A ordinariedade do que é pago é um misto de destempero com ignorância - a mesma que me faz escrever "ordinariedade" ao invés de "ordinarice" ou "safadeza".
A cretinice prevalece sobre a seriedade e a responsabilidade.
Rio acima há uma Rondônia de emoções e uma São Paulo de solidão.
O verão é a estação mais pobre - e triste. Toda aquela bobeirada padronizada de sol e praia. Ora bolas! Ao sul da linha do pecado é sol e praia o ano todo. E curvas nos catiras de uma mulher. Qual a novidade?
A novidade é a frieza travestida de ingratidão.
Que cada um viva sua luz e seu amargor. Só não pode vacilar. Nessa de tem sol na ponta do deque, o padre subiu aos céus levado por balões.
Dizem que a beleza está na aleatoriedade, na mistura das tintas, das peles e das palavras. Também acho.
Palavras ao vento.
Gritos no deserto.
(Me) Escreva.
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Sara
Malandro não para, só dá um tempo...
O mundo anda muito chato ultimamente. Aliás, as pessoas andam muito chatas. Histéricas demais, mais precisamente. Um absoluto descontrole. Gritos, rosnados, mordidas, tiros e tudo mais que seja ariano e impulsivo. Um saco.
As pessoas andam muito extremas, armadas com pistolas ou balanças de julgamento nas cinturas. Primeiro atiram e depois julgam.
Perdi um pouco do encanto de escrever, de debater, de ensinar e (porque não) de aprender. Tudo anda muito à flor da pele.
Voltamos aos tempos em que as pessoas acreditam em ameaça socialista, em necessidade de combater a expansão dos costumes e ideologias que ameaçam a família. Eu realmente ando sem paciência para conversar com essa gente sobre sociedade/política. Não consigo. Simplesmente não consigo.
Comprei uma piscina de plástico e coloquei na varanda do meu apartamento. Não quero saber de mais nada. Só me interessa assistir mesas redondas de futebol e conversar sobre amenidades.
Por menos praia e mais educação. Menos sol e mais inverno. Os tempos de frio ensinam e os dias de calor desatinam. Talvez seja isto: o aquecimento global queimou nossos miolos e elegemos um cara teimoso e retrógrado. Odeio gente teimosa. Na teimosia falta humildade, sobra orgulho e extremismo e escolhas impulsivas. Mas o que é a vida senão uma sucessão de escolhas burras? O problema é quando nós é que precisamos suportar as consequências das escolhas burras do outros e, pior, ter que corrigi-las.
Um freak show.
Estou me tornando, além de velho, um cara chato e azedo. Mas um cara azedo doce, tipo agridoce (aliás, odeio molho agridoce), para o qual as pessoas ainda olham com olhos de carinho e ternura. Esta é a minha salvação, saber que as pessoas ainda gostam de mim e, inclusive, me leem. Inclusive, se eu pessoalmente te falei deste blog é porque gosto muito de você e confio meus sentimentos e pensamentos a você. Não que seja uma honra, mas uma mostra de profundo respeito e consideração por sua pessoa, afinal, não me interessam os holofotes, elogios e etc em torno do que escrevo por aqui. Em tempos de extremismo, ter alguém com quem compartilhar nossos pensamentos, sem medo de tomar um tiro ou ter o coração pesado na balança de Anúbis, é uma honra.
Mas escrever tornou-se subversivo, coisa de ideologia marxista. Então tenho dedicado meus dias a trabalhos braçais, mesas redondas de futebol, pornografia e ao estudo adestrado para concursos. Daqui a pouco, vou capinar um quintal, pela honra do meu querido Brasil. Então não me julgue e não me espere para o próximo texto, porque pode demorar.
Brasil!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Amanda
Hoje é dia de texto "choro no banho". Uma "fraquejada", como andam dizendo por aí.
Há um ano e um mês eu escrevi um dos textos mais polêmicos deste blog, na impulsividade de um teclado de celular, deitado em um sofá de uma sala escura da casa de um amigo, numa madrugada de domingo para segunda.
Eu poderia apenas ter ido dormir na cama, mas não... Insisti em ficar escrevendo no breu, na telinha de um celular. Fiz merda. Fui babaca, em alguma medida. Chateei talvez a garota de quem eu mais gostei nos últimos anos.
Hoje penso que fui vaidoso de certo modo.
Se nada acontece, eu também tenho culpa. Muita culpa, talvez. Quem sou eu para me julgar uma "escolha excelente"? Quem sou para me julgar um não-babaca? Fui presunçoso. Quem sou eu para me julgar um cara legal?
