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sábado, 26 de junho de 2021

Triste

 Escrevo aqui, primeiro, porque ninguém mais lê blogs, então, o que aqui estiver, pouco ou nunca será lido. Blog tornou-se "cringe". Segundamente, se é que essa palavra existe, escrevo porque hoje estou triste e este é o único sentimento que eu realmente não gosto de compartilhar.

Constatei, hoje ainda, que estou cada vez mais calvo. Isto nunca me incomodou verdadeiramente, mas confesso que me assusta em alguma medida observar o quanto meus cabelos estão simplesmente parando de crescer na parte frontal de minha cabeça. Muito rapidamente. Talvez aos 35 eu não terei mais cabelo algum na metade da frente da cabeça. Confesso que essa velocidade me assusta, mais do que o ritmo de derretimento das geleiras e o aquecimento global. Eu espero que até os 35 eu encontre alguém que realmente não se importe de amar um cara calvo.

Por falar nisso, eu acho que sou orgulhoso em alguma medida. Sexo é bom, mas isso não significa que eu deva instalar o Tinder para transar com as pessoas. Por outro lado, eu me considero realmente um cara legal. Talvez isto seja um referencial errado. Mas eu me acho legal (ou acredito demais em quem diz isso sobre mim). E por me achar um cara verdadeiramente legal, eu sou orgulhoso o suficiente para não correr atrás de quem eu acho que possa ter me esnobado. E isso é muito louco, porque eu sou um cara cada vez mais calvo e que, de vez em quando, também precisa transar.

Talvez, mais forte em mim do que o desejo sexual seja o senso de orgulho pessoal, de não me sujeitar a qualquer farelo de afeto por alguns momentos de divertimento. Mas reiterando, eu sou um cara calvo. O que eu penso que sou? O calvo príncipe William? Afinal, o que eu quero nessa vida?

Hoje, descobri que uma pessoa se prostitui. Isso me deixou bem triste. Talvez seja o motivo da minha tristeza de hoje. Eu realmente não consigo julgar. Aliás, nem cabe a mim qualquer tipo de julgamento nesse sentido. Mas eu me sinto triste em pensar que alguém se prostitui por necessidade. É um sentimento de que todos falhamos e não fomos capazes de evitar algo assim. Eu sinto nojo e meu estômago chega revira só de pensar em alguém tendo que se prostituir. Eu tinha vontade de dar tudo que tenho na minha conta pra essa pessoa. Talvez, se eu fosse só na vida, eu faria isso. Prevejo que serei um velho muito solidário, se sozinho eu for.

Nessas horas, eu penso que eu realmente tenho um coração bom. Eu me revolto com coisas que eu deveria me revoltar, me entristeço com coisas que eu deveria me entristecer, mas eu estou preocupantemente calvo. E isso, não é suficiente para resolver meus problemas. Eu realmente nutri algum afeto por todas as pessoas que me disseram que eu seria um cara legal, mas que elas não estavam em um bom momento na vida para se envolver com ninguém. Eu não julgo mais a verdade dessa justificativa, porque não cabe a mim julgar onde mora a verdade no que as pessoas dizem para a gente com ar de verdade. Me resta querer acreditar em todas as pessoas. Eu sempre acredito no que me dizem. E, por isso, eu só fiquei com a parte que me interessa dessas justificativas, qual seja, aquela que diz que eu sou um cara legal. E assim, vocês criaram um monstro, porque nunca me disseram que o problema seria eu ser calvo, magro, pau grande, morar com a mãe, ter paladar infantil, ser muito doce e outros defeitos do tipo. Vocês me enganaram, pois falaram apenas que eu era um cara legal. Deixaram a mim a tarefa de descobrir todo o resto. Triste.

E assim, vamos. Tentando ser menos calvo, menos magro, menos pau grande, menos apegado com a mãe, menos paladar infantil e tentando exercitar um temperamento mais rude e grosseiro. No fim, tudo parece um grande jogo, cujo único sentido seja trabalhar e deixar-se ficar calvo quando a vida quiser deixar. Se tiver como evitar que alguém se prostitua na vida, o faça. Ninguém merece vender o corpo para sobreviver. A mim, resta crescer. Jogar, viver, deixar viver e, porque não, deixar morrer. 

Me desculpem, seus cringes. Hoje eu tô triste. Não tenho outro motivo para escrever. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

July

Por 10,
Muda-se:
A versão
E a gestão.

Depende dos zeros.
Alguns combinam,
Muitos dividem,
Poucos eliminam. 

Nas noites tristes,
Reais não resolvem,
Fantasias consolam,
Centavos rememoram.

Perde-se a rima,
A mina,
Tristeza que desatina,
Sem obra-prima.

Em outros tempos,
Julho era festa,
De uma beleza pueril.
Inocente fantasia.

Hoje, julho foi descrença,
Carrossel de desgraças.
Ensinou com sadismo,
Não houve arcadismo.

Aproxima-se o desfecho,
Mais um fim.
Sem começo,
Um final ruim.

sábado, 11 de abril de 2020

Prazer, este sou eu.

Dormir para quê?! Se não há com que acordar?! Nunca soube ao certo se primeiro vem a interrogação ou a exclamação.

Tenho tentado manter a promessa de não falar de política e não falar dele. A gente adoece, sabe?! Agora eu entendo como que eles ficaram durante 14 anos. Muito ódio acumulado.

Os dias parecem absurdos de tão bizarros. Eu sei quem me denunciaria à GESTAPO e quem me denunciaria aos militares. Quanta gente histérica e precisando desesperadamente de um líder supremo capaz de conduzi-las. Desejei a morte dele. Isto é feio e viola meus valores cristãos. É estranho imaginar que eles dizem ter os mesmos valores que eu. Talvez eles sejam como eu e eu seja como eles.

