sábado, 17 de julho de 2010

Deixando o vício?

Acho que acabou, né? Odeio despedidas, seja de quem ou do quê for. Sempre me bate uma sensação de saudade, mesmo aquilo que tenha sido ruim deixa um certo vazio; por algum motivo que desafia a lógica, mesmo as coisas ruins ou as pessoas que não me trazem grande estima parecem boas e simpáticas na hora da despedida. Até entendo, mas não gosto da sensação de que algo não vai se repetir nunca mais.

http://media.josevitor.blog.br/Imagens/hora_de_dar_tchau.jpghttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_ODR9U0ZUr6AeMod1P6Cdv81_N3d16X1-37uUCE1uf3KkvN9a95HfB6wmtv9UTlrGBDPojZhd45fY2VrN689ahjGNec-dJSDEYWEQ19LD-vD1SkSV8iCmpq3BJlzH48SWx-1WvbeAu88/s400/Adeus+amiga.jpeg

Mas dessa vez foi diferente, ela se foi sem deixar muitas saudades. Se foi me deixando a sensação de que foi ruim, o que contraria a minha lógica exposto acima. Sou futebolátra assumido (não daqueles capazes de matar por esse amor, mas apenas de sofrer por ele), logo, a Copa do Mundo representa um momento esperado ansiosamente, é o ápice desse amor, o ápice da loucura que guia os amantes do futebol, comigo não é diferente. Mas essa Copa foi diferente...

A Copa começou com um nível técnico (que não é preciso ser nenhum especialista para saber) fraco, muito ruim. Jogos monótonos; placares apertados; empates sem gols; jogadas sem brilho; parecia uma mulher muito bonita, mas recém-acordada e com os cabelos todos bagunçados. Eu e o mundo todo sabíamos que ela tinha potencial para melhorar (daí a lógica da mulher bonita recém-acordada), afinal, em tese, os melhores do mundo estavam lá, mas isso não se deu da maneira esperada.

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Tudo bem que o nível técnico melhorou após a 1ª rodada, mas ainda era pífio, mesmo para mim, um viciado que tem os seus sentidos e o seu senso crítico um pouco abalados diante da Copa do Mundo. Não digo que não ocorreram jogos emocionantes nessa fase inicial, pelo contrário, ocorreram alguns, mas, Sir, não confunda emoção com qualidade, pois um jogo de futebol pode ser considerado BOM por ser emocionante e ainda assim ter sido em qualidade técnica uma senhora porcaria, assim como um jogo pode ser sem emoção (por exemplo: um time engolir o outro em campo sem dar chances de defesa ao adversário) e ser BOM, em razão da qualidade, em razão da vistosidade do futebol jogado por uma das equipes. Assim, tiveram bons jogos na 1ª fase da Copa, jogos muito emocionantes, mas sem a menor qualidade.

Se foi a 1ª fase, aí pensei: "Será que agora que foram embora os ditos times fracos a Copa terá jogos mais vistosos?" Não. Fui enganado, a melhora foi muito tímida. Eu não vi, mas dizem que Japão e Paraguai personificaram a falta de qualidade dessa Copa em um jogo chato, monótono, estudado, medroso, que só foi decidido nos penaltis, olha que valia uma vaga na próxima fase.

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Foi uma Copa muito estranha! Os sul-americanos (Paraguai e Uruguai) pararam de descer a botinada nos adversários e resolveram "jogar" bola; os africanos jogaram um futebol responsável e tático (bem europeu) e ficaram quase todos na 1ª fase na COPA DO CONTINENTE AFRICANO; os japoneses e os coreanos (do sul, obviamente) conseguiram fazer jogos menos inocentes contra os europeus e até surpreenderam; os alemães jogaram um futebol leve e envolvente como os sul-americanos; os brasileiros começaram a jogar um futebol mais defensivo e previsível; "los pibes" de Maradona começaram a jogar bola após uma eliminatória pífia...

A Jabulani merece até um parágrafo só para ela, talvez tenha sido a maior de todas as esquisitices. Eu acho muito estranho uma bola chamar tanta a atenção em uma Copa do Mundo, é sinal que algo não andava bem. Dizem que ela era leve para aumentar o número de gols e deixar os jogos mais emocionantes, mas me pergunto: se nem ela conseguiu foi porque o negócio tava ruim mesmo. Ela me lembra a fita de Super Nintendo que foi lançada pela FIFA para a Copa de 1994, nos EUA, explico: Não é mistério para ninguém que a Copa de 1994 foi uma tentativa desesperada de popularizar o soccer nos EUA, e parece que tal fita de vídeo game foi no mesmo embalo, por quê? Porque tinha opções de jogo chamadas: "crazy ball" e uma outra que não lembro o nome que descaracterizavam o futebol para agradar os americanos. A "crazy ball" deixava a direção dos chutes tortos e os gols saíam de maneira inesperada e com mais frequência, já a outra opção criava um campo eletromagnético em volta do campo que não deixava a bola sair de campo. Coisas para agradar americano, que nunca entenderam como o mundo inteiro é capaz de amar o soccer, um jogo tão monótono, cujos gols demoram para sair, às vezes nem saem... Pois é, a Jabulani foi uma tentativa, real, de implantar a "crazy ball" e deixar o jogo com mais gols, mas o tiro saiu pela culatra, afinal, ela conseguiu deixar os jogos com ainda menos gols.