Aquilo que considero virtudes pessoais podem ser grandes defeitos na visão alheia. E foda-se. Como disse um amigo meu um tempo atrás, somos babacas grande parte do tempo e estamos em constante luta para tentar não sermos. No fim, é meio isto. Sou mais um babaca, preconceituoso...
Não sou uma escolha melhor. Talvez só uma escolha como as demais. Demorei um pouco a entender isto, porque isto envolve autocrítica e parar de acreditar naquele papo de "você é tão legal, tudo que eu sempre busquei, mas não vai rolar". Tenho me incomodado cada vez menos com as recusas, me recuperado com uma estranha celeridade. Isto me faz sentir-me meio babaca e descrente, mas ao mesmo tempo me sinto mais forte. Menos humano, talvez.
Mais cabeça de gelo, mais "foda-se" e menos sentimento. Uma pena, em alguma medida. Nos últimos 3 anos saí de dentro de minha concha e me ofereci às pessoas, de peito aberto, com intensidade. Tudo está dando certo na vida, resolvi tentar tornar esse "tudo certo" em algo ainda mais completo, alcançar a fronteira final: minha vida afetiva. Fiz coisas que nunca antes tinha tido disposição em fazer. Me empenhei em tentar. Por 3 anos eu resolvi buscar a satisfação afetiva em detrimento das demais. Não busquei "o amor da minha vida". Busquei envolvimento afetivo, misturar as tintas. Falhei, como no aprendizado do inglês. Falhei. E na vida se falha.
Quando se falha, é preciso investigar os motivos. Quando eu penso que estou sendo legal, eu posso estar sendo chato. Quando penso que estou sendo flexível, eu posso estar limitando a liberdade alheia. Quando penso que estou tocando o coração das pessoas, eu posso estar sendo um "romântico" inoportuno.
Preciso pensar. Entender. Aos 13 anos, pedi um beijo e ganhei um beijo dentro do ouvido. Me retirei de qualquer vida afetiva por 12 anos e só voltei aos 25 anos de idade. Nos últimos 3 anos eu realmente fiz da vida afetiva uma das minhas prioridades, após ignorá-la por anos focado em outros projetos. Eu quis desta vez ter uma vida assim. Quis e tentei. Mas não deu.
Falhei novamente. Tentei tocar o coração das pessoas. Toquei somente o coração que eu não poderia tocar. O resto foram recusas. Recusas justas, afinal. Agora entendo. Me vejo como um homem comum, repleto de defeitos como os demais. Nada de "escolha excelente".
Não dá para continuar falhando sem parar para refletir.
Talvez seja hora de se retirar novamente e deixar pra lá esse negócio de vida afetiva. Me repensar como pessoa. Só voltar quando for hora. Estudar, trabalhar... Levar uma vida como era antes de eu me oferecer às pessoas. Neste momento, sinto que talvez seja a hora de voltar para dentro da concha, do meu mundinho.
Não estamos neste mundo para ser a escolha "suficiente" ou "excelente" de alguém. Tudo que quero é ser um cara cada vez mais honesto e decente. Se eu for honesto e decente, vou sentir-me bem diante do mundo, sendo ou não a escolha de alguém.
Aquela garota, hoje namora. Mudou de planos sobre namorar, ao que parece. Ou talvez o problema estivesse só em mim mesmo. E se for isto, eu tô muito de boa com isto. Porque hoje consigo ver o quanto sou falho. Enfim! Invejo um pouco o cabra que conseguiu tocar o coração dela. Mas e daí? Quero que ela seja feliz. E eu preciso parar de invejar aquilo que não fui capaz de conquistar.
Vou sossegar, viado. Estudar e trabalhar. Tentar ser honesto e decente.
sábado, 17 de novembro de 2018
Desconexo
São quase 3 da manhã. Mas eu estou cheio de pensamentos.
Aos 18 anos eu era um "monstro", capaz de comer uma parede de concreto para encontrar uma saída e mudar de vida. Eu parecia maduro para caramba, nada me abalava além do espírito de sobrevivência que me fazia ser capaz de morder um cachorro se isto fosse necessário para sobreviver. Eu era um guerrilheiro que só tinha em uma munição a sua chance de dar certo. Era preciso guardar bem a munição e não desperdiçar o tiro. E foi a maturidade imatura dos meus 18 anos que me salvou de hoje não estar desempregado e distribuindo currículos para ser qualquer coisa em qualquer lugar. Não que isto seja um demérito, mas é um resultado de que algo deu errado.
