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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Notas de carnaval

Estes dias vi na TV um programa de talentos musicais nos quais os jurados só tinham como opções as notas 9.7, 9.8, 9.9 e 10.

Para mim, isto foi o reconhecimento de nossa incapacidade, como sociedade, de lidar construtivamente com a crítica.

Naturalizamos a mediocridade. Nos conformamos com coisas feitas com razoabilidade dando a elas status de coisas feitas com excelência. Talvez por isto ficamos meio surpresos quando encontramos um bom serviço, como se encontrar um profissional que realmente seja bom ou excelente fosse a exceção, ao invés de ser a regra.

Quantos encanadores, mecânicos, eletricistas, montadores de móvel, instaladores de internet, taxistas, professores, médicos etc medíocres encontramos por aí. Parece que eles se multiplicam. E são todos pagos. Gente que presta serviço sem preocupação com qualquer padrão de qualidade. Sabe quando você senta num táxi? Não parece muitas vezes que você está fazendo um favor para ele ao invés de estar pagando pelo serviço dele? É tosco, para não dizer indecente.

E a gente se acostuma com isto, com nossa realidade de serviços mal prestados. E no fim, com essa naturalização, nos tornamos complacentes com a mal feito, nos tornamos mais tolerantes e perdemos um pouco de nosso senso crítico.

Você já viu a apuração do desfile das escolas de samba? A regra são notas que variam de 9.5 a 10, sendo que 9.5 torna-se uma nota ruim e uma nota igual ou inferior a 9 só é dada numa situação absurdamente ruim, tipo um carro alegórico travado no meio da passarela ou um acidente durante o desfile. Que mundo é este onde 9.5 é nota baixa? Um mundo de bajulamento, de supervalorização, totalmente destoante do mundo crítico e até do mundo escolar, no qual tirar um 8.5 é uma puta nota e tirar 9.5 é um orgasmo.

Vivemos uma sociedade de baixo nível crítico, no qual ouvir uma verdadeira crítica é confundido com perseguição pessoal, com inveja, despeito, recalque etc.

Em uma sociedade acostumada com coisas mal feitas aceitas como suficiente, a crítica soa como um acinte, como falta de sexo. Somos uma sociedade de mimados e mal acostumados com aquilo que não é bem feito. Somos acostumados com a falta de beleza e de graciosidade que resolve razoavelmente.

Um programa de TV no qual a pior nota possível é um 9.7 é um bom exemplo disto, um bom exemplo de como somos injustos com aquilo que é verdadeiramente bom e o aproximamos tanto daquilo que está longe de ser bom. Separamos por 0.3 o sublime do medíocre. Desestimulamos o trabalho bem feito ao valorizarmos tanto aquilo que não é bem feito. Se ser meia boca basta, ir além do razoável se torna uma questão meramente de consciência, de vontade de fazer sempre o melhor, algo muitas vezes mal compreendido e menosprezado.

No fim, razão assiste a Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem."

sábado, 15 de outubro de 2016

Mar

O mar não me diz nada.
Deveria me falar?
Não entro nas ondas
E nem me deixo arrastar.

Olha-lo não me traz paz
Não me sensibiliza,
À praia não me traz,
A minha vida não energiza.

Sem seios,
Devaneios,
Rodeios,
Anseios.

As ondas que vem,
As ondas que vão,
Nada me dizem,
Me resta solidão.

Onde falta coração,
Sobra labor.
Se falta sensação,
Não há amor.

Ao menos o som
Mostra-se amável
Confesso que é bom,
Me soa agradável.

Respeito o mar,
Seus marujos,
Iemanjá;
Ainda que sujo.

Talvez seja velhice,
Essa falta de emoção.
Busco a mesmice,
A falta de ação.