Outra bizarrice foi o polvo que adivinhava os jogos, isso mostra o quanto a Copa estava interessante... Pense comigo: quais recordações a Copa da África deixará em sua memória para contar aos netos: a Jabulani (a "crazy ball"); o polvo que adivinhava os jogos; e talvez o som das Vuvuzelas. Futebol mesmo eu garanto que você de pouco lembrará, mas não é culpa sua, o bom futebol esteve ausente a maior parte do tempo. Ah, não serei injusto, contarei aos meus netos (que soberba minha falar de netos nesse estágio da vida...) a história de Uruguai e Gana (um BOM jogo pelo aspecto da emoção, mas também fraco técnicamente), só isso eu lembrarei. Ah tá, lembrarei também de contar da pisada do Felipe Melo no Robben. Só!

http://www.abril.com.br/blog/copa-do-mundo-2010/files/2010/07/polvo-espanha-reuters-550.jpghttp://im.r7.com/outros/files/2C92/94A4/2988/228A/0129/93E5/F1B2/68AD/brasil-melo-pis%C3%A3o-hg-20100702.jpg

Amanhã faz uma semana que a Copa acabou e eu já quase não lembro dela, mal lembro quem ganhou a final. Esse é o capítulo mais trágico! Eu ouvi por 2 anos, desde a Eurocopa 2008, que o futebol espanhol é o melhor do mundo. Me perdoem, eu posso não ser especialista em futebol (apesar de eu acreditar que todos entendem um pouco de futebol, não havendo, assim especialistas, mas homens que ganham dinheiro para falar aquilo que é o óbvio), mas eu tive sono em dois jogos da Espanha, sendo que em um deles, contra a Alemanha, eu "pesquei". Falam do refinado e tático toque de bola espanhol, mas para mim não passa de um time que toca bola eternamente e que NÃO chuta à gol. Eles jogam um futebol burocrático, que toca muito e se der faz gol. Contra a Alemanha tocaram ("magicamente" para os especialistas) por 90 minutos e resolveram o jogo com um gol de cabeça (o que existe de mais bruto e selvagem no futebol) do "técnico" zagueiro Puyol, por que tocar tanto? Para ter que resolver com um gol de zagueiro, de cabeça? Igual fazem os times da Série D, no Brasil? Ah, fala sério... Em tese, o campeão mundial é o melhor do mundo no futebol, mas eu me recuso a considerar merecedor desse título um time que só fez 8 gols em 7 jogos, é como se esse futebol tão superior tivesse ganhado todos os jogos por 1x0. Não me curvo ao título espanhol!


E a Holanda? Desses eu tenho até receio de falar. Futebol robôtico, duro, violento e desleal muitas vezes, nada de especial, só cruzamentos na área e chutes de fora da área. Feio. Ah, mas eles estavem invictos há mais de 15 jogos, e daí? Era um futebol de resultado e só. Em nada lembrava a histórica "laranja mecânica", mesmo os holandeses consideraram essa seleção feia, quem sou eu para ir contra? Apesar disso, eu torci por ela na final, não pelo merecimento, mas pela minha antipatia pelo povo espanhol e para calar os que achavam lindo, esplêndido, delicioso, e técnico o futebol espanhol. Eu confesso que torci pela brutalidade do futebol holandês, pela falta de técnica. Eu quis que o mundo acordasse e visse que a Copa toda foi feia como o futebol holandês. Nada mais justo que o feio vencesse o burocrático.


A final foi como eu esperava: sem emoção, sem graça, chata e (como eu previ) sem gols! Amigo, pense: imagine que você nunca viu futebol e resolve pela primeira vez assistir, escolhe exatamente o jogo final da Copa do Mundo, afinal, em tese, seria o supra-sumo do futebol, o ápice do bom futebol, você iria ver o que o futebol tem em seu melhor. Como você se sentiria após Holanda e Espanha? Eu acho que eu nunca mais iria querer ver futebol. Dois times medrosos em campo, com medo de atacar. Futebol sem objetividade, burocrático. Sem jogadas capazes de tirar aquele suspiro. Futebol sem surpresas, previsível. Futebol defensivo. Faltas em excesso. Nada brilhante. O triunfo da tática sobre a técnica. Juro que chegou uma determinada hora que o meu maior desejo foi o de que alguém (mesmo os espanhóis) fizessem logo o gol só para acabar logo com a tortura. Eu não queria ver tudo decidido, outra vez, nos penaltis! Depois não entendem porque os americanos não gostam de futebol: eles tiveram o prazer de ver uma final de Copa entre Brasil e Itália, em 1994, que terminou em 0x0 após 120 minutos de jogo! E para a surpresa deles ainda tiveram jogadores que conseguiram perder penaltis! Foi muito traumático. Dizia Homer Simpson em um episódio sobre futebol: "Talvez eu dê sorte e consiga ver um gol". A final da Copa de 2010 foi a personificação disso, foi para fechar com chave de bosta uma Copa que foi nesse nível.


Eu, futebólatra, me pergunto: será esse o futuro do futebol? Tática acima da técnica. Eu tive medo nessa Copa, afinal, depois de 12 anos vendo futebol semanalmente, eu, pela primeira vez, consegui visualizar esquemas táticos dentro de campo. Eu vi a Holanda marcando por zona a Espanha! M-E-D-O. Eu nunca observo tática, mas dessa vez tava tudo muito claro, tudo muito mecânico, engessado, era impossível não reparar. Será esse o futuro do futebol? Jogadores brucutus, duros; técnicos obcecados por futebol tático?