Eu tenho medo de dormir e acordar numa pior ainda. Acordar com má notícia é péssimo. É como dormir de sapatos; pronto para o pior.

Eu estava tão perto mais uma vez e... Dissipou-se no ar. É algo meio enigmático, como meus textos. Não sei como manter a atenção por mais do que 2 meses. É o prazo de validade do meu efeito sobre as pessoas. Não consigo durar mais do que isto. Lamentável, mas é a verdade.

Talvez o encanto esteja nos balões. Em amarrar-se a eles e atrair olhos de sorrisos e lamentos. É muito esforço para nada. Uma pesca cuja rede volta com pouco além do que sapatos e restos de tampa de privada jogada ao mar.

Dormir pra quê? Amanhã será tão bizarro quanto hoje e posso ter o azar de ter um sonho ainda mais bizarro, como se a realidade já não fosse o suficiente. Talvez, eu ainda trabalhe dormindo, o que é pior ainda, pois se acorda ainda mais cansado do que quando se deitou ou se deixou (obrigado, corretor).

É difícil lidar com o imediatismo, com a falta de planejamento, com o arianismo e com a falta de noções básicas de formação. Para se fazer entender é preciso lançar mão das mesmas armas - muitas vezes, de uma arma mesmo. Se rebaixar, jogar esse jogo insano e imbecil. "(foram) Babacas que pintaram", disse o sérvio no início dos anos 2000. Ele sabia o que dizia. Eu gosto de ouvir aqueles que sabem o que dizem, exceto quando não dizem porque sabem, mas porque querem ser ouvidos.

Neste momento eu quero ser ouvido e não sei o que digo. Faz algum sentido para você? Me tocaste como um cachorro. No sentido de tocar, botar pra fora mesmo. Algum arrependimento? Eu gostaria que houvesse, porque eu realmente não fiz nada para ser tocado assim. Não sou santo, mas também não sou pior do que eles e do que elas.

Sigo errante, me espreguiçando de porta em porta, trocando gracejos por algum afeto e sendo tocado a cada 2 meses. Ao menos restam 5 minutos. Acho que 5 minutos para 5 semanas. Ainda resta algum tempo. Talvez morram pessoas até lá, mas quem se importa, se o comércio puder abrir?

Nada mais a falar. 4 minutos e ainda tenho que escolher o título. Saudades do "qualquernegocioserve@hotmail.com". Sim, já foi o e-mail de um amigo. 3 minutos agora. Perdi 1 contando história. E perdi uns 25 falando nada. Ao menos aqui não dá pra ter expectativas e esperanças frustradas. 2 minutos. É isto. O fim. Um título pra já. Se achar que vale a pena...

O tempo

domingo, 12 de janeiro de 2020

Domingo

Há um escrito que foi ocultado, como nos tempos do cheiro de carne humana na brasa. A heresia nele contida foi a revelação do amor - palavra/sentimento proibido por quem não se quer deixar amar. Por respeito, fez-se apócrifo o sentimento verdadeiro.

Segue quente. Muito quente. É verão e aquela besteirada toda. Que passe o quanto antes, o sertão vire mar e isto aqui se torne uma Inglaterra de frio - como o seu coração.

É ano novo. Mas seguimos perdendo tempo. Quando acordar, já serão 22h e os braços já serão outros. Será tarde, mas as escolhas terão seus resultados. Tarde da noite, resta dormir e tentar esquecer algumas escolhas e as oportunidades perdidas por indecisão. E tentar sonhar com algo que não se viveu e que, talvez, jamais será vivido.

A vontade, como dito no apócrifo, é abraçar-lhe, beijar-lhe a testa (e que testa) e dizer que está tudo bem e que nada lhe deixarei acontecer. Isto soa bonito, puro, meio parnasiano, uma coisa rural. Mas não é o suficiente. E o que há de errado nisso? Nada. Ninguém é obrigado a ser recíproco. E quando se percebe esta verdade imutável, não se sofre e não se aprisiona.

Aliás, Belo Horizonte é uma merda. Não que tenha a ver com este texto, mas sempre que possível, é necessário que se diga, para que não haja dúvidas: Belo Horizonte é uma cidade bem bosta. Dia desses ouvi que algo "parece merda, mas é delícia". Isto não se aplica a Belo Horizonte, felizmente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Blasfêmia

A ordinariedade do que é pago é um misto de destempero com ignorância - a mesma que me faz escrever "ordinariedade" ao invés de "ordinarice" ou "safadeza".

A cretinice prevalece sobre a seriedade e a responsabilidade.

Rio acima há uma Rondônia de emoções e uma São Paulo de solidão.

O verão é a estação mais pobre - e triste. Toda aquela bobeirada padronizada de sol e praia. Ora bolas! Ao sul da linha do pecado é sol e praia o ano todo. E curvas nos catiras de uma mulher. Qual a novidade?

A novidade é a frieza travestida de ingratidão.

Que cada um viva sua luz e seu amargor. Só não pode vacilar. Nessa de tem sol na ponta do deque, o padre subiu aos céus levado por balões.

Dizem que a beleza está na aleatoriedade, na mistura das tintas, das peles e das palavras. Também acho.

Palavras ao vento.

Gritos no deserto.

(Me) Escreva.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Em silêncio

Há vida no silêncio.

