, até porque para isso você levaria 2 vidas ou mais, dada a complexidade humana. Mas garanto que você se conhece melhor do que ninguém, tem ideia do quê e de quem gosta, do quê e de quem não gosta, de seus defeitos, de suas fraquezas, de suas melhores qualidades, de seus sonhos etc. Mesmo não sabendo com certeza absoluta, ninguém sabe mais disso do que você.

Até aí tudo beleza, você tem juízos sobre si próprio (os mínimos, pelo menos). Mas já reparou que na realidade esses juízos têm pouco ou nenhum valor? Sim. Ninguém olha para você e faz juízos a partir do que você pensa sobre si. Cada um que olha para você e desenvolve ideias próprias sobre quem é você. Para exemplificar: EU me considero um cara tímido (principalmente, com as garotas), mas para alguns amigos a minha imagem é a de um cara bem falante e palhaço, já para outras pessoas eu sou um cara que fala pouco por ser muito sério; outro exemplo, EU me considero uma pessoa que não gosta de se gabar em nada, mas para outras pessoas eu sou soberbo. EU não me considero um cara bonito (nem vem com esse papo de " se você não se achar, ninguém vai te achar"), já para algumas pessoas eu sou bonito (sim, hahaha, incrível não?). Para algumas pessoas, eu sou um gênio, mas EU acredito que não passo de um cara que tenta se dedicar nos estudos, sem nenhuma genialidade, longe disso...

Entendeu a lógica? Você pode pensar o que quiser sobre si, mas isso não influirá no julgamento alheio sobre você. Trocando em miúdos, você não é o que você pensa que é, mas o que os outros dizem que é. Você não EXISTE sozinho, você só EXISTE em sociedade. É necessário que alguém diga que você existe, não basta somente você achar. Já pensou se as pessoas olhassem para você e jurassem que é um fantasma (mesmo você não sendo)? Não ia adiantar, você não ia existir, mesmo que você tivesse certeza que você fosse humano. Então, não adianta vir com esse discurso de que eu não ligo para o que acham de mim, pois é exatamente isso que é você, o que os outros dizem que você é. Por exemplo, ninguém te contrata pelo que você diz que é, mas pela imagem que você passa sobre você ao avaliador, é o julgamento dele que vale, não o seu. Por isso você pode ser muitas coisas para diferentes pessoas (aquele papo de vilão para uns e heroi para outros). Não adianta, você precisa convencer as outras pessoas de que você é de fato aquilo que você pensa que é, se não convencê-las no seu agir cotidiano você corre o risco de ser visto de modo totalmente oposto ao que você acha sobre si, e isso é desconfortável, desanimador, permite aos outros nutrir pré-conceitos sobre você. Se preocupe com a imagem que passa de si, odeio dizer isso, mas esse é você para o mundo...

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Radical, não? Repito, você é o que falam de você, não o que você acha que é, o que você acha sobre si só interessa a você e, talvez, aos psicólogos, que adoram perguntar: Quem é você (usando termos mais sutis, obviamente)? Eles devem fazer isso para tentar entender você a partir de você, exatamente o caminho contrário desse texto, que tenta mostrar que na prática o "seu achar" não interessa socialmente, mas somente a você. Não nego a necessidade de você ter ideias sobre si mesmo, isso é fundamental para o seu desenvolvimento PESSOAL, mas isso não vale para fins SOCIAIS. Ah, só para constar, eu não gosto muito da maioria dos psicólogos, evito-os, com todo respeito, mas muitos deles não aplicam o que aprenderam, usam de um senso comum barato e querem nos enganar com ele. Só para deixar claro, NÃO ESTOU GENERALIZANDO, a generalização é a mãe de uma centena de burrices, que eu já protagonizei por sinal.

Uma coisa interessante, hoje, as pessoas não sabem responder quem são (apesar disso não ter valor algum para quem pergunta). As pessoas dizem, por exemplo, assim sobre si: "Eu? Ah, eu sou um estudante de 20 anos." Não entendem que é o que elas são como pessoas, não o que fazem da vida, não captam o sentido profundo da pergunta. Ah, só para constar, eu respondi assim no meu perfil do blog, mas fiz isso porque não interessa a você saber quem eu acho que sou, pois você vai ter sua própria noção, independente da minha...