Me deixe não gostar.
Não fique pasmo!
Pois mesmo do mar
Vem o marasmo...

sábado, 10 de setembro de 2016

Amarelo

Se não tiver controle, você pode viciar e desperdiçar muito tempo até conseguir voltar.
Se não puder utilizar, você pode fazer escolhas muito precipitadas, erradas e ter condutas absurdas que ninguém terá coragem de apoiar.
Se você souber usar, você pode conseguir se equilibrar e, porque não, se salvar.

É energia. É força. Faz parte do equilíbrio.

Energia vital, que se produz, compartilha, desperdiça, multiplica e elimina.

Somos a usina de nós mesmos.

Vez ou outra acontecem desastres que impõem a necessidade de isolamento. Porém, controlado, condicionado à vida de animal social.

Quando se perde essa socialidade, se perde o sentido. Vira-se bicho abaixo e acima da linha do pecado. Aumenta-se a voltagem, os riscos, entra-se em rota de autodestruição.

Em algum momento, por recomendação médica, conselhos de amigos, pressão da família, amor, fé ou xirilubaiê é possível acionar um modo de segurança, capaz de desarmar a bomba.

Mas nem sempre se encontra ajuda para ativar o modo de segurança e a bomba explode.

Às vezes em silêncio, outras aos tiros, algumas do alto e umas do fundo do mar.

E assim a vida se vai. A energia se dissipa. E ninguém mais sabe com certeza o que acontecerá. Talvez só Deus e os ateus.

Uma estatística silenciosa, antecedida por uma vida tenebrosa e resultante de uma morte indecorosa.

Mulheres, vocês não sabem a força que têm. Ou sabem, mas preferem se fazer rogar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Um estádio e outras histórias

Chegue mais perto, preciso lhe contar um segredo. Não é nada muito extravagante, mas eu ainda tenho certo receio em dizer. Está pronto para ouvir? Então eu vou lhe contar.
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"Estou viciado. Desde o início de agosto, todo fim de semana eu tenho ido lá. Ligo para meus amigos, marcamos um horário no Terminal e vamos. Não perdi nenhum jogo da Desportiva Ferroviária em seu retorno ao futebol; fui em todos os jogos da 'TIVA' no Engenheiro Araripe." (Don Quasímodo, 17-09-11)

1. A minha primeira vez
Ainda guardo em minha carteira o registro da minha primeira vez. Comecei em grande estilo numa tarde nublada de domingo em 2008. Eu e meus amigos-irmãos do CEFETES marcamos quase como de zuera e fomos. Mais um daqueles eventos dos nossos últimos suspiros de CEFETES. Nos encontramos no Terminal de Vila Velha, tomamos um 500 e partimos. Descemos na estação, atravessamos a Rodovia e fomos em direção ao "Coliseu". O público era pequeno, é verdade, mas era dia de clássico, e isso por si só já bastava, embora os dois times não tivessem mais chances de disputar a fase final do Capixabão, ou seja, o jogo não valia nada. Perdurava a dúvida se o craque (Sávio - o "anjo loiro da gávea") jogaria ou não, mas ainda assim queríamos ver.