Quando olho para 10 anos atrás, penso no quanto eu era maduro e imaturo. Eu só queria ter uma chance de sobreviver e tudo girava em torno disto. Lembro de ter ido uma única vez a uma boate, numa matinê com 15 anos. Só Deus sabe o quanto eu tive medo de gastar aqueles 20 reais. A primeira vez que beijei uma mulher foi aos 25 anos de idade. E eu ainda perguntei se podia beijá-la. Céus! Antes disso não dava, eu estava ocupado demais em sobreviver. O que não me torna fonte de orgulho para ninguém. Aos 13, também pedi um beijo. Mas ganhei um beijo dentro do ouvido. Meio nojento. Frustrante, aliás. Saí de cena e só voltei 12 anos depois.
O coração de uma mulher é um oceano, repleto de segredos e desejos profundos e obscuros. Já a cabeça de uma mulher é um universo, repleto de possibilidades e sempre em expansão. Às vezes é difícil gostar das mulheres. Eu só queria que o encanto que vez ou outra desperto nelas durasse mais do que 2 meses. Nunca passa disto. É meio cabalístico. Talvez eu não consiga ser mais do que sou por mais de 2 meses. Esta fraqueza me dói em alguma medida. Ainda não sei o que me torna tão fugaz para as pessoas.
Não gosto que nada me escravize. Quando bebo, me sinto escravizado. Hoje não bebi. Mas fui a uma festa do caralho. Ninguém sóbrio me chamou para dançar. Eu só quero dançar no começo da festa, quando eu e todos os demais estão sóbrios, mas ninguém quer dançar. Depois que todos estão bêbados, inclusive eu, eu não quero mais dançar, me contento em ficar risonho. A bebida escraviza, mesmo quando não é vício. Escraviza porque você começa a beber sem nem saber mais ao certo porque bebe.
Eu nunca tive nem curiosidade em usar qualquer droga. Eu só tinha uma munição a gastar para sobreviver e o vício em qualquer droga, inclusive lícita, poderia roubar meu ímpeto de sobrevivência.
É preciso algum controle sobre o desejo, senão todo dia vira dia e não há corpo que aguente. Perder o controle sobre os desejos é a coisa mais impulsiva que alguém impulsivo pode fazer sem se dar conta de que é impulsivo. Todo dia parece ser dia de saciar o desejo. O corpo padece e a mente não percebe. Entra-se em estado de autofagia, de automutilação. É um matar-se diariamente de modo bem retardado, por sinal. Elas nos destroem aos poucos e silenciosamente. Eu precisava sobreviver. Então nunca quis.
Não gosto que nada me escravize e o desejo por algo é escravizante.
Nada com nada.
Estou desconexo.
E solitário.
Em geral, não sou contra ser solitário. Mas às vezes é bem bad. Ter o outro obriga a gente a organizar as ideias para verbalizá-las. Não ter o outro torna nossa própria voz um monólogo. Agora que sobrevivi, eu preciso do outro. Sinto a necessidade. Uma puta fraqueza. Ou uma fraqueza puta. Nada contra as putas.
Aliás, vontade de socar cada cara puto. Por causa dos putos, somos todos canalhas. Por causa dos babacas, somos todos "machos escrotos". Por causa dos tarados, somos todos iguais. Fodam-se todos vocês. Somos todos homens, menos alguns. Dá trabalho ser homem em meio a um mundo de tanta descrença no homem.
Nunca se sabe quando tocamos de verdade o coração das pessoas. As lágrimas revelam isto no mundo material algumas vezes, mas nem sempre. E isto é bem estranho. Tocar o outro é algo que transcende o mundo material, o contato de peles e as mononucleoses das bocas vazias que beijamos nas madrugadas frias. Tocar de verdade o outro é uma sensação única. Cada coração é precioso e cercado de defesas. Quando alguém baixa a guarda, é lindo demais. Eu acho isto humano pra caralho. Mas nem sempre isto é muito claro. E isto deixa uma insegurança da porra. Deixa aquela dúvida se, no fim das contas, não se está sendo invasivo, um babaca ou um trouxa.
Mas no fim, quando se quer tocar o céu do outro, se é humano. E por mais que isto não pareça, as verdadeiras sensações humanas estão em extinção, inclusive o amor. Porque amar envolve não ser individualista e, hoje, tudo o que não queremos é ter nossas liberdades ameaçadas. Melhor a superficialidade do que é breve do que a intensidade do que permanece e é recíproco. É preciso confiar no poder da reciprocidade e baixar a guarda.