E desejo. Desejo de que o apocalipse se concretizasse de modo repentino, sem aviso prévio, sem anticristo e tudo mais. Que o céu pudesse se abrir e ceifar toda essa gente que vive em e de desgraça. Sei que eu iria junto para o inferno, mas se sadismo é pecado, eu ao menos teria o prazeroso pecado de ver certas pessoas sofrerem. Em meio ao caos do apocalipse, me restaria um sentimento de justiça, de dever cumprido, uma contraditória leveza da alma, enquanto me afastaria gradativamente da beleza da divina luminosidade celeste rumo aos confins dos porões do inferno.
Eu queria o apocalipse, ainda que ele pudesse custar minha vida.
É a escolha mais covarde entregar a Deus e aos anjos a esperança e a humanidade que não somos capazes de concretizar. Não me importaria de ter meus projetos interrompidos pelo repentismo do juízo final. Aliás, até gostaria.

Mas enquanto o apocalipse não vem, resta o silêncio; a indiferença. Não a desistência. Nada a falar, nenhuma vontade de provocar. O coração nem balança.

O silêncio e a indiferença; quanto aos rumos do país, quanto às escolhas alheias, quanto aos sentimentos. Aliás, no silêncio há mais instinto do que sentimento. O instinto de sobrevivência que se sobrepõe a tudo que possa representar perigo. O silêncio instintivo que anseia por previsibilidade, por segurança e que não se sujeita ao vexaminoso constrangimento que um "não" afetivo é capaz de proporcionar. O instintivo silêncio de quem só quer andar na linha e se auto-preservar, tentar chegar até o final sem se pôr a pensar sobre qual final.

Seguir. Com a força do preto. Sem modismo ou rock and roll. Só preto. A imponência e a presença de quem se põe em preto. No silêncio do preto não tem mimimi, sacanagem ou deslealdade; há só seriedade. Há vida.

As tristezas do coração são como esterco. Fazem florescer a alma. Num jardim de sentimentos não correspondidos, a indiferença é a chuva que faz a alma frutificar. Não há nada que seja digno de se falar, nem convite que seja merecedor de se arriscar. É preciso silenciar, não se constranger, não se envergonhar. Se para sorrir depois é preciso chorar antes, melhor não querer sorrir, para não ter que chorar.

Não falar, não escrever. 

Delirar.

domingo, 3 de março de 2019

Desonra

Com um longo delay, enfim assisti o filme "O último samurai", o qual inspirou o assunto desta postagem.

Em tempos de relativização, a própria ideia de honra tornou-se fluída. Em alguns momentos parece até que as pessoas não se preocupam em ser honradas.

Como o filme demonstra, a ideia de honra e de vergonha andam diretamente atreladas, surgindo assim a ideia de que nos desonra aquilo que nos envergonha profundamente. O problema é que se sentir profundamente envergonhado é algo muito subjetivo, sendo que nem sempre aquilo que considero uma grande vergonha é também para outra pessoa.

Isto me faz pensar que, no fim das contas, só sabemos o que nos desonra quando paramos para pensarmos com nós mesmos quais são os nossos valores e limites. Ocorre, entretanto, que nos tempos atuais não temos tanto tempo para visitarmos nossa própria consciência, de modo que não raro as pessoas não se sentem desonradas até que venham a vivenciar uma experiência realmente digna de todo o pudor.

Tento fugir dessa ideia, mas é recorrente em meus pensamentos o sentimento de que as pessoas levam vidas completamente afastadas de qualquer honra, dispostas a tudo e muito pouco sujeitas a constrangimento. Isto muda quando falamos dos tribunais, onde muitos se "sentem" extremamente sensíveis e portadores de grande honra quando o assunto é uma potencial indenização por danos morais.

Hoje, as pessoas não parecem ter a necessidade de manter a palavra por honra ou tampouco de assumirem publicamente seus erros.

Enquanto em "O último samurai" um guerreiro é capaz de tirar a própria vida diante de uma profunda desonra, hoje somos capazes de tirar da própria vida qualquer ideia de honra, de modo a facilitar a tomada de decisões.

Penso que ser honrado é saber o limite da sua vergonha, envolve autoconhecimento, autocrítica e paz interior. Saber o que me desonra é libertador e pacificador.

Costumo dizer à minha mãe que se um dia eu cometer um crime, ela não terá a desonra de me ver mentir, pois irei assumir o que eu tiver feito. Minha honra envolve não negar meus erros e assumi-los, envolve não mentir e ter a paz de que não há nada mais a esconder. Esta seria a maneira de eu recuperar minha própria dignidade diante de um mal feito.

Mas esta é a minha medida da honra.

Não é possível impor nossos padrões honrosos a terceiros, esperar que os outros ajam com um padrão ético pessoal similar ao nosso.

Falar de honra às vezes parece papo de gente hipócrita, que não reconhece suas falhas morais e que busca apontar desvios nos outros. Não cabe aos outros medir nossa honra e nem nos atribuir desonra.

O que eu realmente aspiro é que as pessoas de fato tenham alguma honra, algum limite moral e senso crítico sobre si mesmas, de modo que consigam evoluir como pessoas.

No fim das contas, saber o que nos desonra é necessário para guiar algumas de nossas escolhas na vida.

Eu sei o que me desonra e é no sentido contrário disto que eu devo guiar minha vida, para que eu possa viver com mais paz e sem fantasmas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Sara

Malandro não para, só dá um tempo...

O mundo anda muito chato ultimamente. Aliás, as pessoas andam muito chatas. Histéricas demais, mais precisamente. Um absoluto descontrole. Gritos, rosnados, mordidas, tiros e tudo mais que seja ariano e impulsivo. Um saco.

As pessoas andam muito extremas, armadas com pistolas ou balanças de julgamento nas cinturas. Primeiro atiram e depois julgam.