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Diante disso, odeio responder quem sou, a resposta não diz de fato para o ouvinte quem sou, pois a partir de minha opinião ele vai criar sua própria imagem de mim, independente da minha. Eu posso me dizer "X" e você me achar "Y". Não me pergunte quem sou, você sabe, você tem seus próprios juízos sobre mim, na verdade, eu é que quero saber quem sou para você, pois assim posso saber se passo na vivência social aquilo que eu penso sobre mim mesmo.

PS: Cada vez mais eu acho perfeita a definição dada Jesus, quando diz, após ser perguntado sobre quem ele é (se não me engano, no Evangelho de São João): "Eu sou aquele que sou."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Papai, mete porrada neles!

Olá, senhor leitor persistente. Obrigado por não ter me largado após o último pensamento abstrato, por isso vou tentar te presentear com algo melhor hoje. O tema de hoje é... Não, eu não vou entregar tão fácil assim, vai ter que ler!

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Sábado passado eu fui daqui de Vila Velha para Viana de ônibus: uma das poucas viagens que faz você achar que pagar R$ 2,15 (se bem que eu como vagabundo para a sociedade, ops, estudante, só pago R$ 1, 075 de passagem) não é um assalto, mas um presente, dada a distância que é chegar lá. Tudo ia na mais pura normalidade, um 526 lotado num sábado à tarde. Mas uma gritaria INFERNAL no fundo, eram jovens vindos das praias de Vila Velha de volta para casa, em Cariacica ou Viana. Eles berravam, falavam obscenidades, trocavam socos de brincadeira, falavam besteiras e palavras que remetiam às drogas, como: "fulana só dá bola pro gerente, não gosta de vapor não" ou "fulana, vou comer na sua casa, a larica tá matando". Com todo respeito a você, mas eu tava cagando e andando para isso. Eles são só jovens (tal como eu, apesar de eu parecer ter 60 anos) voltando depois de um dia de praia; o que fazem de suas vidas não me diz respeito e não me interessa.

Estava bem chata aquela viagem em pé ouvindo gracinhas, mas nada que não desse pra suportar com boa vontade e compreensão. Mas o "caldo começou a engrossar" quando começaram a puxar a linha do "sinal" de brincadeira e o ônibus começou a parar para ninguém descer. O cobrador ficou cobrando explicações da turma do fundão. Como resposta ouvi: "Aí fulano, para de puxar a parada, senão vai tomar um 12, vamo respeitar o trabalho do cara". Até então só ouvi comentários soltos de pessoas insatisfeitas com a algazarra, mas nada dirigido diretamente à turma. Eis então que um valentão sai estrategicamente do fundo do ônibus, fica DO MEU LADO e grita: "Ô motorista, para o ônibus no posto da polícia que tem ali na frente e manda prender a galera do fundo!". Eu pensei: "Bosta, porque o cara vem falar isso do meu lado, daqui a pouco sobra pra mim de graça, logo pra mim, que não tô nem aí." Não, o ônibus não parou, a turma parou de puxar a linha, mas continuou falando besteira; o valentão ficou quieto e não deu em nada.

Que fezes, hein! Eu não falei nada digno até agora, né? Mas espere, vou chegar lá (acredito e espero).

Eu comecei a pensar durante a viagem, que por sinal é bem longa e permite fazer muitas filosofalavagens. Por que alguém clamou pela polícia? Não querendo ser o advogado do diabo, mas o que aqueles jovens fizeram de errado, além de serem mal-educados? O quê? Nem funk ouviam (hehehe). Só falavam besteiras, futilidades. Não ameaçaram ninguém, só falavam alto e coisas que assustam as pessoas comuns. Eles mesmos se policiaram a parar de puxar a cordinha se ameaçando mutuamente de dar 12, e resolveu! Para quê chamar a polícia? Para pegar os jovens pelas orelhas e descer a porrada? Era isso que o povão imaginava e talvez quisesse. Mas te pergunto: o que ia resolver em larga escala? Ah, a viagem ia seguir naquele silêncio habitual dos ônibus e que todos adoram. Mas o que ia mudar para a sociedade? N-A-D-A. Aqueles jovens não seriam educados com uma sessão de porrada da polícia. A polícia seria chamada para conter a falta de educação deles, para manter a ordem, talvez até os enquadrasse em algum artigo por pertubação da ordem pública (não sei se existe um artigo próprio disso, afinal, ainda estou aprendendo direito penal...).