Atiro contra tudo às 3h41 desta manhã. Porque não sei o que fazer quando a preocupação maior não é mais apenas sobreviver.
sábado, 22 de setembro de 2018
Raça
2 meses passam rápido. Parece que ainda ontem escrevia pela última vez. Já dizia Nelson, o Rodrigues, que a maior utopia do homem é encontrar um ouvinte. Ou talvez, acrescento eu, ter um blog para escrever, ser um muro de lamentações, confissões, declarações, divagações ou criação.
Às vezes é preciso carregar o piano no braço, com raça e "maracatu atômico". Só olhar pra frente e acreditar que a tempestade vai acabar e que se está quase chegando no local de descarregar o piano. Controlar a respiração e ir, firme, segurando a barra sem soltar. Tem que ter raça. Aliás, respeito quem tem raça no que faz. Raça envolve coração, comprometimento e coragem. Envolve confiar, andar sem saber se ao fim haverá um ponto de repouso para se descansar ou um piano ainda maior a ser carregar. E no fim, pode ser que não tenha valido de nada.
Mas é preciso viver com raça. Nos faz mais inconsequentes, mais humanos.
Talvez Nelson nunca o tenha dito, mas ter certezas na vida parece fundamental. É preciso acreditar que na próxima manhã haverá uma vida a se viver, embora esta convicção dependa de tantas pequenas coisas que passam, desde a procedência da bala-bombom que compraram em um semáforo e me deram, até a "sorte" de não encontrar alguém armado na esquina de casa e cheio de maldade.
A vida é assim. Um encontro com a maldade a cada esquina, mas uma manhã de certezas a cada recomeço.
Quando se tem raça vive-se um momento de cada vez. Ter raça é sentir-se pleno e forte, ainda que sozinho em meio a uma tempestade em alto mar. É meio que se sentir potente, capaz de levantar todos os alicerces e sair puxando-os rua afora, como "O Incrível Hulk". É meio que ser capaz de arrastar tudo e todos que cruzem a nossa frente, sem olhar para trás o estrago que se está a fazer. É, muitas vezes, só tomar ciência da grandiosidade do que se fez depois que está feito. É enxergar o durante, sem saber como será o depois.
Raça é isto: a coragem de que tudo se pode resolver, ainda que não se saiba como e nem quando. Mas vai se resolver. Raça é uma forma de fé, talvez; porém uma fé ativa, daquelas que se trabalha e confia, como ensina a rosada bandeira do estado do Espírito Santo. Aliás, de rosado, agora só falo da bandeira.
Não quero passar a noite toda divagando ao som de Fagner, todavia, é preciso que seja dito: é preciso ter raça.
É agindo com raça que resolvemos e descomplicamos.
Valorizo e respeito muito quem tem raça no que faz. Vejo vida. Entrega. Vejo coração, coisa tão rara nos dias de hoje, em que ninguém se envolve e se responsabiliza pelo que faz.
Talvez você esteja certa no auge da jovialidade e da maturidade de seus 22 anos. Talvez eu seja mesmo um romântico. Não um dos últimos, mas um romântico. Ainda não sei ao certo o que isto significa. Penso sobre, porém não sei se gosto da ideia de o ser. Prefiro ser visto como um raçudo, daqueles capazes de construir uma casa sozinho se preciso for.
Mas façamos um acordo. Há uma expressão popular que faz menção a fazer as coisas "no peito e na raça". Se peito significar fazer com coração, aceito ser um romântico. Um cara com raça e coração.
sábado, 12 de maio de 2018
Você
Seria ela a louca
Dos gatos?
Ou a gata
Dos loucos?
Uma linda morena
De lábios doces,
Como os de Iracema.
Uma índia gauche.
De seios bronzeados
E sorriso largo,
Podem faltar rosados...
Não fica amargo.
Da terra prometida,
Exilou-se na floresta.
Foi salvar vidas
E alegrar a festa.
Fique, morena!
Suba o rio até a foz.
Mas volte, pequena!
Queremos sua voz.
Posso rimar mais,
Mas o que dizer?
Te desejar paz?
Que busque prazer?
Apenas seja você!
Esta encantadora menina.
Sem razão e porquê,
Uma obra-prima.
Dos gatos?
Ou a gata
Dos loucos?
Uma linda morena
De lábios doces,
Como os de Iracema.
Uma índia gauche.
De seios bronzeados
E sorriso largo,
Podem faltar rosados...
Não fica amargo.
Da terra prometida,
Exilou-se na floresta.
Foi salvar vidas
E alegrar a festa.
Fique, morena!
Suba o rio até a foz.
Mas volte, pequena!
Queremos sua voz.
Posso rimar mais,
Mas o que dizer?