Tudo era novo: desde a ida à bilheteria até o sentar a bunda na arquibancada. Ainda não tinhamos uma preferência sobre pra quem torcer, mas você sabe como é o amor, né? Surge quando a gente não espera. Naquele dia, escolhemos sentar no cantinho reservado à torcida visitante (Desportiva) e assim começou o amor. Eu que já tinha uma certa simpatia, comecei naquele dia o meu processo de "Desportivação". Não vibrava ou esbravejava como os demais torcedores, no máximo ria do descontrole emocional de alguns deles. Estava torcendo, mas mais do que isso, contemplando, vendo como era diferente ver a bola rolar tão próxima dos olhos. Não perdia nenhum detalhe. Naquele dia eu era mais cientista do que torcedor. O jogo em si foi feio. 1x0 para eles num gol aos 10 do primeiro tempo. E ficou nisso. Jogo entediante.
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1.1. O Santo Graal
Dizem que o melhor sempre fica para o final, né? Pois então, eis o grand finale: Acaba o jogo e um torcedor do Rio Branco de uns 60 anos (um típico torcedor do "Asilo" - como comumente chamamos a torcida desse time) entra em campo (sabe-se lá como) segurando o "Santo Graal" (ou, se preferir, uma ave que me pareceu vista da arquibancada ser uma galinha de angola). Direção: Corria dentro do campo em direção ao jovem goleiro da Desportiva com o "Santo Graal" entre os braços. Galinha. Goleiro. Te lembra alguma coisa? Acho que isso também lembrou algo ao goleiro da TIVA, que sem fazer qualquer cerimônia deu logo um empurrão no velho e tentou chutá-lo. Prontamente a polícia interveio e o goleiro, que entrou em campo de luvas, saiu de algemas. Obviamente que não deve ter ficado preso nem 30 minutos, mas essa cena inusitada ficou em minha retina como uma lembrança da minha 1ª vez. Hoje lembro desse episódio com humor, mas na época ele me soou como um "Nunca mais boto o pé nesse antro de amadorismo chamado futebol capixaba!"
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2. Hiato
E assim se fez. Afastei-me por todo o ano de 2009 dos jogos da TIVA. Não assisti a nenhum, nem mesmo a final da Copa ES de 2008, o último grande triunfo da TIVA. Voltei apenas em 2010. Eu e meus amigos do CEFETES presenciamos a campanha do rebaixamento, na qual os pontos altos foram a vitória de 1x0 sobre o campeão Rio Branco e um dramático e cheio de histórias jogo do rebaixamento contra o Espírito Santo de Anchieta (essas histórias eu deixo para outra ocasião). Foi na campanha do rebaixamento que me tornei, em definitivo, um GRENÁ. Fomos rebaixados. E assim, o clube-empresa Desportiva Capixaba encerrou suas atividades, vindo a ser sucedido (após intensas e ainda não finalizadas batalhas judiciais) pela legítima e tradicional Desportiva Ferroviária em meados de 2011, após 1 ano inteiro sem futebol e de incertezas para os seus fiéis torcedores.
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3. A torcida
Como é de se esperar, a maior parte é formada por homens, MAS, também há muitas crianças e mulheres (e elas também gritam, e como gritam! - por falar nisso, minha mãe tá toda animada para ir ao estádio comigo qualquer dia desses, embora ela deteste ver futebol na TV). Há pessoas que parecem ir lá desde os tempos áureos do futebol capixaba. Há velhinhas apoiando o time. Casais. Velhos de muleta. Gente feia. Gente bonita. É interessante ver na torcida pessoas que você nunca imaginou que pudesse ver por lá, como ex-professores, servidores da Universidade etc.
A torcida é sempre muito exigente, seja com os atletas e treinadores, seja com os juízes. Ela quer o espetáculo de míseros R$ 10,00 (R$ 5,00 no meu caso). Mas tá sempre pronta para apoiar. É o estopim da bomba. É sempre interessante observar as reações: olhos vidrados; faces de incerteza e súplica; faces de fúria; bocas de incredulidade; bocas que sorriem ou balbuciam táticas; gestos para todos os lados. Muitas faces e reações por segundo.
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3.1. As organizadas

Eu pessoalmente não curto. Foi um dos meus traumas da minha 1ª vez: um grande tambor descompassado e um bando de moleques cantando gritos de provocação à torcida adversária. Moleques de costas para o campo, ignorando veementemente o jogo, preocupados apenas em provocar. Sensação do primeiro contato: não vieram para torcer. Senti um certo desconforto pela proximidade com eles, embora tenha percebido que as organizadas (mesmo as voltadas para briga) têm certo respeito pelo torcedor comum.