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Espero que não! Me sinto como um viciado que foi informado que sua droga vai deixar de ser fabricada do jeito que era, que vai ficar mais fraca. Prefiro acreditar que em 2010 aquela mulher bonita acordou um pouco mais descabelada do que deveria, mas que em 2014 ela voltará a ser bela...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Monólogo dialogado

Dia desses, há exatamente uma semana, estava eu, véspera de prova, às 19 horas, com mais de 150 páginas ainda por ler sobre direito de família e desesperado após apenas 2 dias de estudo (quero deixar um agradecimento aos cobradores e motoristas de ônibus por terem me deixado 1 dia inteiro em casa estudando) e algo próximo de apenas umas 100 páginas lidas. O drama era maior porque eu ainda me recuperava do estrago psicológico da prova de processo civil II de terça-feira, na qual só um resultado importava: 8,5. O que você faria nessa situação? Se mataria para tentar ler as 150 páginas antes do dia seguinte amanhecer, certo? Eu não. Envergonhado por ter ficado o dia inteiro sozinho em casa e não ter feito nenhum afazer doméstico, resolvi lavar aquela pilha de louça do dia anterior que havia me comprometido a lavar para a minha cansada mãe, que por sinal não havia chegado do trabalho ainda na 5ª feira. Pronto, te localizei na situação.

Geralmente gosto de lavar louças (o único afazer que curto, por sinal), gosto de ver o detergente deixando tudo novo, bonito outra vez, com uma simples lavada... Gosto de pensar na vida enquanto converso com minhas mãos molhadas. Mas nesse dia tinha mais alguém naquela cozinha tradicionalmente deserta. Um menino sentado com as pernas morenas dobradas. Parecia brincar com algo nas mãos. Engraçado, quem costuma sentar assim na cozinha, desde pequeno... sou eu! Ele sou eu! Eu lembro daquele guri pequeno, com aqueles cabelos crespos grandes enchendo o saco da mãe enquanto ela lavava a louça dos outros. Mas espera aí! Ele parece não me ver aqui. Para, cara, melhor parar de estudar por hoje, você já está delirando, melhor ir dormir e acordar às 3 da matina e reviver aquela velha tática de estudo desesperado na madrugada.

Ignoro-o, volto os olhos para os pratos. Que lindos estão ficando... Eis que:

- Por que você está com medo? - disse o garotinho moreno
- Eu? Medo!? Tô não. - disse eu
- D., eu sei quando você está com medo, te conheço há 20 anos, esqueceu?
- Então você sabe que eu também não consigo mentir bem? Certo?
- Sim, seu medroso. Também sei qual é o seu medo, o mesmo de sempre... Sem necessidade. Você sabe que vai dar certo, sempre dá! Relembre comigo: "1990. Mãe solteira. Esse menino não vai ter futuro. Quem pariu Mateus que se balance. Casa dos outros. Outra casa. Mais uma casa. Uma mulher que resolveu acreditar que sozinha seria capaz. Uma mulher trabalhando. Te alimentando escondido. Você crescendo. Mãe, posso pegar aquilo na geladeira? Ninguém vai brigar? Você estudando. Ouvindo, vendo humilhações. Sonhos. Ônibus cheio. Mãe, a gente precisa mesmo pegar esse ônibus? Sim, meu filho. Filho, levante que já são 5:30, toma seu leite e vai tomar banho pra irmos ao ponto. Ela trabalhando e apostando em você. E você? Focado. Boas notas. Abrindo mão de outras coisas em busca do sonho. Sonhos. CEFETES. Você está lá, deu certo. Uma fresta aberta e você se atirando com a certeza de alguém que salta em direção a uma janela aberta até o canto. Sonhos. Sufoco. Dificuldades. UFES, quem é essa? Direito? Mas você não quer fazer História? Ser professor? É o preço do sonho, se jogue. Meu neto, é importante passar nessa tal de UFES? Sua mãe quebra o joelho na semana da 2ª fase. Você sozinho em casa, se virando, e, estudando, estudando, estudando... Já se foi a Redação. Foi a História. Queima o dedo no dia da última prova do vestibular. Será que não vai dar para fazer bem a prova? Eu aposto que dá. Mil caírão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas nada chegará à tua tenda. Deu. Você entrou. No seu 1º dia você não sabia nem onde era o CCJE. Mais um anônimo". Olhe para a sua vida atual, não está ótima? Mas foi fácil?

- Não, não foi. - disse eu segurando o choro (não lembro mais a última vez que tive tempo de chorar), mas não chorei.
- E alguém falou que seria? Por que vai desistir agora? Desacreditar agora? Há uma mulher que nesses 20 anos apostou todas as fichas dela em você. Seus vizinhos sentem orgulho de você só de te conhecer de vista, sem saber a sua história. Seus amigos apostam em você sem conhecer a sua história. Há mais de 50 pessoas que confiam no seu sucesso. Você tá com medinho agora? Vai deixar o 1º engravatado te intimidar com uma provinha. A vida foi mais cruel com você e nem por isso você desistiu. Termine essa porra e engula aquele livro. Você não vai desistir agora. Se quiser, não faça por você, mas faça por aquela mulher que conta com você, pelas pessoas que acreditam em você. Eles acreditam em você e eu também! Você vai vencer essa provinha mixuruca e na vida também!
- Queria ter a sua certeza. Eu não confio tanto. - disse eu ainda um pouco teimoso
- Você já fez muito, poderia parar por aqui, mas você sabe que ainda dá para ir mais à frente. Todo mundo sabe disso. Trabalhe em silêncio e confie no seu sucesso. Vai dar tudo certo, porra!