Te desejar paz?
Que busque prazer?
Apenas seja você!
Esta encantadora menina.
Sem razão e porquê,
Uma obra-prima.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Reciprocidade
Há nuvens sobre sua cabeça. Consegue ver? Eu queria usar uma outra palavra ao invés de nuvem, tipo "há uma áurea sobre sua cabeça", mas acho que não é áurea a palavra. Talvez seja uma parecida. Se souber qual é, me fale. Preciso sabê-la.
Há quanto tempo que não olha o céu? Elas agrupam-se e desfazem-se. Céu azul e tempestade. Todo o tempo. A vida é feita de sorrisos e lamentos.
É preciso lidar com as decepções. É assim que tem que ser. Saber enxergá-las, lembrá-las, senti-las e deixá-las. Após, o sol brilha. Sempre.
Diga a ela que lhe escreva. Com as palavras, letra e trejeitos dela. Com erros e acertos. Com a cumplicidade que só vocês sabem e que ela finge ignorar. Você parece precisar. Diga a ela. É uma questão de respeito, lealdade e, na pior das hipóteses, um ato de amizade.
Consideração e respeito. Quem ainda o tem? Dá pra acreditar?
Não há momento. Nem bons e nem ruins. Há uma sucessão de acontecimentos. E eles acontecem. Somente acontecem. Tipo merda, sabe? Acontece, às vezes. Mas merdas acontecem.
Há que se respeitar a afinidade. Quando surge naturalmente, deve somente ser seguida e respeitada. Não se pode querer ter controle sobre a afinidade. Não há que se falar em melhor momento ou um mau momento para que ela possa ser mantida.
Diga a ela que fale, que lhe escreva.
Você pode não acreditar, mas estou firme em minhas decepções.
Não há tristeza ou depressão que justifique levar a própria voz da consciência à terapia. Os pensamentos estão em ordem e em paz. Sinto falta. Penso. Mas é contornável.
Você sente o cheiro. Sente que há algo no ar. Mas não há nada, além de nuvens. Céu de brigadeiro. E eu nem gosto tanto de doces. Só de estrelas.
Apenas preciso que me deixem seguir e que parem de me roubar. Não suporto treinar muito para ser roubado.
Acho que preciso somente da humanidade por trás de um bilhete de lealdade e afinidade. Isto me basta.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Vida ou morte!
Os mistérios da morte me fascinam. Talvez ela ainda seja uma das poucas coisas sem respostas concretas neste nosso mundo cada vez mais científico. Ou melhor, o que se sucede após a morte. Ninguém sabe ao certo, com certeza, o que se passa, afinal, ninguém jamais conseguiu submeter à prova empírica a morte e voltar para contar o que descobriu.
Mais uma postagem reflexiva sobre a morte, como tantas que já fiz. O que me traz à morte novamente é um acontecimento ruim, como nas homenagens a Dan Wheldon, Marco Simoncelli e Jules Bianchi; é mais um falecimento surpreendente.
Ontem, primeiro dia do ano, faleceu de infarto um jovem de 28 anos. Um jovem muito alegre, engraçado e de boa conversa. Fomos contemporâneos do curso de Direito na mesma universidade no final de meu curso e tivemos poucos contatos, a maioria deles em jogos de futsal entre o time do qual eu era goleiro e o "xadrez do mal" dos Canalhas (nome do time dele): o suficiente para viramos amigos de Facebook. Por certo que ele, em sua expansividade, foi quem me adicionou, apesar das poucas palavras trocadas entre a gente nas quadras e nos corredores da Universidade. Apesar da pouca vivência, a certeza de que era um cara gente boa demais e meio bon vivant. Torcedor do mesmo time que eu e morador de uma "quebrada" de Cariacica (certeza de boa amizade, nunca me decepcionam).
Então eis que, na tarde de ontem, vejo que o mais querido dos Canalhas faleceu, na plenitude de seus 28 anos. Muitas mensagens perplexas de amigos próximos a ele. Um infarto aos 28 anos. Uma morte muito precoce, mas tenho certeza de que este canalha aproveitou tudo que a vida lhe ofereceu de diversão em seus poucos anos de vida. Foi feliz e deve ter morrido em paz. Esta fatalidade me lembrou outro colega de universidade, que foi assassinado aos 25 anos de idade por um maluco, enquanto, no desempenho de seu trabalho, tentava entregar uma intimação judicial trabalhista. Outro jovem; um brilhante jovem, aliás. Igualmente muito gente boa. Um menino bom.