Com o tempo observei que nem todas as organizadas são como aquela que vi no primeiro jogo, pois há aquelas que são da paz e essas fazem um lindo espetáculo: cantam apoiando o time o jogo inteiro; tocam compassadamente o tambor; criam músicas que apoiam o time, mas que também gozam o adversário (sem chamar para a porrada) ou xingam o juiz; lançam papel higiênico e acendem sinalizadores na entrada do time em campo; aplaudem os jogadores. Essas conseguem até animar a torcida comum, que não goza da organização necessária para puxar cânticos, mas no máximo para aplaudir.

Por outro lado, há aquelas organizadas que sempre chegam após o início do jogo, que marcam brigas fora do campo, que criam emboscadas para pegar a torcida organizada rival, que têm no futebol apenas um motivo secundário para brigar. Cães de briga. Chega ao extremo de dia desses eu ver uns 30 moleques virem da Serra para o jogo em Cariacica e nem chegarem a entrar no estádio para assistir o jogo e apoiar o Serra. Motivo: chegaram cantando e provocando, querendo brigar, mas em menos de 3 minutos (juro) foram botados para correr pela torcida organizada rival que os esperava na porta do estádio após o início do jogo. Ou seja, andaram uns 50 minutos ou mais de ônibus para em 3 minutos (!) serem botados para correr, pegarem o ônibus e voltarem para a Serra... Faz sentido? Isso é torcedor?

Tenho que reconhecer uma questão: as organizadas são quem animam as arquibancadas. São quem comandam os cânticos da torcida. Podem tornar o espetáculo muito bonito, desde que venham de fato pra torcer. MAS, considerando que hoje, as torcidas organizadas que surgem parecem voltar-se mais para organizar brigas do que torcer, creio que elas devem ser impedidas de entrar nos estádios. Uma medida extrema que acaba punindo aquelas torcidas que vão para torcer, mas que serve para proteger o espetáculo contra marginais que querem apenas ter o futebol como pano de fundo para brigar.


4. A atmosfera
Os cientistas e os atores que me perdoem, mas perdem no estádio um ótimo laboratório humano; seja para estudo das sensações humanas ou para a criação de diferentes faces para personagens. A atmossfera de um estádio é apaixonante. Por algum motivo que não sei explicar, as pessoas conseguem extravazar uma energia muito forte assistindo a um jogo, seja bom ou ruim. São pessoas no estado in natura, não há essas superficialidades comportamentais que costumamos ver por aí. Parece haver uma ponte instantânea entre emoção e ação. As pessoas oscilam de humor umas 30 vezes dentro de 1 minuto! Raiva. Esperança. Felicidade. Desespero. Incerteza. Desânimo. Inconformismo. Humor. Incentivo. Tudo junto! Você percebe que se contaminou quando começa a sugerir jogadas aos jogadores quando os mesmos pegam na bola, quando começa a levantar a bunda da arquibancada quando o time chega próximo à grande área do adversário, quando começa a esbravejar contra jogadores que erram jogadas e contra os juízes. É estranho. Você xinga alto, faz gestos obscenos para o campo, grita, aplaude (mesmo lances feios), canta desafinado com a torcida, pede falta mesmo sabendo que não foi. Pura insanidade. Você põe tudo pra fora. Sei lá. As sensações ficam à flor da pele. Você sente e reage aos estímulos recebidos em tempo recorde. Eu tenho vergonha de gritar até mesmo para o motorista abrir a porta em um ônibus cheio, mas no meio daquele bando de desconhecidos do estádio eu me sinto à vontade para gritar a plenos pulmões. Por quê? Não sei. Ninguém parece se importar com as reações alheias, até porque todos parecem ser um só. Todos na mesma sintonia e vibração. Seja para incentivar, comemorar ou xingar. Todos respirando o ar da mesma atmosfera. Em menos de um minuto a incerteza e a raiva coletiva pela derrota pode transformar-se no orgasmo da vitória.
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5. O gol
O ápice da ida ao estádio. O momento em que aquele ar que todos prenderam enquanto a bola caminhava para a rede solta-se inesperadamente. É perceptível o sumiço do ar no momento que antecede o gol, parece que todos puxam para poder soltá-lo depois a pleno pulmões. O que se sente neste instante é maravilhoso. É como se por um instante fosse possível sentir o céu com a ponta dos dedos. O gol traz a sensação de poder. De que tudo pode ser diferente. Se a vitória era dúvida, torna-se certeza. Se o time jogava mal, renasce a esperança de vê-lo jogar bem. O feio torna-se belo. Acho que deve ser uma boa hora para pedir uma mulher em casamento (hahaha, principalmente se ela também estiver envolvida na emoção do jogo). E a festa? Só para se ter ideia, lembro de ter abraçado um desconhecido no gol da vitória contra o Rio Branco na campanha contra o rebaixamento.
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E se o gol for do advesário? Silêncio. Uma multidão de mudos. Centenas ou milhares de vozes em silêncio por uns 5 segundos Ouve-se até os sons da comemoração dos atletas dentro do campo. São segundos sepulcrais. É nessas horas que penso como deve ter sido engasturante um Maracanã mudo em 1950 após o 2º gol do Uruguai na final da Copa do Mundo. Muito estranho. É como morrer de olhos abertos. Parece que a respiração some e o coração não bate neste instante. Depois, pode ser que a torcida comece a apoiar o time ou a esbravejar contra um culpado, tudo de modo desarmônico, como uma manada de babuínos. É o momento crítico.