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O que concluí, conforme eu já disse no texto " 'Livre,' mas sem luz para guiar-se", é que aqueles jovens não foram educados para viver em sociedade, respeitar o direito das outras 50 pessoas que pagaram pela passagem e que querem viajar em silêncio. Isso é culpa deles? Só deles não, provável que não tenham sido educados em casa, nem na igreja e muito menos na escola. Onde foram educados para respeitar o próximo? Onde? Aprenderam na lei das ruas, lá não há espaço para aprender essa boiolagem de respeito ao próximo, lá não se pensa, se age. Pra quê pensar em respeito? O negócio é viver, é agir, fazer e acontecer. Correr atrás de dinheiro, de poder, de mulher, de tênis da NIKE... Não há tempo pra pensar em moral. Repito, quem os educou? E quem quer perder tempo os educando? A moral das ruas é viver para você mesmo, dane-se a ignorância da juventude; você reparou que eu me lixei para zorra deles também, certo? Eu também me lixei para a educação deles, mas pelo menos eu não acreditei que a polícia ia educá-los.

Onde quero chegar? A culpa não é só deles, é minha, é sua, é de cada um. Nós não queremos educar ninguém para viver respeitando o próximo. Volta e meia nos deparamos com os ignorantes que nossa sociedade livre está produzindo, que nós estamos deixando ser produzidos, os ignorantes do século XXI, aqueles que não sabem como viver em um grupo que não seja o seu. Incomoda cruzar com eles, né? Sabe o que a gente faz? Vamos chamar o papai Estado e mandar ele sumir com esses mal-educados daqui, mandar ele descer a porrada, matar, esconder, enterrar, exilar, segregar na favela, sumir com eles daqui, não quero sentir que a culpa é minha, não quero assumir que o problema começa dentro da minha casa. Melhor fingir que isso não é problema meu, deixa o Estado educar na porrada! A porrada nos mal-educados tranquiliza a sociedade, dá a falsa sensação que vai educar e corrigir, fazer um papel que não soubemos fazer. Se porrada educasse alguém para a vida em sociedade... Ai ai...

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Só para esclarecer, chamar a polícia talvez fosse cabível no caso, mas seria uma solução provisória e limitada ao universo daquelas pessoas do ônibus, não traria pessoas educadas ao convívio social, apenas amenizaria a algazarra do ônibus, apenas ia ser útil a 50 pessoas, mas à nossa sociedade não. Eu posso ter viajado muito nesse texto, mas ainda acho que só precisamos educar melhor nossas crianças, para depois não ter que "apanhar" delas e querer chamar o papai Estado para descer o porrete nelas, enquanto, na verdade, tivemos um momento para educá-las, tivemos a nossa hora e deixamos escapar, por quê? Porque não queríamos educá-las...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Teoria do João-Bobo

Acho, ops, acredito ("achar é mania de boteco" - palavras de um professor de uma de minhas escolas antigas) que depois desse texto você não vai ler mais nada que eu escrever, vai achar-me doido ou na melhor das hipóteses, um bobo, mas leia e, se puder, comente.

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Sabe aqueles dias em por algum motivo (razoável ou não) você está muito irritado e é capaz de surrar alguém? O que você faz nesses dias? Age com ódio do mundo ou apenas fica remoendo sua fúria internamente? Seja lá qual foi sua resposta, você age errado! Sim, hermano, você age errado! Por quê? Vou tentar te convencer...

A raiva é algo natural em qualquer pessoa (nossa, agora descobri a pólvora...), todavia a maneria de reagir a ela é sempre variável de pessoa para pessoa, enquanto uns simplesmente estouram com o primeiro infeliz que atravessa a sua reta, outros (mais frios) preferem guardar esse sentimento e ficar ruminando que nem vaca. Considero que estourar imediatamente seja a saída menos pior (apesar de eu sempre optar pela segunda solução no dia a dia - nova ortografia); quando se tem raiva temos uma energia extra para agir, uma energia que não deve ser simplesmente desperdiçada sendo armazenada, mas usada o mais rápido possível. O certo é que essa energia, mesmo não usada logo, ou seja, sendo armazenada, não se perde, mas é bem provável que você não consiga controlá-la e faça uma besteira sem querer quando não queria.