Perdi um pouco do encanto de escrever, de debater, de ensinar e (porque não) de aprender. Tudo anda muito à flor da pele. 

Voltamos aos tempos em que as pessoas acreditam em ameaça socialista, em necessidade de combater a expansão dos costumes e ideologias que ameaçam a família. Eu realmente ando sem paciência para conversar com essa gente sobre sociedade/política. Não consigo. Simplesmente não consigo.

Comprei uma piscina de plástico e coloquei na varanda do meu apartamento. Não quero saber de mais nada. Só me interessa assistir mesas redondas de futebol e conversar sobre amenidades.

Por menos praia e mais educação. Menos sol e mais inverno. Os tempos de frio ensinam e os dias de calor desatinam. Talvez seja isto: o aquecimento global queimou nossos miolos e elegemos um cara teimoso e retrógrado. Odeio gente teimosa. Na teimosia falta humildade, sobra orgulho e extremismo e escolhas impulsivas. Mas o que é a vida senão uma sucessão de escolhas burras? O problema é quando nós é que precisamos suportar as consequências das escolhas burras do outros e, pior, ter que corrigi-las.

Um freak show.

Estou me tornando, além de velho, um cara chato e azedo. Mas um cara azedo doce, tipo agridoce (aliás, odeio molho agridoce), para o qual as pessoas ainda olham com olhos de carinho e ternura. Esta é a minha salvação, saber que as pessoas ainda gostam de mim e, inclusive, me leem. Inclusive, se eu pessoalmente te falei deste blog é porque gosto muito de você e confio meus sentimentos e pensamentos a você. Não que seja uma honra, mas uma mostra de profundo respeito e consideração por sua pessoa, afinal, não me interessam os holofotes, elogios e etc em torno do que escrevo por aqui. Em tempos de extremismo, ter alguém com quem compartilhar nossos pensamentos, sem medo de tomar um tiro ou ter o coração pesado na balança de Anúbis, é uma honra.

Mas escrever tornou-se subversivo, coisa de ideologia marxista. Então tenho dedicado meus dias a trabalhos braçais, mesas redondas de futebol, pornografia e ao estudo adestrado para concursos. Daqui a pouco, vou capinar um quintal, pela honra do meu querido Brasil. Então não me julgue e não me espere para o próximo texto, porque pode demorar.

Brasil!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A falar

Céus! Eu não consigo parar de escrever. Geralmente, isto não é bom, mas, sei lá, hoje me sinto meio só e, quando assim estou, preciso escrever para me encontrar.

Hoje será texto autobiográfico, desculpe. Preciso falar.

Às vezes me espanto como meu sentido visual é mais aguçado do que os demais. Me interessa tudo que esteja ao alcance dos meus olhos, desde as meias dos transeuntes até as pichações urbanas. Tenho olhos de esponja. Tudo observo, tudo interessa aos meus olhos. Eu preciso do que vejo como preciso do ar que respiro. Não sei o que seria da vida sem meus olhos. Obrigado, Deus!

Mas quem tem olhos, sofre. Eu ainda mais. Meus olhos me abrem janelas. Aquilo que vejo mistura-se com minha imaginação em doses preocupantes. Não alucinações, mas os pensamentos que se abrem a partir do que vejo.

Eu sofro pelos olhos. Por isso, muitas vezes, prefiro não ver. Certa vez, por exemplo, vivi uma dor afetiva tão intensa que, para estancá-la, eu sequer procurava por meus contatos do Whatsapp que estavam abaixo da letra inicial do nome da pessoa que me fazia sofrer. Dessa forma, eu evitava deslizar meus dedos e meus olhos pela foto de perfil da pessoa que eu tanto gostava. Parava nos contatos antes da letra do nome dela. Apesar do quanto isto pareça louco, isto me fez um bem danado, porque não vê-la sequer por foto afastava meus pensamentos dela. Vê-la por foto abria por meio de meus olhos um vendaval de pensamentos, lembranças e sentimentos. Não vê-la, ao contrário, era como manter trancados meus sentimentos. Aquilo que aprisionamos e esquecemos por muito tempo tende a definhar, "apodrecer", até morrer (como acontece algumas vezes com as pessoas que ficam presas e esquecidas nas prisões).

Aquilo que não vejo tem mais dificuldade de penetrar em meus pensamentos e de me entristecer. Uma solução covarde, talvez, daquelas de quem não quer enfrentar o problema. Mas, depois que perco o contato visual por muito tempo, sinto-me forte e capaz de não mais me afetar. Sinto-me pronto para encarar. E encaro. Só preciso de um tempo sem ver. É um raciocínio meio de "corno", porém, no meu caso, resolve.

Aquilo que vejo me aflige muito mais do que aquilo que ouço. Quando em realidade deveria ser aquilo que falamos o que mais deveria nos imputar senso de responsabilidade e pertença, afinal, da boca sai aquilo do qual nosso coração está cheio.

Hoje me sinto meio frustrado. Não pelo que vi ou deixei de ver. Só me sinto frustrado. E o que é a frustração senão um sentimento de incompletude? Um sentimento de impotência e de descrença que se sente quando algo não ocorre conforme o planejado. Às vezes é um sentimento injusto, que nada tem a lhe justificar, além de um desajuste de sentimentos. Mas é péssimo. A frustração é meio paralisante, sobretudo quando não sabemos o que foi feito de errado. E nem sempre algo foi feito de errado. A frustração muito mais tem a ver com nós mesmos do que com algo que ocorreu. 

Hoje o problema sou eu. Só preciso de um copo de leite com chocolate para eu me sentir abraçado ou de umas cervejas para eu ficar bem idiotamente risonho. Como amanhã é dia de acordar cedo, então hoje é dia de abraço de chocolate. E de texto. 