6. A esperança
O que me entristece é que o futebol em nosso estado é tão amador que muita gente que costumava vir ao estádio não mais o faz, assim como aqueles que nunca foram não têm a menor vontade de ir. Sempre que posso, convido amigos que nunca foram ou há tempos não vão. É preciso valorizar o que é da terra, senhores! Quando se fala em futebol, parecemos colônia do Rio de Janeiro. Só se fala em Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo... Ok, torço para um time de São Paulo, mas te juro que se meu time viesse aqui jogar contra a TIVA, eu iria ao jogo com a camisa da minha TIVA torcer por ela. Acima de tudo, sou capixaba, valorizo o que é da minha terra!
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Mas eu ainda tenho esperança, embora ainda veja coisas absurdas como uma arbitragem amadora como a que apitou o clássico entre TIVA e Rio Branco na tarde de hoje. Um espetáculo visto por tantas pessoas não poderia ter tido o juiz como protagonista. É como bem cantou a torcida grená: ("EEE TEM UM VIADO QUERENDO APARECER") hehe
O que ainda me faz acreditar é ver que embora haja um total descrédito e falta de apoio da imprensa e da iniciativa privada com nosso futebol, as pessoas ainda lembram que aqui se pratica o nobre esporte bretão. Ganhei o dia ao ouvir de uma garota (aquela para quem dediquei os poemas errantes deste blog) que ela conhece o nome de times daqui! Achei surreal, afinal, além de não parecer ser muito fã de futebol, ela mora nesse estado onde as pessoas praticamente não ouvem falar do futebol local. Sem dúvida, ainda há razões para ter esperança em relação ao nosso futebol. Em pleno sábado à tarde as arquibancadas estavam cheias de torcedores e torcedoras querendo ver o clássico local (que há cerca de 1 mês já reuniu 2.500 pessoas numa manhã de domingo)! As pessoas, como aquela garota, já ouviram falar num tal futebol capixaba, só precisam ser cativadas a conhecê-lo. Fiz um pouco da minha parte neste texto, mas reconheço que é preciso um esforço muito maior para sair desse poço de amadorismo. É preciso um esforço coletivo da iniciativa privada e da pública. Quem sabe um dia a minha história do Santo Graal soe como uma lenda em nosso futebol...

Domingo, eu vou ao Araripe
Vou torcer pro time que sou fã,
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira,
Ele vai ser campeão

Não quero cadeira numerada,
Vou ficar na arquibancada
Prá sentir mais emoção

Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer
Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer
(ô, ô, ô ) Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô TIVA! Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô TIVA!