segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Segredo

Entre a emoção e a razão
Nem sempre há uma terceira via,
Quando nenhuma resposta é solução,
O acerto torna-se uma utopia.

Separadas pelo Equador,
Uma na outra se mistura.
Como em um baile de cor,
Não há opção que seja pura.

A certeza racional depende de fé,
De uma que seja bem boa!
Capaz de tornar a emoção uma ré,
No meu coração e no da Pessoa.

Mas o céu racional é mal pintado,
Só vai até onde os olhos podem crer.
Pode ser frágil como telhado
Quando o desejo é por você.

O sentimento pinta o céu novamente
Com vibrantes cores vivas.
Traz momentos lindos à mente
E as emoções viram divas.

Mas do fracasso da razão
Não deve nascer o amor,
Talvez um ode à paixão,
Com duração, por favor.

Em coração comprometido
Paixão afeta a normalidade.
Gera ciúme (in)contido
É sinônimo de infidelidade.

A sociedade impõe a dor,
Diz que desejar é uma loucura.
Então se não podemos ter amor,
Deixemos que o sexo seja a cura.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Delírios da pré-meia idade

Uma sensação estranha, mas constante, de que morrerei antes da hora, em plena primavera da vida. Sensação de que preciso ser rápido e cirúrgico nas escolhas e decisões. Sentimento de que não há tempo a perder. Não quero ir aos 100 (talvez nem aos 80), mas não é justo nem chegar aos 50.

Uma agonia de que a ordem natural das coisas será subvertida e de que o filho irá antes do pai. Tão certo quanto isso, só as certezas de que terei só uma filha e de que serei o primeiro presidente inédito (talvez não branco ou solteiro ou capixaba ou com menos de 50 anos ou algum outro distintivo) de alguma coisa. Delírios constantes que não deixam de ir e vir.

Um desbravador por excelência. Um destemido por falta de opção e necessidade. Menos preocupado com sorte ou azar e mais crente nas trocas da vida, com a certeza de que um dia é da caça e o outro é do caçador e de que um dia somos roubados e no outro favorecidos.

Assim segue. A vida sobe como balão. Como o topete do baloeiro e a pipa do vovô. Sem grandes aspirações, organização e planejamento, mas com dedicação e algum grau de disposição.

O que incomoda são as negativas sem sentido; o treinar muito para ser roubado; o ser excelente que não é suficiente; a impossibilidade de manter uma comunicação que não termine com uma mensagem com resposta umas 6 horas depois. Sabe? Tipo gente normal, que manifesta interesse. Complicado. Andam cansando o menino de ouro... Ele anda cansando dessa gente. É impressionante! É tipo Pirituba.

Mil frentes e nenhuma definição. Nada de nada. Isso já começa a incomodar e a cansar.

Há de chegar. Em algum momento há de chegar. Mas tá foda.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje vai ter que ser

Dois meses sem escrever?! Tempo pra carai...

Sei lá, talvez este macaco de camiseta que vos escreve esteja vivendo uma fase introspectiva enquanto aguarda mais um episódio de O.J. Simpson - Made in America terminar de baixar.

Ando desesperançoso com a política. Não vejo soluções democráticas nem em um médio prazo. Nossa população precisa urgentemente de acesso à educação. Não apenas escolar, mas educação cidadã. Aos 27 anos, não vejo qualquer futuro para nossa política e ando sem forças até de criticá-la. Há um futuro medonho pela frente. Tento não pensar nisso, mas é foda. É difícil ter que, aos 27 anos, fazer um exame de futurologia para daqui a 30 anos. O que acontece quando o jovem perde a esperança de um mundo melhor?

O amor? Há pouco superei a incredulidade com meu affair que durou menos que um verão. Aprendi muito, é verdade, mas também fiquei bem confuso por um bom tempo. Luto contra o pensamento de que os loucos são os outros, pois sempre que essa parece ser a conclusão, parece que nós somos os verdadeiros loucos. Mas tem horas que não há outra explicação mesmo. E também tem dias que a gente tem que ir pro arrebento; dias que a gente tem que fazer ser, com raça, com maracatu atômico; dias de "hoje vai ter que ser"; dias que não podem ser dias de "de novo não". Foi uma grande loucura de 2 bilhões de dólares, uma loucura buscada e, atualmente, superada. Estou aí de novo, às voltas com uma balzaquiana que vive a indecisão amorosa da realização profissional e a pressão da proximidade do badalar do relógio social. Eu a quero e ela quer (ao que parece), isso deveria ser sempre o suficiente, porém quase nunca é.

Andei lendo sociologia essa semana. O lema positivista era "Ordem, Progresso e Amor". Já falei de "Ordem" e de "Amor". Faltam os progressos.

Ó paí ó! É progresso para mais de metro. Uma série de pseudoproblemas mascarando o espetáculo do crescimento. Perdendo tempo com problemas de gente rica e branca de olhos azuis. Não tenho que me preocupar se haverá dinheiro para comprar comida e pagar o aluguel. Em outros tempos isso era o suficiente; ao menos parecia.