Eu continuava de costas lavando as louças enquanto conversávamos, então, quando ele silenciou resolvi olhar para trás novamente. Ele não estava mais lá.

Eu engoli a vontade de chorar, lavei aqueles pratos com a certeza de que seria capaz de quebrar um deles com a mão em razão da força de vontade que me tomou naquele momento. O velho D., que não desistia nunca estava de volta! O foco voltara. Lembrei do lema: Trabalha e Confia. Apenas confie, não é preciso temer, quem trabalha pelo que quer, consegue, cedo ou tarde. Não é fácil, mas se consegue quando se quer muito e se trabalha firme por isso. Eu saí da pia disposto a conseguir. Disposto a lutar. Lembrando de que o mais importante não é simplesmente vencer ou competir, mas competir e tentar vencer, acreditando que a vitória é possível.

Não li as 150 páginas inteiras. Não havia lido toda a matéria. Mas preferi dormir pelo menos 4 horas e meia para garantir uma certa paz mental às 7:20. Fiz a prova. Tava fácil para todo mundo. Aprovação certa. Veio 3ª feira, o resultado de uma outra prova (processo civil II) que me levaria para a final com certeza, eu tirara 5,5 na primeira prova e tinha certeza que não tinha conseguido os 8,5 de que precisava na segunda prova. Tava muito difícil, apesar de eu ter estudado loucamente por 1 semana e meia. Realmente não consegui os 8,5, consegui 8,6, ou seja, 0,1 pontos a mais. Passei. Êxtase puro. Alegria sincera. Uma semana para naão se esquecer! Recebi hoje pela manhã o comunicado extra-oficial de que meu artigo científico será publicado no livro que comemora os 80 anos do meu curso. Como assim? O meu artigo ficará registrado nessa história? O do menino que ninguém dava nada por ele em 1990? Sim, o artigo do garotinho moreno. Daquele que apenas brincava sentado no canto da cozinha enquanto a mãe lavava a louça suja dos outros. Eu ainda gosto de sentar na cozinha enquanto minha mãe lava louças (as nossas), com as pernas do mesmo jeitinho. Eu nunca deixei de ser aquele menino e ele sempre foi eu.

Não quero que soe autoajuda. Não quero que tenha piedade. Não quero que ache bonita a história. Não quero que ache que eu quis te impressionar. Não ache soberba. Não conto essas histórias nem mesmo para os meus amigos mais íntimos. Não quero nada. Apenas quero que acredite em si mesmo. Acredite que se você acreditar no que faz você pode vencer. Acredite na vida. Acredite no seu trabalho. Acredite nos seus sonhos. E por fim: as melhores histórias são aquelas da vida real!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dedicado a Policarpo Quaresma

UFA! Quase que minha postagem foi atingida pelo que chamamos no Direito de Preclusão Temporal! Quase que o maior espetáculo de Terra chega ao fim para nós e eu não falei nada sobre o evento. Tudo bem que o Brasil pode até vencer a Holanda daqui a 1 hora e meia e ganharmos mais uma sobrevida no evento, mas não vou arriscar, vou escrever antes que acabe tudo, antes que prescreva! Esse texto será redigido correndo, então, não repare na falta de profundidade ou em besteiras que eu falar. Vai sair do coração!

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Leitores, como AMO os tempos de Copa do Mundo, em que tudo, até as pessoas, ficam em verde, amarelo, azul e branco. Dia desses (em setembro de 2009), falei um pouco sobre minha paixão pela seleção brasileira, lembra? Mas hoje falarei um pouco diferente, falarei do amor pelo meu país. Eu sofro por amar esse país 365 (às vezes 366) dias por ano enquanto a maioria das pessoas só o amam um mês a cada 4 anos... Entretanto, eu não sou ciumento, não ligo que de repente todos comecem a amar o Brasil, por isso gosto tanto da Copa do Mundo. De verdade, eu AMO esse país todos os dias, adoro a sensação de viver aqui (apesar de meus romances secretos com a Argentina - não incluindo a seleção argentina - e com a Islândia), isso não quer dizer que eu não o critique de vez em quando, pois amar não é algo que deva ser feito cegamente, é preciso conservar um senso crítico sobre aquilo que se ama.

Durante esses dias de Copa, eu vejo ruas, casas e pessoas em verde e amarelo, bandeiras por todos os lados, gritos de BRASIL por toda parte. Tudo é BRASIL. As mulheres (não todas) aceitam ver futebol; todos estão na mesma sintonia, sentindo a mesma pulsação, respirando no mesmo compasso. Um amor gratuito por 1 mês. Todos amando incondicionalmente, como loucos apaixonados (para um possível pseudointelectual que por aqui passe: não tente entender, o futebol é assim, não há razão, tudo é sensação, isso não se explica, se sente). Eu me sinto feliz por esse patriotismo temporário, mas triste por saber que ele tem fim. Ok, você pode falar que o patriotismo pode levar a consequências nefastas; que os americanos... blá blá blá. Eu sei que tudo isso é verdade, sei de tudo isso, mas entenda algo, aqui eu estou falando de paixão, amor gratuito, isso não se mensura cientificamente.