Amanhã, tudo estará bem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Uma dose de coragem

A coragem é uma virtude, daquelas que vale uma vida. Aliás, só quem tem coragem é capaz de pagá-la com a vida.

Uma vida sem coragem é fadada à soledade.

Ser prudente é importante, mas não são de prudências que se escreve uma vida. A história é escrita pelos momentos de transgressão, de desafio e de experimentação. Se erra muito quando não se calcula as consequências, mas também se conquista quando se diminui a prudência. 

Alguns desacertos constroem mais do que acertos, pois marcam, ensinam e, algumas vezes, conquistam. Cabral pode ter se perdido em plena imensidão do Atlântico, não ter sabido para onde ir e chegado ao Brasil. Às vezes, somos assim na vida. Quando achamos que estamos mais perdidos é que nos encontramos e conquistamos nossos maiores tesouros.

Mas o que seria este texto? Uma ode aos erros? Não. Talvez uma ode à coragem.

E o que seria a coragem? Falta de medo de falhar? Penso que não. Coragem é não deixar de realizar, ainda que com medo. Aliás, quanto maior o medo, mais coragem se exige para concretizar. Coragem seria talvez a ousadia de realizar, ainda que sem saber ao certo o que resultará. É bravura de se lançar e arriscar. Todo ato de coragem envolve o risco de falhar. Se não envolve risco, não se requer coragem. Se não há medo, não é preciso coragem.

Somos humanos. Temos o direito de ter medo, inclusive o medo de falhar. Mas é preciso ter coragem para seguir, ter queixo de pedra, para apanhar e não se deixar abalar.

A coragem é um pouco isto, não se deixar vencer pelo medo da frustração. 

Porque, da falta de coragem, só nasce solidão.

Deus, nesta vida, só lhe peço uma dose de coragem.

domingo, 10 de junho de 2018

En vivo

Sem vida, toda paisagem é morta.
É a imprevisibilidade da vida que traz graciosidade ao belo, e ao feio.
Um corpo que se mexe em meio à paisagem morta ou à lama.
Onde há corpo e movimento, há vida.
Mas sem corpo, não há crime.
Mentira deslavada! Sempre há crime.
E sempre há vida. Pra mais de metro, aliás.
Às vezes mais de uma.
Mas sempre há morte. Uma única.
E entre a vida e a morte, o que há?
Só vida.
Então viva!
Porque enquanto não há morte,
Só há vida.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Reciprocidade

Há nuvens sobre sua cabeça. Consegue ver? Eu queria usar uma outra palavra ao invés de nuvem, tipo "há uma áurea sobre sua cabeça", mas acho que não é áurea a palavra. Talvez seja uma parecida. Se souber qual é, me fale. Preciso sabê-la.

Há quanto tempo que não olha o céu? Elas agrupam-se e desfazem-se. Céu azul e tempestade. Todo o tempo. A vida é feita de sorrisos e lamentos.

É preciso lidar com as decepções. É assim que tem que ser. Saber enxergá-las, lembrá-las, senti-las e deixá-las. Após, o sol brilha. Sempre.

Diga a ela que lhe escreva. Com as palavras, letra e trejeitos dela. Com erros e acertos. Com a cumplicidade que só vocês sabem e que ela finge ignorar. Você parece precisar. Diga a ela. É uma questão de respeito, lealdade e, na pior das hipóteses, um ato de amizade.

Consideração e respeito. Quem ainda o tem? Dá pra acreditar?

Não há momento. Nem bons e nem ruins. Há uma sucessão de acontecimentos. E eles acontecem. Somente acontecem. Tipo merda, sabe? Acontece, às vezes. Mas merdas acontecem.

Há que se respeitar a afinidade. Quando surge naturalmente, deve somente ser seguida e respeitada. Não se pode querer ter controle sobre a afinidade. Não há que se falar em melhor momento ou um mau momento para que ela possa ser mantida.

Diga a ela que fale, que lhe escreva.

Você pode não acreditar, mas estou firme em minhas decepções.

Não há tristeza ou depressão que justifique levar a própria voz da consciência à terapia. Os pensamentos estão em ordem e em paz. Sinto falta. Penso. Mas é contornável.

Você sente o cheiro. Sente que há algo no ar. Mas não há nada, além de nuvens. Céu de brigadeiro. E eu nem gosto tanto de doces. Só de estrelas.

Apenas preciso que me deixem seguir e que parem de me roubar. Não suporto treinar muito para ser roubado.

Acho que preciso somente da humanidade por trás de um bilhete de lealdade e afinidade. Isto me basta.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Séptico

Das patologias humanas, me importa un carajo!

Gente estranha. Estranhíssima. Esquisita. Tipo 3F.

Taras, obsessões, compulsividades, desejos doentios. Segredos.

Vez ou outra aparecem cabeças cortadas por aí, órgãos dilacerados e corpos violados. Selvagens. Animais. Humanos.

É na intimidade da nudez que as almas se comunicam. É na intensidade do beijo que o desejo se revela. É na frieza do sentimento que o coração congela, como o vento da madrugada, que sopra o frio da solidão.

Um jogo. Uma caçada. Ludibriamento. Frustração.

É preciso ser safo. Saber compreender. Saber escapar e ter alguma diversão. Caso contrário, não passará de um depósito de merda, que se renova a cada nova decepção. Um saco de bosta.