Baixou. Tô vivo! Daqui a pouco passa e a energia se renova.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A volta dos que não foram

Acharam que era o fim? Aí sim foram surpreendidos novamente! Estamos aqui de volta

Somos o maior amigo e o maior inimigo de nós mesmos. Conhecemos segredos de nós mesmos que nem o terceiro mais próximo, mais íntimo, é capaz de saber. Diante disso, creio que sabemos de antemão boa parte daquilo que nos desestabiliza, nos tira a paz e o norte, e, por esse motivo, também sabemos de antemão o que precisamos fazer para não deixar que isso possa ocorrer. Estamos em luta constante contra nossos impulsos que sabemos que nos fazem mal, mas ainda assim, conscientemente, nos deixamos sucumbir, aceitamos o preço e os riscos de deixar a besta de nós mesmos sair.


Guiados por nossos impulsos ruins, nos afastamos da margem, pisamos em terrenos incertos e quando nos damos conta estamos em mar aberto, com a água acima do nível de segurança. Nessa hora percebemos o quanto nos afastamos daquilo que sabemos em nosso íntimo ser o que nos traz paz e segurança e percebemos o quanto fizemos mal a nós mesmos e aos outros.

É comum ouvir frases do tipo "desde o início eu sabia que isso não ia dar certo", "se eu tivesse seguido minha consciência eu não teria feito isso". Somos videntes de nós mesmos, capazes de salvarmos a nós mesmos de muitas coisas e de nos levarmos ao lugar certo pelo caminho mais previsível e seguro.

Mas também somos os inimigos de nós mesmos. E é difícil controlar nossa vontade incontrolável de seguir nossos impulsos, por mais claramente idiotas que possam parecer a uma análise com um pingo de racionalidade.

Às vezes perdemos dias, semanas, meses, anos, dando cabeçadas e, quando enfim percebemos, perdemos uma parte considerável de nossas vidas, daquelas que não cabe mais reembolso.

sábado, 15 de outubro de 2016

Mar

O mar não me diz nada.
Deveria me falar?
Não entro nas ondas
E nem me deixo arrastar.

Olha-lo não me traz paz
Não me sensibiliza,
À praia não me traz,
A minha vida não energiza.

Sem seios,
Devaneios,
Rodeios,
Anseios.

As ondas que vem,
As ondas que vão,
Nada me dizem,
Me resta solidão.

Onde falta coração,
Sobra labor.
Se falta sensação,
Não há amor.

Ao menos o som
Mostra-se amável
Confesso que é bom,
Me soa agradável.

Respeito o mar,
Seus marujos,
Iemanjá;
Ainda que sujo.

Talvez seja velhice,
Essa falta de emoção.
Busco a mesmice,
A falta de ação.

Me deixe não gostar.
Não fique pasmo!
Pois mesmo do mar
Vem o marasmo...

sábado, 10 de setembro de 2016

Amarelo

Se não tiver controle, você pode viciar e desperdiçar muito tempo até conseguir voltar.
Se não puder utilizar, você pode fazer escolhas muito precipitadas, erradas e ter condutas absurdas que ninguém terá coragem de apoiar.
Se você souber usar, você pode conseguir se equilibrar e, porque não, se salvar.

É energia. É força. Faz parte do equilíbrio.

Energia vital, que se produz, compartilha, desperdiça, multiplica e elimina.

Somos a usina de nós mesmos.

Vez ou outra acontecem desastres que impõem a necessidade de isolamento. Porém, controlado, condicionado à vida de animal social.

Quando se perde essa socialidade, se perde o sentido. Vira-se bicho abaixo e acima da linha do pecado. Aumenta-se a voltagem, os riscos, entra-se em rota de autodestruição.

Em algum momento, por recomendação médica, conselhos de amigos, pressão da família, amor, fé ou xirilubaiê é possível acionar um modo de segurança, capaz de desarmar a bomba.

Mas nem sempre se encontra ajuda para ativar o modo de segurança e a bomba explode.

Às vezes em silêncio, outras aos tiros, algumas do alto e umas do fundo do mar.

E assim a vida se vai. A energia se dissipa. E ninguém mais sabe com certeza o que acontecerá. Talvez só Deus e os ateus.

Uma estatística silenciosa, antecedida por uma vida tenebrosa e resultante de uma morte indecorosa.

Mulheres, vocês não sabem a força que têm. Ou sabem, mas preferem se fazer rogar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Desclassificação

É estranho ganhar e não levar. Fazer parte e não poder participar. Olhar e não poder tocar. A insensatez da contradição deixa na boca um gosto esquisito, de sentimento de incompletude, como a fome. 

Às vezes, parece ser mais justo nunca ter a oportunidade de chegar tão perto para jamais ter que lamentar o que deixou de acessar.

Por alguns momentos, não raro longos, a sensação é a de que o melhor é nunca chegar. Viver sem oportunidades. Nunca projetar. Ou então, perder por própria incapacidade, com reconhecimento da automediocridade. Ter a paz de espírito de não ter sido capaz.

O problema é quando não se está claro o porquê não venceu. Quando pedalar vira crime de responsabilidade e quando se treina muito para ser roubado.

Perturbador.