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O que me deixa triste é saber que tudo talvez não passe só de paixão, algo temporário. Daqui a 4 horas, se os holandeses ganharem, bandeiras podem ser rasgadas, camisas jogadas ao chão e xingamentos à pátria proferidos por todos os cantos. Mas por que é assim? Porque ao contrário do que eu disse antes as pessoas não estão apaixonadas pelo Brasil, pela República Federativa do Brasil, mas pela SELEÇÃO BRASILEIRA. As pessoas não se sentem brasileiras quando torcem, mas SELECIONESES BRASILEIROS, o amor não é à pátria, Policarpo! Não é triste isso? Eu descobri que continuo amando com poucos aliados o país, a maioria das pessoas não o amam, nem durante a Copa. Meu texto pode parecer contraditório, mas eu quis antes induzir você ao erro, caro leitor.

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As pessoas se identificam com a seleção, não com o país. Amar um país envolve muito mais do que ficar gritando BRASIL a plenos pulmões, pintar o rosto com a bandeira, vestir uma camisa amarela, pôr uma bandeira na janela, soltar fogos após uma vitória da seleção. Amar um país significa entregar-se a ele, trabalhar por ele, acreditar nele, se comprometer com a construção dele, identificar-se com suas cores é apenas um detalhe. Eu quero esse país como você queria Policarpo, eu quero trabalhar por ele; contudo, não dou a minha vida por ele, mas por sua gente. Policarpo, somos idiotas? Somos muito ideológicos? Faz algum sentido nisso? Freud, seu falastrão, você pode nos ajudar?

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Não digo que seja uma obsessão, mas um amor gratuito por essa terra, uma vontade de fazê-la brilhar, de ajudar o seu povo. Eu sinto a pele arrepiar ouvindo o hino, carrego o hino da Bandeira na ponta da língua (Salve o lindo pendão da esperança/ Salve o símbolo augusto da paz...). Não. Eu não fui militar, mas acho que eles adorariam que eu fosse um. Só para esclarecer: Eu também não queria ter sido um, pois nas forças armadas há muitos interesses em jogo, Policarpo. Você viveu isso, te usaram. Precisamos ter cuidado com o nosso amor incondicional por esse país, há sempre espertos querendo se aproveitar desse sentimento.

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Mas então, o que eu quero com esse texto nada linear? Quero dizer a minha alegria em saber que por 1 mês a cada 4 anos as pessoas amam tão apaixonadamente esse país quanto a gente, Policarpo. Quero dizer que eu sei que eles amam a seleção e que eu finjo que eles amam o país só para ficar feliz. Policarpo, pena que em sua época não havia Copa do Mundo, que nem futebol jogavam por aqui, aposto que você ia adorar se meter no meio da multidão vestida de Brasil, ia gritar a plenos pulmões BRASIL fingindo ser um SELECIONÊS BRASILEIRO, mesmo no fundo você sabendo que você é BRASILEIRO. Por quê? Porque não temos ciúmes desse amor que sentimos, queremos que mais pessoas o tenham, mesmo que indiretamente, afinal, amar a seleção brasileira envolve amar indiretamente o Brasil, não é?

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Como diria Luther King: I HAVE A DREAM. Eu sonho com o dia em que as bandeiras brasileiras estarão hasteadas nas casas todos os dias; com o dia em que o verde e amarelo não sairá nunca de moda; com o dia em que as pessoas se comprometerão em trabalhar por esse país; com o dia em que todos acreditarão nesse país. Sonho com um "estado de Copa" permanente. Queria ver as ruas e as pessoas "de Brasil" o ano todo, não ia ser lindo, Policarpo?

Agora para vocês leitores: Repito, não sou cego a ponto de não ver as deficiências e os problemas do Brasil, lembra daquele papo de que não se deve amar sem senso crítico? Pois é, eu ainda guardo um senso crítico.

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Eu amo demais essa pátria, sempre, na alegria e na tristeza, em tempos de Copa ou não, apesar de que amar em tempos de Copa seja menos sofrido, tenho mais companhia, pseudocompanhia.

Sonhamos demais Policarpo, amamos demais. Freud, isso tem jeito?

sábado, 12 de junho de 2010

O que é, o que é?

Às vezes eu me pergunto até quando a paciência de vocês comigo vai durar. Vou testá-los mais uma vez entrando em uma temática incomum por aqui... Mas relaxa, podia ser pior, pois eu quase fiz o texto em formato de narrativa.

Sabe um jogo chato? Não, não estou me referindo a algum jogo da Copa do Mundo, até porque sou incapaz de achar qualquer jogo dela ruim, mesmo que seja entre Eslováquia e Nova Zelândia ou entre Argélia e Eslovênia! Falo de um outro tipo de jogo, um jogo cujas regras não são nada claras, se é que há regras. Um jogo que você não pede para jogar e quando percebe já está envolvido nele, jogando ativamente com a "faca entre os dentes".

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO JOGO: Algumas pessoas começam a jogá-lo ainda criança (de maneira bem inocente), outros um tempo depois, mas em regra as pessoas não chegam à idade adulta sem tê-lo jogado pelo menos uma vez. Você pode escolher com quem jogar ou ser escolhido para jogar. Geralmente só duas pessoas jogam simultaneamente, mas não é incomum que mais pessoas estejam jogando também sem você saber. Esse jogo tem tudo para não ser chato, afinal, não é monótono, envolve muitas variantes, muitas surpresas e costuma ser bem dinâmico. A única certeza é quanto ao objetivo a que se persegue.