Olhos de sereia. Hipnóticos. Fundos como um céu estrelado. Um céu dentro de outro céu. Parece um sonho. Como é lindo o brilho dos seus olhos. A cegueira estrelada esconde o beijo sem nada, fazendo-o parecer apaixonado. Não há nada além de corpos suados, cruzando as mãos em latidos de desejo.

Ao passar, não te resta nada. A sirena se vai. Mas os olhos permanecem. Leva consigo a mente aprisionada na profundidade dos olhos e no rosado dos seios. Ladra. Bonitinha, mas ordinária. Não volta mais. Nem ela e nem a paz.

Corpo febril. Noites ardendo, como malária. Delírios.

Das patologias humanas, eu sou mais um.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Transeunte

Os dias passam e, na minha inocência de menino, ainda acho que hoje é terça-feira, em plena quinta-feira.

Não faz diferença se quinta ou terça. O cronograma não se segue e a vida prossegue. 

Ora às 9h-11h15-12h-19h30-1h ou às 7h15-8h-11h15-12h-19h30-2h. É só escolher. Como um vagão do metrô, cruzando sempre os mesmos trilhos com alguma variação de horário.

Uma vida asséptica, anestésica, vegetal. Sem grandes emoções, reações e paixões. A insensibilidade e a frieza são as maiores provas de decisão quando se quer aparentar força. Uma força desumanizadora, afastadora e isoladora. Uma encrenca que remete às polacas meninas da noite do final do século XIX. Encrenca. Galegas. Há uma praga no ilusionismo dos seios rosados.

Livre como um cachorro errante pela madrugada, vagando entre a o barulho da fome e o silêncio das lembranças. 

O coração de uma mulher é um oceano. Um primeiro beijo de novela, roubado sob a benção dos desvalidos, em meio a um beijo de despedida acompanhado de um inocente "vê se não some". Desmanchou-se no ar. Sumiu para nunca mais.

Nem todos os lábios têm fome. Nem todos os dias têm sorte. E a sorte do dia é que não há mais encanto no Facebook. Uma fuga para não mais ver. Até o mendigo do thirteen sabe em sua loucura que o que os olhos não veem o coração não sente.

Se o bicho pega, o pau canta na rua. Se o ócio traz lembranças, é preciso rasgar-se, morrer de trabalhar. Colocar sem tirar. Um harakiri de exaustão para que o corpo possa engolir a mente e os músculos possam ser mais importantes do que a inteligência.

Soldado sem emoção vai à guerra sem ambição. Luta por obrigação. Mata sem contestação. Morre sem preocupação. Piloto automático.

Passada a frustração, resta a resignação e a vegetação.

Sabe-se lá, oh Deus, o que disso sairá. Talvez a concretização de objetivos sem sentido e a entrega de resultados relevantes. É fácil dar frutos aos outros. Frutos muito bons, inclusive. 

Difícil mesmo é matar a verdadeira fome que habita em nós mesmos. Aquela invisível aos votos de  feliz ano novo.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Do Lavoro

Nas últimas semanas me peguei pensando sobre o sentido do trabalho; lembrando da entrevista do jogador de futebol camaronês que chocou o mundo do futebol ao dizer que não gosta de futebol e que ele é somente a sua profissão, o que ele faz para sobreviver. O mundo gritou incrédulo. "Ora pois! Todo menino sempre sonhou em ser jogador de futebol, em viver de sua diversão, e este sujeito vem e aparece dizendo que não gosta de jogar bola, apesar de ser jogador de Copa do Mundo... Como pode?" Quer saber? Certo estava ele.

Sabe, damos um valor demasiado ao trabalho, a ponto de, ao conhecermos alguém, não demorar nem 5 perguntas até soltar o famoso "e você faz o quê? Trabalha em qual área?" - como se o trabalho fosse algo intrínseco ao ser, como se não existisse o "ser" sem o "fazer".

Andei pensando que, no fim das contas, os socialistas estavam certos ao analisarem a história da sociedade sob o viés do trabalho. Tudo é trabalho. Como se sem trabalho você tivesse todas as suas possibilidades como ser humano limitadas ou impossibilitadas.

Mas o que é o trabalho, afinal? Para mim, nada mais do que algo que nos atribui uma função social. Trabalho é produção. Se você não trabalha, você não produz e se você não produz, lhe falta uma função na sociedade e você se torna um ser descartável e sem valor socialmente.

Esta minha visão não muito romântica sobre o que seria o trabalho me fez, nos últimos tempos, ver de um modo muito especial, o que é o meu trabalho. Eu não amo e não sinto tesão pelo Direito. E isto é errado? Geralmente causo espanto aos desavisados quando exponho minha total falta de romantismo pela minha função social produtiva.

E me faz muito bem não sentir tesão pelo meu trabalho. Eu acho, pelo menos. Para mim, como eu disse, trabalho é só uma questão de produção. Minha profissão reflete algo que sou capaz de produzir, com algum nível de qualidade. Para ser bom em algo não é preciso necessariamente amor, mas é preciso sempre algum nível qualificação. Eu me considero bom e dedicado no que faço. Quiçá faça meu trabalho melhor do que muitos apaixonados pelo Direito fariam. 

Sinto que esta minha "frieza" profissional me ajuda a ver o que faço de um modo mais objetivo, como quem limpa um peixe: mete a faca, tira as tripas e guarda o corpo.Chego lá, faço o que preciso fazer e volto embora para casa. Simples assim. O nosso trabalho é o que sabemos produzir e o que assegura nossa subsistência, nada mais do que isso.

Sabe aquele papo de se fazer o que gosta? Deve ser legal também, mas com o tempo deve enjoar, o amor deve ser vulgarizado, virar algo sem glamour como mijar de portas aberta na frente do "amor da sua vida". Imagine amar fotografar. Imaginou? Imagine ter que fotografar gente chata, enjoada, lugares sem graça, festas burocráticas para sobreviver... O tesão resiste? É natural que se vá perdendo o encanto, como para quase tudo na vida.