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Assim, guardar sentimentos de fúria por muito tempo é sempre um problema, afinal, alguma hora você pode simplesmente surtar e ter um ataque de fúria (não é exagero meu) e acabar vitimando inocentes. O surto pode até tardar, mas não é evitável (a não ser que você passe por algum episódio que seja capaz de matar toda sua energia "raivosa", algo que lhe leve ao "nirvana" e lhe deixe zen em seu cotidiano de uma hora para outra). A verdade é que a maioria dos acumuladores de fúria surtam e geralmente por alguma razão bem idiota; creio que não estou sendo muito claro, então imagine isso: a fúria é um líquido e uma pessoa um balde vazio; uma pessoa que guarda sua fúria não colocando-a para fora no momento em que ela surgiu vai guardando-a dentro de si, vai enchendo o balde de líquido, até que chega o momento em que o balde fica cheio de fúria acumulada por dias, meses ou anos e transborda, um transbordamento que pode ser gerado por um copo americano de fúria ou por uma humilde e singela gotinha (como é um pisão levado no ônibus). O que quero dizer? Quero dizer que ao acumular muito no balde você pode colocar tudo pra fora de uma vez por causa de uma simples gota, ou seja, você pode ter uma reação muito furiosa por causa de algo idiota e agir desproporcionalmente.

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Tá, então estourar na mesma hora do fato desencadeador da raiva é o melhor, né? Mais ou menos, pois estourar imediatamente é sempre um risco, porque você, dado o nível de raiva e o descontrole natural dela, pode descarregá-la toda sobre algum inocente que não tem nada a ver com a origem de sua fúria, mas que atravessou a sua frente no exato momento em que você se irou. Ou seja, você pode colocar sua raiva pra fora logo, mas contra quem não devia... Aí já era, a besteria tá feita, o desconhecido já foi xingado, você já trocou empurrões com um qualquer, você já ofendeu um amigo ou um parente, isso se não tiver feito coisa pior. Aí é a hora que você me pergunta: Ok, seu mané metido a filósofo, mas então como é que você me manda estourar imediatamente se eu posso acabar fazendo merda? (se o Lula já falou a palavra "merda" em um discurso, então tá liberado o uso dessa palavra, agora falta o Manoel Carlos colocá-la no linguajar de sua novela das 8 para que as pessoas deixem de pudor de falá-la em público)

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Aí entra a parte da minha loucura. A minha solução é: João-Bobos (acho que esse plural tá errado, mas, ah, você entendeu) para todos!!! Hã? Como assim? Ao invés de descontar a fúria em outras pessoas, simplesmente espancaríamos nossos João-Bobos. Todos teriam os seus, ou melhor, teríamos João-Bobos públicos. Que maluquice é essa?

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Imagine você chegar em casa todos os dias e ter em quem descontar sua energia raivosa! Alguém disposto a receber toda a sua raiva que está louca para sair de você. Alguém em quem você pode descontar sua fúria sem medo e receio. Alguém que todos os dias pode assumir uma face diferente (um dia pode ser um professor que não leu seu trabalho, outro dia o seu emprego chato, outro dia um primo que não vai embora de sua casa, outro dia ele pode ser o Obina, e por aí vai...). Ah, só pra esclarecer, creio que a raiva, ao contrário de outros sentimentos, como o amor, não precisa de outro ser humano para ser expressada, pode ser expressada por meio de objetos. Então: NÃO APOIO AMAR ROBÔS E NEM FAZER AMIZADE COM ELES!

Voltando... Imagine descartarmos nossa raiva todos os dias, nunca acordar com raiva, nunca dormir com raiva. Imagine não pegar aquele ônibus bem cedo no qual o motorista, com raiva da mulher, frea bruscamente toda hora só pra descontar sua raiva. Imagine não ter uma professor que dá uma prova difícil só porque tá com raiva da turma. Imagine não encarar seu irmão mal-humorado logo de manhã. Imagine não levar bronca de graça de alguém nervoso. Imagine não levar porrada de graça do policial que tem raiva do emprego e do salário que tem. Imagine quantos crimes deixariam de ocorrer, quantas vidas se manteriam preservadas. Imagine...

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Só mais duas observações: Para descontar sua raiva num João-Bobo, você teria que guardar a sua raiva por alguns minutos ou horas, só até encontrar algum João-Bobo na rua ou chegar em casa e surrar o seu. Esse armazenamento não seria ruim como aquele que questionei acima, mas benéfico, o único acúmulo de raiva benéfico. Outro ponto a esclarecer: Não acho que devemos ser passíveis diante das coisas, ser ovelhinhas tranquilas, só acho que não devemos punir inocentes por coisas que não deram causa, descontarmos nossa raiva em quem não merece, daí a utilidade dos João-Bobos, são meros canalizadores neutros de energia raivosa, só isso, não algo para tornar as pessoas passivas diante do mundo.