Eu, volta e meia, me vejo tentando jogá-lo, é algo natural, mas descobri que não o suporto por muito tempo, perco muito facilmente a paciência, "jogo a toalha" com certa rapidez, não suporto o excesso de incertezas que o caracterizam, a sensação de que posso estar sendo feito de trouxa, perdendo tempo, além de estar jogando (eu sei que isso é gerundismo, mas deixa pra lá) por muito tempo sem ver grandes mudanças. Você pode se envolver muito, jogar de boa-fé, investir todo o seu tempo e esforços sinceros, usar diferentes táticas ao mesmo tempo e... não sair do lugar. Confesso que mesmo nessa fase sem vitórias você pode sentir muitas sensações gostosas, mas ainda assim não acho isso algo tão sedutor. Por quê? Muitas vezes você parece estar jogando sozinho com a pessoa que você convidou para praticar, afinal, pela ausência de regras ela pode te ignorar em pleno jogo, nem olhar para você enquanto você acha que está jogando com ela, pode não ouvir as suas palavras, fingir não ver a sua vontade de jogar. Isso me faz, cada vez mais, achar esse jogo chato. Até falar dos jogadores com quem jogo ou joguei eu tenho evitado. Não quero gastar meu tempo com jogadores que nem ao menos reparam que estão jogando ou que preferem jogar com os jogadores errados. Estou cansando.

O problema todo é que as outras pessoas com quem você joga costumam jogar com pouca objetividade, não dão respostas claras, confundem a sua cabeça, ignoram que um dos objetivos finais é haver um consenso entre os jogadores, seja bom ou ruim. Prolongam demais a duração do jogo por não serem mais objetivos... Reconheço que não é um jogo para se jogar objetivamente, isso feriria a essência dele, a sua força motriz. Mas a ausência total de objetividade me incomoda. Eu gosto muito de objetividade e clareza, por isso acabo querendo também tornar esse jogo algo objetivo. Mas sabe o que é pior? Eu posso estar certo, acredito que seria possível ao outro jogador jogá-lo de modo mais objetivo sim, menos complicado, e ainda assim sem ferir a subjetividade que deve guiar boa parte do jogo.

VENCEDOR E PERDEDOR: Ao vencedor, as batatas! Se você vencer, o grande prêmio será a CERTEZA de que o outro jogador aceita repetir todas aquelas boas sensações que vocês sentiram durante o jogo e muitas outras que não puderam ser sentidas. A permanência dessa fase pós-jogo é indefinida, mas deve ser bem aproveitada enquanto durar.

Ao perdedor há muitas possibilidades, a derrota pesa de modo diferente para cada um (varia de acordo com o grau de envolvimento no jogo), sendo que para alguns nem pesam. É mais comum você perder do que vencer, por isso, ao longo da vida você vai ganhando experiência no jogo e vai se importando menos com as derrotas.

É importante ressaltar que mesmo você perdendo, a outra parte não será necessariamente a vencedora, pois não se joga CONTRA o outro jogador, mas EM DIREÇÃO a ele, apesar disso, só é considerado vencedor quem deu o impulso inicial, quem provocou o início do jogo. Vale destacar que há correntes de jogadores, que por considerarem a fase pós-jogo (em caso de vitória) tão boa, acham correto afirmar que os dois jogadores podem ser considerados vencedores. Eu, contudo, creio que esse ponto de vista não pode ser sempre aplicado.

CONCLUSÃO: É evidente que você tem muito mais a ganhar do que a perder se arriscando nesse jogo, o que o faz tão sedutor. Logo, é incomum não querer jogá-lo. Eu também quero jogar! Mas tem me faltado paciência com toda essa incerteza que o guia. Talvez isso se deva ao fato de que tenho jogado uma das piores modalidades desse jogo: à distância, sem contato físico, sem trocar olhares e palavras e sem ter certeza de que o outro jogador (no caso, jogadora) sabe que está convidado a jogar. Tem se mostrado muito chato jogar assim nos últimos tempos.

Preciso jogar outros jogos, jogos com regras mais claras, pensando nisso:

Tobs, traz o WAR do Silva pra gente jogar com a galera. Eu posso ser o exército preto (se você não tiver perdido as peças dele lá na História)
?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Olhos de vidro

Raiva, muita raiva. Hoje eu escreverei com fúria! Detesto a sensação de que eu possa estar sendo feito de besta. Gosto de franqueza e de honestidade em tudo, por mais dolorido que isso possa ser algumas vezes, por isso, não ligo se você agir assim comigo, até prefiro. Entendido? Ok. Vamos ao texto então (sinto que hoje sairá em menos de 1 hora, só não sei se estará tão bom, mas quer saber? Dane-se, hoje eu quero escrever, seja como for!).

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Cada vez mais eu gosto de andar de ônibus, de ter a oportunidade de revisitar todos os dias os mesmos lugares, mesmo que por lapsos de segundos. Pode parecer repetitivo, mas para mim não costuma ser. Nunca é a mesma imagem. Nunca as mesmas pessoas. Nunca o mesmo mundo (essa frase é só pra agradar aos pseudointelectuais de plantão). Isso é o que me inspira todos os dias para fazer as mesmas coisas: saber que no fundo não é tudo exatamente igual, por mais parecido que possa parecer. Como assim? Calma, esse é o ponto da discussão.