Não gostar do que se faz torna o trabalho o que ele é: algo que não se confunde com o seu ser. Você não é o que você produz remuneradamente. Não gostar da minha área de formação me tornou mais compreensivo com a chatice do que é o Direito. Me fez parar de buscar paixão onde não é preciso ter paixão. Me fez aceitar que o Direto é chato e parar de ficar me torturando sofrendo por fazer algo que eu queria que fosse legal. Me fez entender que só preciso ser bom no que produzo e meu papel social está feito. O Direito não precisa ser legal, eu só preciso fazer bem feito e voltar para casa, deixando o trabalho lá, no lugar dele. Não preciso andar de mãos dadas com o meu trabalho e apresentá-lo junto com minha apresentação como pessoa. Eu sou eu e ele é ele. Eu aqui e ele lá.

Pensar assim deve parecer bem estranho, mas faz muito bem, ao menos para mim. Chego muito focado no trabalho, compreendendo que o que ele quer de mim é só produção; que eu chegue lá e faça. Então é isto que eu faço. Chego e faço, sem crises existenciais. E depois, volto para casa, sabendo que, fora do trabalho, eu ainda tenho muita vida a viver, tenho toda uma existência, um universo de possibilidades como ser humano; muito além do que produzo socialmente.

Me tornei um profissional muito melhor e mais profissional ao separar o amor da produção. Me trouxe maturidade profissional. Esta separação diminui as chances de frustração com nós mesmos, com as escolhas profissionais que fazemos. Eu sempre quis ser professor, mas fico pensando, quantos anos eu conseguiria dar aula sem broxar com a rotina e o desgaste? Se é para ser rotina, que ao menos seja com algo que eu não aspire grande coisa.

Será possível viver muitos anos com este sentimento de resignação? De descrença com o que se faz? É possível ser motivado e resignado ao mesmo tempo? Sim. Desde que não se espere do trabalho mais do que ele seja, desde que se saiba separá-lo do que nós somos de verdade como ser humano. Trabalhar é uma necessidade porque produzir é necessário para sobreviver. E só. Desde os primórdios. Dedicar horas a algum trabalho é uma necessidade, como dedicar horas ao sono. Produza bem e aumente sua chance de sobrevivência. Talvez gostar do que se faz facilite a conquista da qualificação, mas não é o determinante, penso eu. Sem essa de "faça o que amas e não trabalharás mais nem um dia de sua vida". Vai trabalhar sim, amando ou não e com mais chances de se frustrar se quiser manter o amor em meio ao desgaste da vida produtiva.

Que saibamos viver e entender que nossa dignidade não está no que fazemos socialmente, mas no que somos como ser humano.

domingo, 19 de novembro de 2017

Desembaraço

Às vezes falta um nome,
Alguma palavra de definição,
Para aquilo que nos consome
Sem pedir licença ou perdão.

Pobre condição humana,
De seres vulgo racionais.
Perdemos da vida semanas
Por respostas demais.

A desilusão do passado
Contamina o futuro,
Faz um presente fracassado
E impede o amor puro.

O soneto da liberdade
Não exige sarradas com solidão.
Acredite que há verdade,
Pode me dar o seu coração.

Se eu não for merecedor,
Será justo o seu não amar.
Mas se o motivo for dor,
Podemos ao menos tentar.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje vai ter que ser

Dois meses sem escrever?! Tempo pra carai...

Sei lá, talvez este macaco de camiseta que vos escreve esteja vivendo uma fase introspectiva enquanto aguarda mais um episódio de O.J. Simpson - Made in America terminar de baixar.

Ando desesperançoso com a política. Não vejo soluções democráticas nem em um médio prazo. Nossa população precisa urgentemente de acesso à educação. Não apenas escolar, mas educação cidadã. Aos 27 anos, não vejo qualquer futuro para nossa política e ando sem forças até de criticá-la. Há um futuro medonho pela frente. Tento não pensar nisso, mas é foda. É difícil ter que, aos 27 anos, fazer um exame de futurologia para daqui a 30 anos. O que acontece quando o jovem perde a esperança de um mundo melhor?

O amor? Há pouco superei a incredulidade com meu affair que durou menos que um verão. Aprendi muito, é verdade, mas também fiquei bem confuso por um bom tempo. Luto contra o pensamento de que os loucos são os outros, pois sempre que essa parece ser a conclusão, parece que nós somos os verdadeiros loucos. Mas tem horas que não há outra explicação mesmo. E também tem dias que a gente tem que ir pro arrebento; dias que a gente tem que fazer ser, com raça, com maracatu atômico; dias de "hoje vai ter que ser"; dias que não podem ser dias de "de novo não". Foi uma grande loucura de 2 bilhões de dólares, uma loucura buscada e, atualmente, superada. Estou aí de novo, às voltas com uma balzaquiana que vive a indecisão amorosa da realização profissional e a pressão da proximidade do badalar do relógio social. Eu a quero e ela quer (ao que parece), isso deveria ser sempre o suficiente, porém quase nunca é.

Andei lendo sociologia essa semana. O lema positivista era "Ordem, Progresso e Amor". Já falei de "Ordem" e de "Amor". Faltam os progressos.

Ó paí ó! É progresso para mais de metro. Uma série de pseudoproblemas mascarando o espetáculo do crescimento. Perdendo tempo com problemas de gente rica e branca de olhos azuis. Não tenho que me preocupar se haverá dinheiro para comprar comida e pagar o aluguel. Em outros tempos isso era o suficiente; ao menos parecia.