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João-Bobo é mais paz na sua cidade! É mais paz na sua casa! João-Bobo é emprego nas fábricas! É comércio sempre movimentado (afinal, eles não são eternos e seriam 180 milhões de unidades, fora os que seriam públicos). Adote um João-Bobo! Dá até nome de um programa social: "Meu 1º João-Bobo".

Brincadeiras à parte, pense na ideia (sem acento agora).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Eu acreditei...

Que vergonha... faz mais de um mês que não posto nada aqui... Passou da hora, né?! Queria falar sobre 3 assuntos, mas vou com calma e vou falar sobre o que estou mais disposto a falar hoje.

Senhores, fomos condenados a viver num micro-ondas (é assim na nova ortografia...). Fomos julgados por 11 dias (7 a 18 de dezembro de 2009) no tribunal de Copenhague e condenados a prisão perpétua dentro de um micro-ondas. Foi essa a conclusão a que cheguei após a Conferência da ONU para tratar sobre problemas climáticos.

Eu, com o meu "positivismo", achei, mesmo contra todas as evidências, que dessa vez tudo ia ser diferente; acreditei que os líderes mundiais iriam chegar a um acordo efetivo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Eu acreditei que não deixaríamos pra última hora (pra alguns, agora já seria o prazo final para fazer algo), afinal, só os brasileiros sempre deixam tudo pra última hora... Acreditei que os americanos e os chinenes se entenderiam, que os países ricos reconheceriam que são os historicamente maiores responsáveis pelos problemas climáticos discutidos e que por isso não criariam muitas condições para fazer algo; acreditei os países pobres (os maiores prejudicados pelos problemas climáticos) iriam ser ajudados, e que Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China cederiam de alguma forma. OK, eu também acreditei que papai noel iria estar na Convenção de Copenhague e que iria ocorrer o milagre ao qual o presidente Lula fez menção em seu discurso desiludido.

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Eu acreditei que a partir da Convenção, pelo menos em assuntos climáticos, o mundo ia ter uma língua comum, que todos os países seriam mais responsáveis com o clima, que assumiríamos coletivamente a responsabilidade de salvar o planeta, acreditei no WE ARE THE WORLD. Todavia, foram passando os primeiros dias e nada de concreto, só bate-boca. E minha crença "positivista" diminuindo... Foram chegando líderes de Estado (a tropa de choque) e um a um foram discursando, discursando e discursando. Chegou até o Nobel da Paz, Mr. Obama, aí pensei:"Já que ele é o cara da mudança, agora vai!". Não, não foi...

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/12/18/18_MHG_LULA_OBAMA_COPENHAGUE.jpg

No fim, eu não conseguia acreditar no que eu via e, mais do que isso, no que eu escutava. Sim, eles estavam discutindo DINHEIRO ao invés de clima, DINHEIRO, amigos. Quem ia perder mais ou ganhar mais. Ninguém queria saber quantas pessoas iam perder suas casas por causa das mudanças climáticas, quantas iam passar fome ou quantas iam morrer, queriam saber quanto suas economias iam deixar de crescer. Tá, eu sei que economia é importante para gerar riquezas necessárias para os Estados investirem em um melhor bem-estar de sua população, sei que ela direta ou indiretamente gera emprego e renda, eu não faltei nessa aula teórica, assim como também não faltei naquela aula que vi que a maior parte das riquezas econômicos de um país acabam favorecendo só uma minoria, ou seja, não tava em debate empregos e renda da população, mas quanto os grandes empresários iam perder.

A China queria manter o ritmo de crescimento, os EUA não queriam ser deixados pra trás. E daí que Tuvalu vai afundar se o nível dos oceanos continuar subindo? Deixa morrer, só há 12 mil habitantes lá, além disso, a economia deles é insignificante; e daí que a Amazônia vai diminuir sua diversidade e sua extensão? Lá só tem bicho e mato mesmo; e daí que a África vai ficar ainda menos apta para o plantio? Os africanos já estão acostumados a passar fome e a morrer de subnutrição mesmo... Toda a humanidade foi condenada, o progresso econômico a qualquer custo foi absolvido, tudo bem que em 1ª Instância (um novo julgamento já foi marcado para 2010, no México).

http://www.revistafatorbrasil.com.br/imagens/fotos/dinheiro_chines

Os líderes fracassaram em Copenhague e nós e o planeta pagaremos a conta. O micro-ondas já tá ligado, só que ainda tá na opção DESCONGELAR, mas relaxa, daqui a pouco começa a esquentar pra valer, aí só tenho algo a dizer: pegue o protetor solar e chame a galera porque todo dia vai dar praia, o ano todo!

sábado, 14 de novembro de 2009

Invísivel

Sei que eu não devia estar aqui escrevendo; sei que eu devia estar indo dormir; sei que meu computador vai apagar ou travar a qualquer momento; mas eu quero escrever!