Por dois anos o meu ônibus fez o mesmo percurso e vi, pelo menos 2 vezes por semana, os mesmos mendigos dormindo no mesmo lugar entre as 6:45 e as 7:00. Todos os dias eu repousava meus olhos sobre eles enquanto o ônibus permanecia parado no ponto recebendo passageiros. Eu só tinha olhos para eles. Sempre (um recurso estilístico usado só para agradar os amantes da escrita refinada). Era "sempre" mesmo! Eu pensava todos os dias as mesmas coisas: "Cara, por que as pessoas não se incomodam com esses mendigos dormindo ao lado do ponto? Por que acham isso tão normal? Por que fingem não encherga-los? Por que veem, mas ignoram?"

http://www.franciscocastro.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/03/mendigos.jpeghttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhc8AXJAeLK9HrwB9AxCotHbmumRCWWZm1eeHgw5MKZ__TbKiZZFUGMoNQAm1cSpAgu989XG95aoY3d48wxor5a8RVpyJxJIu4uGr6oiNuu0pYJn0eZEBdD1f1ALu_FFbssdB1Zcc9yBpA/s400/Rua+7+de+Abril-+mendigos+dormindo+6-11-2008+17-29-22.jpg

Não. Não sou o bom samaritano, o politicamente correto e nem a Madre Teresa de Calcutá. Mas se ainda assim você acha isso, eu, educadamente, data venia, solicito Vossa Senhoria que vá se f****. Eu apenas me incomodo com coisas que não são normais. Você acha normal essa situação? Eu não acho, mas tranquilo, você não é o único a achar assim, longe disso. Sabe por quê? Olhos de vidro. Os olhos da maioria das pessoas já se acostumaram com algumas imagens, a ponto de toda vez que se deparam com elas endurecerem e tornarem-se de vidro. Eu garanto que não fui o único que fez esse trajeto por 2 anos, mas será que todos perceberam em algum momento que aqueles mendigos dormiam quase sempre ali, seja com o frio de hoje ou com o calor de dezembro? Olhos de vidro. O que os olhos não veem o coração não sente, né? Vai nessa ideia pra ver no que vai dar... Olhos duros produzem corações duros!

O texto vai caminhando para um caminho perigoso, o mesmo caminho do texto dos pseudointelectuais que criticam o comportamento social sem motivo e não apontam motivos ou saídas. Vou tentar salvá-lo, pois um texto furioso não pode ser assim!

Não estou sugerindo que dê um abraço, um cobertor e leve o mendigo para sua casa, mas apenas te peço capacidade de se revoltar com a imagem e de cobrar atitudes daqueles que deveriam diretamente impedir que cenas como essas ocorressem. Não é só a imagem de mendigos dormindo na rua que endurecessem os olhos das pessoas, tem muitas outras. Há cerca de um mês, quando eu sonhava, apenas sonhava, solitariamente com a imagem doce da garota que considero especial, em pé e dentro de um ônibus (pra variar), aconteceu algo que me deixou pasmo por dias, eis o fato (contarei do jeito que os estilísticos metidos a serem sensíveis gostam de fazer para ganhar os aplausos das garotas): "Para o ônibus. Sinal vermelho. Ao lado para o carro do IML (sim, o rabecão). Dentro, os dois ocupantes conversam normalmente em mais um dia comum de trabalho (tudo devia parecer parecido). Noto algo pingando na parte de trás do veículo. Sangue. Muito sangue! Forma-se logo uma gota de sangue enorme no asfalto negro. Vermelho e preto, mais vermelho do que preto. Vejo as gotas carinhosamente alcançando o chão. Vida. Morte." Todos ao redor pareciam não ver aquilo. Parecia tudo normal. T-U-D-O normal, tudo parecido com o de sempre. Eu não achei aquilo normal, era sangue humano. Aquilo não era suco de groselha! A morte estava ali! Havia um corpo ali: talvez mais uma jovem vítima do tráfico e da sociedade. Sonhos assassinados, uma família sofrendo, era o fim da linha para alguém. Isso pode soar normal, mas para mim não. Para a maioria das pessoas já é normal ver o rabecão trafegar cheio de corpos furados por balas o dia todo, os olhos não se impressionam mais. Dane-se se é sangue humano que pinga no chão, ninguém vê, por mais chamativo que seja. Naquele dia o carro negro chorou sangue, eu vi!

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Crianças pedindo uns trocados na rua, crackeiros se arrastando pelas ruas como caveiras, assassinatos na TV, pessoas arrastando carroças como animais. Tudo normal, né? Tá, eu sei que muitas pessoas desenvolvem olhos de vidro porque não sabem mais o que fazer, até se sentem chocadas no começo com essas cenas, mas como não sabem como ajudar acabam encomendando olhos de vidro. Eu não dou esmolas e também não paro para conversar com essas pessoas (na verdade, eu sempre ofereço comida quando me pedem dinheiro, e acredite, na maioria das vezes aceitam, nem todos são ladrões e drogados, viu?). A verdade é que a situação delas me incomoda. É isso que te peço: se incomode. Isso é só o começo de tudo! Não fique feliz em saber que o Brasil é o país que mais recicla no mundo, fique puto por saber que quem garante isso é aquele cara magricela que puxa uma carroça para sobreviver. Fique puto! Cobre! Compre a briga! Vá aos responsáveis por gerir o dinheiro público. Descubra se há algum trabalho público para mudar a realidade atual dessas pessoas. Não acredite que o "Bolsa-Família" resolve isso. Ajude. Dê comida. Incentive os necessitados a não serem dependentes de outras pessoas ou de políticas públicas, mas a conquistarem sua dignidade tendo o que comer, onde morar, estudando, trabalhando, tendo meios de subsistir. Faça trabalho voluntário. Doe sangue (garanto que não dói, só não olhe para a agulha! Eu até te levo comigo!). Doe suas coisas. Sei lá, faça algo! Você não vai mudar o mundo sozinho, mas vai ajudar de alguma forma e dar o exemplo a outros que não fazem nada por vergonha ou falta de exemplo. Não gaste seu tempo apenas lendo "Crepúsculo" ou um blog como este. Meia-hora que você der de sua semana a alguém que precisa já está ótimo! Não comprometerá os seus momentos íntimos. Devolva os olhos de vidro que você adora usar para não ver as coisas. Acredite que aquilo que você está vendo é verdade. Você vai ver que somos um povo sem vergonha: um povo que acha normal haver favela; que acha normal pessoas não terem água encanada e nem esgoto tratado; que acha normal as ruas alagarem nas chuvas; que acha normal haver lixo nas ruas; que acha normal um valão existir há anos na entrada da 2ª cidade mais importante do estado; somos um povo que gosta de saber por hobbie quantos jovens morreram na última guerra do tráfico; que gosta de ver os corpos estirados no chão. Isso tudo não é normal, eu tenho vergonha! Ou então sou eu que não sou normal! Tá bom, isso tudo é normal, eu é que preciso de uma camisa de força... Deve ser por isso que não arrumo uma namorada. Quando eu começar a fazer textos com estilística e falando que, por exemplo: "O sol irradiava luz sobre a face dela. Calor. Ela enrubesceu. Eu a beijei." Talvez eu pareça mais simpático... hahaha