Os jovens e os seus sonhos também morrem, quando menos esperamos. A morte é assim, democrática, sendo que viver muito é mera pretensão e presunção à qual nos abraçamos para não fazermos a todo custo tudo o que queremos fazer, à qual nos agarramos para não aproveitarmos a vida como se não houvesse amanhã. Acreditar que temos muito tempo é mera expectativa, mera presunção, na qual acreditamos de modo, até certo ponto, arrogante, diante da imprevisibilidade da morte.
Dois jovens mortos precocemente e me pus a pensar. Se não eles, o morto fosse eu?
Me pus a pensar em quem largaria os afazeres da corrida vida cotidiana para ir se despedir de mim. Acho que sou muito querido. Se eu falecesse hoje, jovem como sou, talvez muita gente comparecesse para se despedir de mim ou desejaria fazê-lo. E a depender da causa da morte, talvez mais gente ainda comparecesse.
E será que teria algum sentimento afetivo que iria para o túmulo comigo sem jamais ter sido dito? Será que alguém teria sentimentos afetivos a me dizer e se arrependeria por nunca ter me dito em vida?
Vamos à primeira parte. Algo iria para o túmulo comigo? Depois de muito pensar, concluí que não. Todos os que amo (no sentido mais amplo possível de "amar") sabem disso; seja por meus atos, minhas palavras e, recentemente, pelos meus bilhetes escritos a mão e por meus abraços. Em 2017, enfim, aprendi a abraçar as pessoas com sentimento de verdade, a valorizar os abraços. Poucas coisas podem ser tão gostosas e verdadeiras como um abraço sincero. E os bilhetinhos escritos a mão? Vieram em 2017 para transmitir ainda mais verdade ao que sinto pelas pessoas que considero especiais, para elas sentirem na simplicidade e delicadeza de uma mensagem escrita a mão o quanto os verdadeiros sentimentos são coisas únicas, não substituíveis por mensagens padrões reproduzidas em letras mecanizadas.
E agora a segunda parte. Ah a segunda parte... Não tenho como responder, afinal, se eu morreria sem saber, por certo que eu, hoje, vivo, ainda não sei o que as pessoas escondem sem me dizer. Talvez muita coisa teria deixado de me ser dita em vida porque somos bobos e arrogantes em acreditar que temos tempo nesta vida... Tudo que importa deve ser dito, o quanto antes. Aprendi isto um pouco tarde, mas talvez, ainda cedo, nesta vida. Por anos guardei sentimentos. Perdi tempo. Hoje, tão logo que o posso, tomo coragem e falo. Ando meio cansado de fazer cena, esconder. Se é preciso sofrer, melhor que se sofra logo, enquanto o outro é vivo. Porque depois que ele se for, de nada adiantará os sentimentos guardados e o sofrimento será muito pior, pois será por algo que não se fez e pela incerteza de algo que jamais poderá ser vivido diante da morte do outro.
Precisamos falar, confessar e expressar. Enquanto há vida. Enquanto podemos receber o abraço e a resposta dos sentimentos do outro, ainda que seja um sofrido, ainda que libertador, desprezo. Pode ser frustrante na hora, pode ser triste, mas quando fazemos nossa parte, estamos livres com nós mesmos e com o outro, de modo que, eventual arrependimento post mortem não nos perturbará, pois temos a certeza que falamos, expressamos o que sentimos.
Também me pus a pensar sobre o amor de casal. Em parte ainda sob efeito do filme Amantes (Two Lovers). Sabe? Às vezes me pergunto se em algum momento realmente encontramos um amor arrebatador, que nos complete em cada detalhe. Às vezes tenho a sensação de que a maioria de nós acredita que vá aparecer um par ideal em algum momento e, movidos por essa crença, bem como pelo sentimento não "perder tempo" com as "pessoas erradas", vamos descartando ao longo do tempo as oportunidades de viver com outras pessoas aquilo que acreditamos que ainda não seja o verdadeiro amor. E o tempo vai passando... Passando... E somente depois de algum tempo (quando a vida nos permite chegar até lá), meio cansados e desacreditados, nos dispomos a viver um amor que talvez não seja aquele amor arrebatador, com contornos de ideal, que esperávamos. E, só aí, descobrimos que este amor pode ser o verdadeiro amor e que podemos ser muito felizes com quem não acreditávamos ser o par ideal.
