sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ih, começou a palhaçada... (Parte I)

Estava observando o meu blog dia desses e pensei: "Nossa, tá muito melancólico, parecendo um muro das lamentações, preciso retomar imediatamente os temas gerais e abstratos!". Então, eis-me aqui, sem meu "alter ego".


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Sabe a expressão do título? Então, ela foi dita milhares de vezes na última terça-feira, quiçá, milhões de vezes. É assim que uma parte significativa da população brasileira recebeu o início do horário eleitoral gratuito na TV. Na verdade, acho que muita gente deve ter dito assim: "Ih, começou a putaria!", mas achei melhor colocar diferente no título para não soar muito "boca suja". Por que as pessoas reagem assim diante da propaganda política na TV? Por que desligam a TV? Por que esbravejam? Por quê? Por quê? E mais porquês... Elas não gostam de perder a novela? Elas não gostam de perder mais de 30 minutos de lazer em frente a TV após um dia pesado de trabalho? Elas não gostam dos políticos? Talvez um pouco disso tudo. Mas acho que o que mais prevalece é desinteresse político.

As pessoas, em geral, não gostam de políticos. Têm aversão à política. Só gostam de falar dela para reclamar de políticos, da corrupção, para reclamar do salário mínimo... Reclamar, reclamar e reclamar. Só isso. E por quê? Porque, sintéticamente falando, não estão nada satisfeitas com nosso sistema político. As pessoas não se sentem representadas pelos políticos, não se sentem com voz ativa na política, se sentem como marionetes que a cada 2 anos são obrigadas a escolher alguém para governá-las.

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Dia desses, eu li algo do tipo em algum livro de Direito no qual eu estudava: "A essência da democracia é a representação popular, a concretização da vontade popular pelos representantes públicos". Nada novo, é verdade, mas algo que me levou ao seguinte pensamento: "Ok, se o sistema representativo está no alicerce da democracia, o que acontece quando as pessoas não se sentem NUNCA representadas? Algo está errado no sistema, certo?" Aí me perguntei: "Se as pessoas reclamam por não terem as suas vontades concretizadas por seus representantes, será que vale a pena manter esse sistema que desagrada a quase todos? Mantê-lo não seria violar a dita vontade popular?"

Não, eu não defendo a ditadura, mas também não tô muito certo de que a democracia é o que o povo quer. Disse, essa semana, um professor meu que viveu a ditadura: "Talvez a democracia não seja o melhor sistema, mas melhor com ela do que sem ela". O que seria melhor do que ela para atender aos anseios sociais? Vamos viajar um pouco? Então vamos: no fundo, o que se persegue é a concretização da vontade popular, afinal, todo o poder emana do povo (Isso está no art. 1º, parágrafo único da Constituição Federal), os três Poderes! Vamos concretizar essas vontades levando-as às últimas consequências? Bora então! Vamos realizar todos os desejos populares!

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O povo decidiu: não quer mais sistema representativo. O que será que ele quer no lugar? Ele quer, simplesmente, N-A-D-A. Cada um quer se decidir sozinho. Fazer o que der na telha. Ninguém quer votar e nem ser votado. Votar é chato. Campanha política é chata! Político é tudo ladrão! Chega, a gente quer decidir tudo na rua, como na Grécia, mas dessa vez com o POVO de verdade. Acordo 1: Ninguém mais trabalha! Faz só o que quiser o dia todo. Acordo 2: Não há mais vínculos obrigatórios entre as pessoas, cada um faz o que quiser, quando e como quiser. Ah, vai prevalecer a força, então, não haverá mais esse tal de Estado e nem os aparelhos repressivos. dele. Acordo 3: A partir de agora é tudo permitido. Você deve estar pensando: "Credo, será que o povo quer mesmo essas coisas?" Queremos voltar à barbárie? Sim, a gente quer. Queremos ser animais irracionais, viver livremente. Seria, enfim, a concretização do Estado de Natureza de Hobbes, afinal, dizem que tal Estado nunca existiu, não passa de uma criação ficcional. Na verdade, a gente não quer Estado, porque ele não somos nós. Ele representa os interesses de apenas um grupo da população. No fundo, no fundo, o povão não quer o Estado, também não quer a democracia, não quer ter que escolher representantes de sua vontade, ele quer participar, quer tutelar seus próprios interesses, só que isso não pode ser feito por representantes, só você sabe o que de fato você quer. Viu porque a democracia não faz muito sentido? Eu não sou você e você nunca estará totalmente satisfeito comigo como seu representante.