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Nem todos os dias são iguais, por mais parecidos que sejam; o problema deve estar em você!

Tá falado! Ah, um último recado: Não foi desculpinha minha falar que Maio me tirou todo o tempo não, gosto das coisas francas, eu simplesmente não tive tempo, ponto. Se fui rude para alguém neste texto, me perdoe, eu precisava de um João-Bobo, na ausência dele acabei socando as palavras contra o papel. Por fim, para que não restem dúvidas: não bebi e nem usei drogas, só escutei rock.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

RECESSO

Leitores amigos, estou passando aqui só para dizer que eu não desisti do blog. Pelo contrário! Estou cheio de assuntos novos para apresentar a vocês; estou louco para escrever, mas infelizmente a vida universitária tem me sugado de modo assustador neste mês de Maio, principalmente, com muitas provas em sequência e com atividades fúteis (que me tiram o tempo de escrever aqui) como fichamentos. Ah, um aviso: continuo lendo os blogs dos amigos, tenham certeza disso (nem sempre eu comentarei imediatamente, mas sempre que der comentarei algo, seja relevante ou não) hehe



Só pra ocupar o vazio que vou deixar aqui por um tempo...




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(um substituto à altura)



Deixo um beijo para quem quiser devolvê-lo; um abraço demorado e verdadeiro para quem não quiser o beijo; um aperto de mão firme para quem não quiser o abraço e nem o beijo; e para quem não quer nada eu deixo "nada".

Eu volto!

Respeitosamente,
Don Quasímodo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Incomentável

Geralmente dedico este espaço à razão, mas hoje o dedico às sensações. Não me propus a falar sobre esse tipo de tema no início do blog e garanto que não pretendo seguir nessa linha de textos. Se quiser, não leia, eu o entenderei. Não sou um grande apreciador e nem escritor de poemas, mas acho que somente um deles é capaz de explicar o caldeirão de sensações que vivi hoje (preciso pôr isso para fora, desculpe). Simplesmente incomentável!


ESTAÇÃO 507

Outra vez a covardia,
A inércia forçada e o medo de agir.
De novo NÃO! Eu não queria,
Afinal, esperei tanto por esse dia...
Mas ainda assim ela queria tomar-me para si.

As pernas tremiam, fraquejavam;
Eu chamava o ar, mas ele queria fugir;
O frio na barriga;
Os olhos que não acreditavam no que viam
Brincavam de girar em volta de si.
A covardia vinha, chegava;
NÃO! Hoje NÃO! Deixe-me sentir.
Au revoir, covardia!

Palavras errantes, desajeitadas, teimavam em sair.
Para onde levavam eu não sabia,
Timidez e alegria brigavam dentro de mim.
Ouvi, vi, vi de novo, e vi mais uma vez para garantir, vivi;
Relembrei, nunca esqueci.
Os mesmos olhos tranquilos, os mesmos cabelos envolventes
E a mesma face delicada,
Porém, havia uma pessoa mudada,
Tudo estava em evolução e em reinvenção.
Oh, céus... Queria ser Cronos e segurar cada segundo ali.

Sensações iam e viam
Como numa estação.
Não havia controle, só confusão.
Invadiam sem cerimôinia, todas pareciam precisar estar ali;
Algumas pareciam esperar o trem vir,
Outras esperavam o trem partir
E eu ali, vendo tudo, sentindo tudo.

Quero me enganar nas dúvidas.
Mas por que dúvidas quando tenho certeza?
É a covardia e o medo de agir voltando;
Não consigo evitar, estão voltando a mim!
Dizem: Pare! Não siga mais, o fim da linha é aqui!
Você não tem coragem,
Você não tem permissão para seguir.
Por que ir além? Contente-se.

Contentar-me?
Não, eu quero mais.
Pare! Contente-se!

Foi como numa estação.
Fim da linha? Talvez.
Independente de tudo, eu vi, eu senti.
Aqui jaz um poema, um ato de coragem, não covarde.
Talvez um passo exagerado, mas um basta na incerteza.
Me libertei!

By um exagerado, mas corajoso, enfim


Perdão, leitores! Tive uma recaída.