É tão ruim a sensação de ser invisível, a sensação de que você deu seu máximo em algo e ninguém nem percebeu ou que sua presença em um local não é nem notada. Sinto essa sensação pelo menos 1 vez todos os dias, seja naquela viagem de ônibus na qual a pessoa sentada ao lado mete um fone no ouvido e nem tem interesse em ver a cara de quem vai sentar ao seu lado ou quando cruzo com pessoas que nem ao menos olham na cara de quem vem do outro lado. Pode parecer viadagem, mas não é. Creio que toda pessoa é especial pelo simples fato de ser uma pessoa, por ser um ser diferenciado de todos os demais, por isso toda pessoa merece ser notada, não me refiro a ser popular, famoso ou o "queridinho", me refiro a simplesmente ser notado como pessoa. Se isso ocorresse de fato uma grande parte de nossos problemas estariam resolvidos, penso isso porque muitas vezes as pessoas fazem certas coisas ruins ou desistem de lutar por seus objetivos porque não se sentem notadas.

Às vezes eu acho que o meu pior defeito é querer acreditar e gostar de todas as pessoas pelo simples fato delas serem pessoas. Acho que eu devia ignorá-las, infelizmente é isso que eu tenho tentado fazer nos últimos 3 anos, mas eu não levo jeito pra isso, afinal, nem notam que eu estou fazendo isso ou se notam acham erroneamente que ajo assim por soberba. Não é legal ignorar alguém, ignorar uma pessoa é pior do que odiá-la, porque só é odiado aquele que é notado, uma pessoa ignorada nem sequer existe na cabeça daquele que a ignora, repito, ela não EXISTE .

Diante da invisibilidade você pode fazer o que quiser que não será notado, a não ser que faça uma tremenda besteira, nesse caso, os olhos de todos se voltarão para você, seja por sadismo, por pura curiosidade em ver que besteria você fez ou por outros motivos fúteis. É aquela situação na qual você torna-se o palhaço, um motivo de entretenimento (mesmo assim, você torna-se notável por um curto espaço de tempo, é só até algo mais atraente chamar a atenção). Às vezes você precisa ser socialmente bonito para ser notado, o que é pior ainda, porque, por exemplo, se você não for fortão, vestir-se bem, ter dinheiro, ser descolado, ter um rosto bonito (isso dispensa a inteligência) etc você só será notado se for muito esquisito (tiver uma verruga enorme no nariz, ser corcunda, vestir-se todo esfarrapado...), se você for diferente do estereótipo perfeito ou do estereótipo radicalmente oposto você não será nem notado.

Ah, lembrei de algo que torna os invisíveis visíveis: favores. Sempre lembram dos invisíveis quando precisam de algo que sabem que eles fazem bem. Geralmente você sabe que ele é bom em algo, mas faz questão de não nota-lo no dia-a-dia. Então, eis que surge algo que você não quer perder tempo fazendo, então a solução prática é: bajule o invisível, faça-o acreditar que você sempre o nota e jogue pra cima dele o abacaxi. Usa-se nesse caso o invisível e depois o descarta.

Entre todas as situações a que mais me irrita é quando você se esforça pra fazer algo bom e ninguém recohece seu esforço (como nos trabalhos acadêmicos que são avaliados sem sequer terem sido lidos pelo professor), quando ninguém nem nota a sua dedicação ou mesmo te cobram mais empenho (crendo ser fácil fazer o que você fez); isso é o que desanima muita gente a seguir seus sonhos, mesmo quando se está no caminho certo.

Não estou com dor de cotovelo, não estou deprimido, não quero cometer suicídio (longe disso) e não vou matar ninguém que me ignora, mas estou cansado de ser invisível; é desagradável, por exemplo, escrever linhas e linhas e não saber se elas estão boas ou ruins, simplesmente porque meus 114 visitantes me ignoram não comentando se gostaram ou odiaram o que leram (essa foi uma indireta direta, escreva um comentário, nem que seja só "bom" ou "ruim"), mas eu já imaginava isso, só seria notado se escrevesse coisas bizarras.