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Sei que o povo brasileiro quer, mas ele nunca vai fazer, afinal, o povo brasileiro não é revolucionário, não curte baderna. A gente nunca precisou de verdade LUTAR (no sentido de cair no braço mesmo) por algo. Não lutamos por independência, pelo fim da monarquia, pela proclamação da República, pelo fim da Ditadura. Sempre houve um grupo tomando frente em eventuais lutas e a massa assistindo. A massa nunca decide para valer. Será que ela lutou pelo fim da Ditadura? Nada. Ditadura ou democracia? Parece tudo igual ao povão. Por ele, ele segue reclamando da democracia por aí até o dia da volta da Ditadura ou o dia do Apocalipse e está tudo bom! Para ele, votar no PSDB e depois votar no PT é a mesma coisa. É tudo igual. E não está totalmente errado não, afinal, os partidos no Brasil não têm uma identidade, ideologias muito definidas. Proponho então criar o "PB do B", o "Partido Brasileirista do Brasil". Aquele que fará sempre o que o povo brasileiro quiser: seja soltar Barrabás ou levar o Neymar e o Ganso para a Copa.

Ah, um ponto delicado, o povo quer o anarquismo, sem querer querendo, mas quer que um símbolo nacional seja mantido intocável: a seleção brasileira. A única eleição da qual ele quer participar é a de novo técnico da seleção, cargo que poderá ser derrubado por meio de eleições regulares. A máquina futebolística precisa ser mantida. A única que precisa. O resto pode cair.

O PB do B vai entrar na luta nas próximas eleições, com a bandeira de que é preciso respeitar a vontade popular, lutar pelo fim de tudo. Defenderá que é preciso acabar com qualquer representação. O povo quer, ele pode. Quero pagar para ver. Ver no que vai dar. Ver quanto tempo isso dura (eu acho que durará eternamente, o povo brasileiro não faz mudanças).

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ATENÇÃO: Isto tudo não passa de uma grande brincadeira, qualquer semelhança com o real é mera coincidência. O PB do B não existe, assim como a democracia também não funciona NO BRASIL. É preciso mudar, talvez de sistema político ou talvez somente a maneira com que encaramos a política, isso é sério, em breve volto com a parte II...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Transe

Foi, sem sombra de dúvidas, uma das sensações mais estranhas que já senti. Eu não sentia minhas pernas, apesar do fato de que eu estava andando no meio da rua naquele exato momento. Na verdade, eu não andava, eram elas que iam me puxando. Por alguns segundos eu percebi que eu sabia para onde ia, mas que eu não estava indo voluntariamente. Elas me puxavam. Ali, naquele momento, no meio dos carros e de toda a agitação da Enseada do Suá, eu percebi que eu DESPERTEI. Percebi a agonia de minhas pernas; percebi que elas pareciam ter desistido de mim em algum momento, pareciam ter percebido que eu estava em transe e que não cabia a elas nada além de me levar aos lugares de sempre; elas pareciam cansadas e sem forças para lutar contra o transe.