Baixou. Tô vivo! Daqui a pouco passa e a energia se renova.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A volta dos que não foram

Acharam que era o fim? Aí sim foram surpreendidos novamente! Estamos aqui de volta

Somos o maior amigo e o maior inimigo de nós mesmos. Conhecemos segredos de nós mesmos que nem o terceiro mais próximo, mais íntimo, é capaz de saber. Diante disso, creio que sabemos de antemão boa parte daquilo que nos desestabiliza, nos tira a paz e o norte, e, por esse motivo, também sabemos de antemão o que precisamos fazer para não deixar que isso possa ocorrer. Estamos em luta constante contra nossos impulsos que sabemos que nos fazem mal, mas ainda assim, conscientemente, nos deixamos sucumbir, aceitamos o preço e os riscos de deixar a besta de nós mesmos sair.


Guiados por nossos impulsos ruins, nos afastamos da margem, pisamos em terrenos incertos e quando nos damos conta estamos em mar aberto, com a água acima do nível de segurança. Nessa hora percebemos o quanto nos afastamos daquilo que sabemos em nosso íntimo ser o que nos traz paz e segurança e percebemos o quanto fizemos mal a nós mesmos e aos outros.

É comum ouvir frases do tipo "desde o início eu sabia que isso não ia dar certo", "se eu tivesse seguido minha consciência eu não teria feito isso". Somos videntes de nós mesmos, capazes de salvarmos a nós mesmos de muitas coisas e de nos levarmos ao lugar certo pelo caminho mais previsível e seguro.

Mas também somos os inimigos de nós mesmos. E é difícil controlar nossa vontade incontrolável de seguir nossos impulsos, por mais claramente idiotas que possam parecer a uma análise com um pingo de racionalidade.

Às vezes perdemos dias, semanas, meses, anos, dando cabeçadas e, quando enfim percebemos, perdemos uma parte considerável de nossas vidas, daquelas que não cabe mais reembolso.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Não

Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era ter uma oportunidade de tentar. Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era corrigir um erro com anos de atraso, era admitir que eu deveria antes ter seguido a sensação que senti no primeiro dia.

Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era ser um sujeito comum, daqueles que se relacionam normalmente, trocam sentimentos ao invés de apenas dar. Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era mostrar que um negro suado pode conquistar.

Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era adoçar a vida e ter momentos para só discutir. Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era poder ter com quem sonhar.

Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era ter direito a ouvir um "não". Quando eu disse "sim", tudo o que eu queria era ter motivos para mudar e seguir.

Quando eu disse "sim", tudo o que consegui foi mais uma decepção, daquelas que não se conhece a razão.

No fim, ao que parece, é melhor só se dizer "não", acalmar os espíritos, se pedir perdão e clamar por mais razão. Gente branca não tem coração.

 Já são duas da manhã.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Até quando?

Este blog anda muito introspectivo ultimamente. Anda me faltando aquele "sangue nos olhos" para falar mal das coisas. Talvez eu seja um crítico dos tempos de silêncio, daqueles sem escândalos políticos, desastres ambientais, ataques terroristas... Me causa preguiça compartilhar pensamentos que já circulam aos montes por aí em tempos agitados como os atuais. 

Me resta a introspecção.

Me resta ouvir Johnny Cash, o homem de preto.

Quantos dias 01 esperei desde http://meuspensamentosabstratos.blogspot.com.br/2015/05/dia-01.html? Quantas vezes falhei? Quantos meses se passaram desde aquele dia 01 que não foi dia 01? Talvez eu tenha salvado vidas, levado palavras de esperança àqueles à minha volta. Mas não comecei meu dia 01. Quantas coisas perdi e deixei de fazer? 

É difícil quando se tira a faca do meio dos dentes. É difícil quando depois de vinte e tantos anos de luta, batalhas diárias, se consegue um porto seguro para repousar e respirar. É difícil reconquistar a disposição para voltar a lutar. Não dá vontade de voltar ao mar e suas batalhas. Lutar se tornou uma dúvida, quando antes era sinônimo de sobrevivência. O que fazer? No meu porto seguro vivi experiências que alteraram meu plano de rota e não estavam no roteiro de viagem.

Neste retorno tenho mais uma chance de tentar um novo dia 01. Até quando me serão dadas chances de tentar? Até quando Deus não irá se zangar das vezes que deixei de fazer o que sabia ser devido? O tempo se tornou um inimigo. Cada dia ele rouba um pouco do que tenho para voltar a lutar. Uma hora poderá ser tarde demais, ou melhor, difícil demais, a ponto de o dia 01 se tornar uma miragem ao invés de uma chance ao simples alcance das mãos.

É preciso dar o pontapé inicial. Em 2016? Não. Em 2015. Falta um pouco da inspiração, da "água batendo na bunda". Felizmente. Ou não. É difícil não se deixar seduzir pelos tantos elogios. Já dizia Santo Agostinho: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem". É difícil, sobretudo quando os elogios são resultado de sua dedicação naquilo que faz. É difícil ser o improvável "menino de ouro" aos 25 anos, sobretudo quando se sabe que ainda não se atingiu o patamar ouro, talvez apenas o patamar madeira de lei. Elogiar todo mundo pode, mas ninguém vai fazer minha barba e meu bigode.

É preciso não se deixar levar. É preciso voltar a guerrear, a "dar tapa na cara de argentino", "ir pra trocação", virar cachorro louco.

"Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro. Vigia os rico, mais ama os que vem do gueto."

É preciso voltar. Parar de anunciar e não lutar. Parar de começar e não terminar.