Sabe? Às vezes acho que está tudo errado no nosso ideário. Talvez, não se encontre o verdadeiro amor em uma pessoa específica, como algo fulminante, arrebatador. Acredito que o amor verdadeiro pode ser construído ao lado de uma pessoa que não seja a tal pessoa "encantada", mas que esteja disponível em nossa vida e verdadeiramente disposta a construir algo especial ao nosso lado. Amor é sentimento e sentimento se constrói, dia após dia, não surge pronto. Não estou a defender as uniões arranjadas, forçadas ou negociadas, mas a defender que devemos acreditar mais na força dos sentimentos que podem ser construídos ao lado de quem sentimos algum nível de afeto (ainda que não seja um afeto arrebatador) e se dispõe a nos amar da melhor maneira possível.

O filme Amantes (Two Lovers) deixa um pouco essa sensação. Ao fim da obra, nosso ideário tradicional, nos conduz a pensar que o personagem principal escolheu casar-se com a mulher que não ama intensamente, mas que o ama verdadeiramente, somente para esquecer a tristeza causada pelo "não" daquela que parecia ser o esperado "amor da sua vida". No faz prever que seu futuro casamento será fadado ao fracasso. Mas despindo-se um pouco desta ideia corrente, é possível pensar que, no fim, o personagem principal, ao dizer "sim" a quem talvez não fosse o esperado "amor de sua vida", talvez tenha feito a escolha de quem acredita que amor se constrói e de que a vida pode ser curta demais para ficar-se à espera de uma suposta pessoa ideal. Ele escolheu viver, se dispôs a construir o sentimento de amor ao lado de uma pessoa que o ama verdadeiramente, mesmo após ter sido abandonado pela mulher que acreditou ser o "amor da sua vida".
Esta é a minha interpretação. O filme não mostra o resultado desta escolha, dando margens para múltiplas interpretações sobre o que ela pode ter resultado no futuro. Mas se pensarmos bem, o filme também não mostra quanto tempo o personagem viveu após esta escolha. Percebe? Às vezes pensamos demais só nas escolhas e nos esquecemos do precário tempo que nos resta de vida. Sobre ele nada sabemos.
Talvez, a vida seja isto, nos darmos conta de que, no fim das contas, não somos eternos, podemos morrer na precocidade dos 25 ou 28 anos, sem termos nos dado oportunidades de viver muitas coisas e de construir muitos sentimentos, inclusive o amor. Não há tempo a perder. Nós e as pessoas que nos cercam podemos partir sem que nos demos conta, enquanto ainda esperamos por coisas que venham a acontecer em nossas vidas e nas delas, acreditando, por mera presunção, que nós e elas viveremos por muito tempo. Que sejamos capazes de nos dispor e de entender que a vida, no fim das contas, é o ar soprado em nossas narinas por Deus e pode ser breve como uma respirada. Tudo que é vivo morre, às vezes muito cedo.
Vá em paz, canalha! Que sua vida tenha sido plena, enquanto durou.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Justo
Hoje, em meio a um momento de melancolia, me peguei pensando sobre o sentido do que seria justo.
Dizia um professor meu, daqueles arrogantes de bochechas rosadas, que justo são os sutiãs, pois oprimem os grandes e levantam os caídos... Coisa tosca. Até isto a gente tem que ouvir em uma universidade pública... Mas enfim, não é dessa gente que venho lhes dizer.
O que é justo, meu Deus? Assistindo ao noticiário, estava vendo o semi-desfecho da história de um cara de classe média alta que num surto, sob efeito de drogas, agrediu violentamente a faxineira de seu prédio, deixando-a com várias sequelas físicas e psicológicas após mais de 1 ano do fato.
Não pude deixar de pensar no quanto eu sou um cretino quando digo que estou sempre nos lugares certos, mas nas horas erradas. Cara, esta mulher deu um azar do caralho. Sabe?! Encontrou um louco em um momento de loucura e ele praticamente acabou com a vida dela. E a Justiça dos homens, o que disse? Disse que ele continua preso e será levado a Júri Popular. E o que vai acontecer? Ele vai ser punido, penso eu, de modo exemplar com uns bons anos de prisão. Mas e a faxineira espancada até quase a morte? Fazem 2 meses que ela começou a receber um auxílio-doença do INSS, após uns 10 meses tendo que depender de uma filha para sobreviver. Ah, mas ela vai ganhar, após uns bons anos de espera, uma indenização gorda no processo que deu entrada na Justiça Cível. Então está "tudo certo"; cada um terá o que lhe cabe por Justiça...