É ruim "não feder e nem cheirar bem", ser sem gosto, porque parece que as pessoas não conseguem ter ver como pessoa, poderiam trocar você por um robô sem perceber qualquer diferença. Infelizmente esse parece ser o futuro, sermos (nós, invisíveis) cada vez menos notados por simplesmente sermos pessoas, já fazem até robôs que conseguem sentir emoções, vão acabar trocando nossa convivência pela deles.

Sei que alguém vai falar: "deixa de ser fresco"; "pare de prosa e vá estudar uma Jurisprudência" ou então "pra ser notado você precisa se expor". Mas pense comigo, você só vai olhar na cara de quem passa por você se a pessoa falar com você? Você só vai notar alguém se ela tomar iniciativa de chamar a sua atenção? Ué, você é pessoa que nem ela, porque ela precisa provar que ela existe para ser notada? Não basta ela estar ali em corpo? Mude seus atos, passe a notar mais as pessoas, os seus gestos, as suas expressões, mesmo não as conhecendo; não precisa gostar ou se tornar amigo delas, mas pelo menos demonstre que as nota.

Sabe de uma coisa? Acho que eu é que estou errado, os OUTROS devem estar certos, preciso parar de notar, de gostar e de acreditar nas pessoas somente por elas serem pessoas...

PS: meu computador não travou nenhuma vez, mas eu perdi 1 hora de sono escrevendo algo que não saberei se faz sentido ou não, pois ninguém vai comentar nada... (confesso, agora fiz doce rsrs)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O mundo pesa nas costas, não ?

Começo neste texto a pagar uma dívida de uns 4 meses atrás, quando numa noite de sexta-feira como a de hoje tive uma conversa reveladora, por MSN, com um velho amigo. Gostei tanto da conversa que até a salvei e me comprometi de digitaliza-la aqui. Ah, o título é uma frase da conversa, que por sinal não foi dita por mim.

Como bons amigos que somos, falamos de diversas coisas, criamos até teorias, até que chegamos num assunto crucial que me fez querer digitalizar a conversa em um texto. Falávamos da falta de espontaneidade no agir das pessoas, até que surge a observação:
"X" diz:
se fabricam cérebros hoje



O tema está meio vago até agora, né? Não, eu não sou hippie e não vou lhe falar de um assunto hippie, revolucionário ou comunista. O simples fato de você me achar assim já reflete que uma parte de seu cérebro foi fabricada, afinal, falar de temas abstratos é tido socialmente como "coisa de hippie", de revolucionário esquerdista. Eu também comecei esse blog assim, lembra de quando eu critiquei isso no "Tempo, tempo, tempo..." ? Então, meu cérebro também foi fabricado, mas desde aquele dia eu parei de levá-lo na manutenção da Rede Globo e da Revista Veja; tá eu confesso, de vez em quando eu passo por lá, mas é só pra adicionar um arquivo de "assuntos para puxar papo com poutras pessoas". Ah, no "Tempo, tempo, tempo..." eu critiquei os filósofos, mas nisso eu não mudo, continuo achando-os um bando de egoístas.

Voltando a falar dessa fabricação de cérebros na atualidade, será que tem como fugir dessa produção em massa? Sim, doutores, e eu já dei a resposta antes, sabe qual é? PENSANDO. Querem nos dar todas as respostas, o que nos é cômodo, mas se quisermos pensar nunca seremos fabricados, pelo menos não totalmente. No livro "1984" de George Orwell (leia, é simplesmente espetacular), por exemplo, o Estado controla e vigia todos os comportamentos das pessoas, mas não consegue saber o que elas pensam. Sim, amigo, podem te impedir de agir, mas nunca de pensar, nunca saberão o que passa na tua cabeça, isso só você sabe e só você pode controlar. Você tem a chave da sua liberdade!




Ok, te dei uma dica, mas não a solução, pense em uma solução na sua cabeça (eu adoraria adivinhar o que você tá pensando agora, talvez esteja achando que eu seja algum tipo de louco). Sabe porque fabricam nossos cérebros? Porque deixamos. Sim. Você não pensa porque quer, você aceita soluções prontas porque não quer pensar e produzi-las, você quer manter-se dominado, você deixa que dominem os seus pensamentos. Lembra o que eu disse antes? Ninguém pode controlar o que você pensa. Contudo, nada impede que fabriquem o que você vai pensar; não é uma ótima forma de controle? Pronto, agora você já sabe como se fabricam os cérebros.