Enfim, eu acordara de uma hipnose que durava desde abril. Três anos antes eu já havia sido hipnotizado, mas o desespero para entrar na UFES era tão grande que eu nem sei ao certo se realmente eu estive hipnotizado. Sem perceber eu fui hipnotizado pela bela sirena, eu não dei ouvidos ao Ulisses e não coloquei cera em meus ouvidos, ou melhor, em meus olhos para não vê-la. Também não me amarrei ao mastro para resistir, eu me entreguei por vontade própria ao canto dela.

Desde abril, aquele estado de delírio que ia e vinha com pouca frequência há três anos tornou-se diário. Eu via o rosto dela em todos os lugares; escutava a voz dela por toda parte; ela estava em todo canto. Na verdade, ela não estava. Eu via onde não havia; eu imaginava o que não existia; eu figurava lugares onde a levaria; pessoas a quem a apresentaria; noites frias em que com ela estaria. Eu tinha sem ter. O pior, senhoras e senhores, era que eu realmente acreditava nisso tudo... Por 4 longos meses eu tive crises diária desse jeito. Imagino agora o desespero de minhas pernas ao ver que só elas restavam sãs nesse corpo em transe.

Mas eu acordei, acordei graças à monotonia, ao comum de cada dia. Acordei ao me deparar com um dia comum, um dia parecido (nunca igual) com os outros, no qual eu pude ver que aquele era o real, não havia aquela dimensão que eu imaginei existir por 4 meses enquanto eu fazia o de sempre sem perceber. Eu vivia como aquela pessoa que não tem o que comer e morde o prato imaginando que ali tem uma suculenta coxa de frango. Eu mastigava pedra pensando que comia algo sofisticado. Acordei quando cuspi um dente pra fora. O comum me chamou de volta. Mas não foi tão rápido quanto parece.

Precisei ter um grande azar para perceber que era sorte. Pensando numa luta de boxe, esse episódio de azar que foi de sorte, foi como um direto no meio do meu nariz no começo da luta, um golpe num momento que eu nem me defendia por não achar que precisava. Acusei o golpe. Passei o resto do 1º Assalto (acho mais legal do que round) me segurando nas cordas, até esbocei sair para a luta, mas o gongo soou e fui para o corner. Quando já começava a administrar a dor do soco inesperado, recebo logo mais um no meio da nuca. Ei! Isso não vale, seu juiz, é antidesportivo. Ele fingiu não ver e abriu contagem para mim. Eu ouvia o som da música, percebia, caído ali na lona, que eu fui enganado por mim mesmo, que achei que aguentava entrar naquela luta. A música tocava bem alto, parecia que era para eu ouvir com bastante atenção e entender tudo. Percebi que ninguém dava atenção para a minha agonia no chão, todos pareciam apenas esperar eu admitir logo que não iria continuar na luta, um resultado esperado. Foi nesse dia, quando recebi o segundo golpe, que percebi as minhas pernas perdidas pelas ruas. Foi nesse dia que o comum me chamou de volta ao real. Naqueles segundos em que estive caído no chão sentindo aquela dor silenciosa do 2º golpe, percebi o quanto eu havia me enganado, o quanto eu havia delirado. Mas eu levantei, eu queria acabar a luta em pé (como diria Reginaldo: se é para morrer, que morra em pé!). Voltei à luta, grogue pelos golpes, tudo parecia rodar um pouco, mas eu ainda ouvia a música tocando; então eis que soa o gongo e eu volto para o meu corner pensando que havia, enfim, acordado.

Tarde demais. Apenas ganhei um ar extra, aquele para me levar de volta ao ringue para apanhar mais. Quem ficou até o fim ainda viu um 3º golpe de despedida, daqueles bem vorazes. Fui à lona, enfim. Senti o gosto da derrota, aquele que deixa a boca seca, que tira a voz, mas que te faz acordar de vez, te faz perceber que você errou em algum momento. Eu errei quando deixei, voluntariamente, a sirena me encantar novamente.

O que importa é que nesta semana eu saí do transe (eu acho), o monótono me chamou de volta ao real. Digo às minhas pernas que não têm mais o que temer, eu as guiarei novamente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PARA: Papai Noel ( Polo Norte)

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papai Noel,
eu sei que ainda não é natal mas como você ainda deve tá de férias ece mês eu quero te pedi que me visite aqui no brasil. Domingo vai ser dia dos paiz mas eu não tenho pai. Todos os meus amigos tem 1 e eu não tenho nenhum. Eu já pedi pra mamãe comprar um pra mim ano paçado mas ela falou que não podia fazer isso porque não dá pra comprar pai, mas eu acho que ela tá mentindo pra mim porque um amigo da minha sala falou que ele já oviu que dava pra comprar pai sim. Como ela não que comprá um pra mim, eu pedi pra ela arrumá um emprestado pra mim ela riu e disse que também não dava, aí eu fiquei nervoso e falei que ia pedi pra papai do céu cer o meu pai, mas ela falou que ele já era, mas aí eu falei que pai é aquele que vive junto com os filhos, mas que ele não vivia com a gente. Ela falou que vivia sim, que ele estava dentro do coração de cada um e eu não entendi muito não, aí perguntei pra ela se ele podia aparecer de verdade e viver com a gente, mas ela falou que ele vivia com a gente indo com a gente pra onde a gente fosse. Mamãe disse que eu não precisava de um pai porque ela já era meu pai e que se eu continuace falando nisso ela ia voltá a me levar na picicola, a médica que falô que eu tinha que ver o meu pai quando eu pedi ano paçado pra mamãe comprá um. Eu fiquei com medo dela me levar na picicola de novo e falei que não ia pedi pai mais não, eu não quero i nela denovo não.

aí eu parei de falá e comecei a pensá escondido em tentá pegá emprestado um pai e não comprá, aí pensei em você. Ce te chamamos de papai é porque você é pai, então eu pensei se podia te chamar pra ser o meu pai até as suas férias acabarem. Eu queria te mostrá pros meus amigos na escola, mostrá que eu também tenho um pai, i tomar sorvete com você, brincar com a sua barba, brincar de bola, açisti futebol com você e comessá a torcê pro seu time (mesmo se fô flamemgo). Eu queria que você me encinaçe a nadar, a andar de biçicleta, queria que você brincace de boneco e de carrinho comigo, me contace istórias, me encináce coisas de menino, e até me dece bronca. Eu vo cer o filho mais conportado do mundo, eu prometo.

vem de surpresa, não avisa pra mamãe não porque ela pode ficar chateada porque eu pedi otro pai mas eu gosto muinto dela. Eu nunca vi meu pai de verdade, a única veis que eu falei com ele foi por telefone e a gente marcô de ir no parque mas eu fui com a mamãe e ele não foi, aí eu fiquei com raiva e falei com ele que nunca mais eu queria ve ele. Mamãe parece cer um pai mas eu queria te um de verdade mesmo, porfavor papai noel venha, eu serei o menino mais feliz do mundo se você ficá aqui até novembro. Eu sei que você ia vim de graça, mas eu quero te dar um presente de dia dos pais que eu fiz na escola e te dá um abrasso também, você nem ia precisar trazer presente de natal pra mim esse ano.

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Te dou um pouco de real e muito de ficção para dizer que aquilo que eu não entendia por ser criança, hoje entendo melhor. Aquela ausência que eu custei a entender, hoje é parte de mim, do que penso e do que serei. Talvez tenha sido melhor assim, há ausências que são melhores do que presenças, por isso, agradeço em parte ao meu pai por nunca ter aparecido, nem no dia do parque, e agradeço enormemente à minha mãe pelo pai que foi e é, pelo amor em dobro que sempre me deu e que me fez superar aquela ausência que hoje nem sinto. Domingo, você não precisa dá um presente, apenas dê um "obrigado" a quem merecer, seja seu pai, sua mãe, seu tio, sua tia, seu avô, sua avó...