Você se sente desmotivado pra pensar? Isso é normal. Amigo, andam te desestimulando a pensar, uma das armas é a "socialização da mediocridade" (créditos ao professor Geraldo pelo termo), estão, por exemplo, despolitizando as pessoas, sabe como? Veja como estão usando a mídia na atualidade, veja como é construtiva a programação das TVs. Por que passa novela toda hora? Por que há mais de 15 anos passa Domingão do Faustão? Essa internet que só incentiva o ócio... Você passa mais tempo colhendo informações ou olhando coisas aleatórias, como esse blog, na internet? Quem banca a imprensa? Quem detem os meios de informação? A elite, certo? É óbvio que só vão veicular informações que estejam de acordo com os seus interesses. Ué? Estranho? Claro que não, se você é o dono, você vai deixar veicular informações que vão contra os seus interesses? Seja sincero... O problema todo é que eles negam que fazem isso, não assumem, dizem assim: "Somos imparciais e blá blá blá blá".


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0D3vd9krM1EUg1fFWipHgFBwEofMDsquYHPfjADnvc_XGBNHIDLADJ5J2e5sZqf0Ai4lsbGlu2vGz8r-kpjCTYUZXRanLPzg3ZFrLCoVRH_6SNiXCByJWRvGL7AI0HX_tvo8YXK-uOnY/s400/bbbbb.JPG


As mídias fugiram do controle, não estão mais ligadas aos seus objetivos iniciais, o jornalismo , por exemplo, não se pauta nos fatos, mas no interesse financeiro dos detentores e parceiros dos meios de comunicação. Hoje, as mídias são instrumentos de dominação, do pior tipo de dominação: da dominação intelectual. Conduzem nossos pensamentos para um caminho desejado por elas e a gente aceita por não estar afim de pensar ou não ter tempo para isso (afinal trabalhar o dia todo não deixa tempo para pensar).

Sabe quem poderia nos ajudar a fugir dessa dominação? O universitário. Temos tempo para pensar e somos a elite do saber, mas não usamos e nem queremos usar nossos conhecimentos de mundo para acordar a sociedade. Enquanto essa elite universitária ficar só queimando as células cerebrais fumando maconha e ficar discutindo os problemas da sociedade somente dentro da universidade, apenas no campo teórico, não vamos ter revolução alguma. Esses putos falam de Marx lá dentro da Universidade e esquecem de que se só eles pensarem em revolução e deixarem as mídias guiarem o povão aqui fora nada vai sair. Eu odeio esses marxilóides, enchem a boca para pregar ideias que não eram nem do próprio Marx, ideias deturpadas e mal interpretadas ao longo do tempo. Hoje, nem Marx seria marxista, e eu muito menos.


O universitário fica discutindo o mundo e o universo dentro da Universidade, pensando com outras pessoas que pensam, não leva a luz do saber a quem não pensa, a quem tem quase 100% do cérebro fabricado. Enquanto isso as elites estão trabalhando, elas veem o potencial desse povo que não pensa; esse povo é como um gigante dormindo. As elites tocam flauta para ele continuar dormindo, enquanto isso, cadê os pensadores? Estão fumando maconha e pensando em cima da barriga do gigante que dorme. Os pensamentos podem ser egoístas e é assim que os pensadores de hoje querem que seja, querem pensar para eles mesmos e somente entre eles, deixando o gigante dormir ao som da flauta. É essa mesma a realidade?

"X" diz:
SIM

"Don Quasímodo" diz:
vc discorda de algo dito?

"X" diz:
não
"X" diz:
O mundo pesa nas costas né "Don Quasímodo" ...

"Don Quasímodo" diz:
cara, o q vc pensa ao dizer essa frase?

"X" diz:
acho que vocÊ entende o que estou dizendo


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUp60sHljheTTrq5gHxhjJu9dAWhLMUrTfqWLbrwEJnax2-Wkf8bZYBaP7zZJx0kg6nErN9wPK1IPQp49zjkVrMiY7AW-rxiMIZMnzAXK0cYI4fjK9PU0AeCa3_rfjH60NyoI3WAQ72mcb/s320/josias+e+o+mundo.jpg

Sim, amigo, eu entendi o que ele quis dizer e creio que se o mundo não pesa nas suas costas, deveria pesar. Se você não tem um cérebro 100% fabricado, você tem um dever em relação ao mundo, você sabe qual. Os ombros podem suportar o mundo, cérebros livres podem salvar o mundo. Somos fortes para isso, não sozinhos é claro. Temos que lutar, lutar no limite de nossas forças, sempre. Vamos fechar as fábricas cerebrais. Vamos montar nós mesmos os nossos cérebros, ainda há tempo!