Não pude deixar de pensar no quanto eu sou um cretino quando digo que estou sempre nos lugares certos, mas nas horas erradas. Cara, esta mulher deu um azar do caralho. Sabe?! Encontrou um louco em um momento de loucura e ele praticamente acabou com a vida dela. E a Justiça dos homens, o que disse? Disse que ele continua preso e será levado a Júri Popular. E o que vai acontecer? Ele vai ser punido, penso eu, de modo exemplar com uns bons anos de prisão. Mas e a faxineira espancada até quase a morte? Fazem 2 meses que ela começou a receber um auxílio-doença do INSS, após uns 10 meses tendo que depender de uma filha para sobreviver. Ah, mas ela vai ganhar, após uns bons anos de espera, uma indenização gorda no processo que deu entrada na Justiça Cível. Então está "tudo certo"; cada um terá o que lhe cabe por Justiça...
O que é justo, meu Deus? Por um momento, pensei no que passa na cabeça desta faxineira. Será que foi capaz de perdoá-lo de verdade e só quer mesmo que ele fique preso e lhe indenize? Ou será que ela só teria paz e sentimento de Justiça caso soubesse que ele foi morto?
Veja. A medida do que é justo é muito subjetiva. A Justiça dos homens aplica trocentas leis para tentar reger o mundo de forma que ele aparente ser justo e que as pessoas possam ter paz. Mas, por diversos fatores, é só uma falsa sensação de paz.
Em uma sociedade cada vez mais individualista, justo é o que eu acho ser justo. Cada um quer medir as coisas com sua própria régua de Justiça: "Eu matei porque ele mereceu morrer"; "Eu não vou pagar NADA porque o serviço não está do jeito que eu quero"; "Eu quero terminar com você porque você não é como eu queria que fosse."...
Somos injustos quando queremos fazer a nossa Justiça.
Às vezes, somos injustos com nós mesmos. Não nos achamos dignos de vivenciar algo, de receber algum reconhecimento/elogio, de amar ou de ser amado por alguém e por aí vai. E esta, talvez, seja uma das maiores injustiças. Porque quando assim agimos, boicotamos a nós mesmos e, algumas vezes, também as pessoas que estão ao nosso redor. Boicotamos as oportunidades que a vida, gratuitamente, nos oferece. E quando dizemos "não" a uma oportunidade, às vezes impedimos que pessoas também possam usufruir desta oportunidade ou dos reflexos dela junto conosco. Quando somos injustos com nós mesmos pensando que estamos sendo justos e exercitando nossa maturidade e senso crítico, às vezes também somos injustos com os outros.
Me refiro a muitas coisas. Por exemplo: quem nega uma boa proposta de emprego por insegurança, medo de não ser capaz, às vezes nega a si e a sua família uma oportunidade de uma vida melhor; quem nega a oportunidade de viajar com os amigos porque acha que não consegue dar conta de tudo o que tem que fazer até a viagem, nega a si e a eles momentos inesquecíveis juntos; quem nega o amor de uma pessoa por não saber se é capaz de corresponder a tamanho afeto, às vezes nega a si e ao outro a oportunidade de viver um amor que pode ser o "amor de toda a vida"; quem nega a um estranho um pedido de ajuda por medo de ser roubado, às vezes nega ao outro um auxílio no momento mais crítico da vida.
Veja. Todas essas negativas são escolhas que fazemos com a sensação de que são justas, afinal, sentir-se inseguro aparenta quase sempre ser um motivo justo para não fazer algo. Mas esta escolha justa, no entanto, acaba, muitas vezes, sendo injusta com nós mesmos e com os outros. Óbvio que existem medos justificáveis e que se confirmam, mas quando damos somente voz aos nossos medos, eles sempre aparentam conduzir à decisão justa, mesmo àquelas que não são.
No fim, a vida é um constante andar dentro de um túnel escuro no qual a única certeza é que há uma luz em seu final. Caminhamos todos, inseguros, em direção a essa luz. No caminho, para ganhar coragem de seguir, nos apegamos a coisas que achamos que trazem segurança para seguir (família, dinheiro, religião, afeto...). Algumas vezes, enquanto caminhamos, percebemos que algumas dessas coisas não trazem a segurança que esperamos delas e ficamos inseguros em meio às incertezas deste grande túnel escuro. Sentimos medo. Ouvimos outras pessoas gritando de medo e outras dizendo que não adianta seguirmos porque o túnel escuro não tem fim. Desanimamos. Desacreditamos. Sucumbimos às decisões medrosas que parecem ser as mais seguras e justas. Nos isolamos por medo de não saber se estamos pegando na mão de pessoas confiáveis em meio à escuridão. E este isolamento, muitas vezes, nos faz bater cabeça por longo tempo perdidos dentro do túnel. Somos injustos com nós mesmos por não confiarmos nas pessoas e, ao negarmos nossas mãos, muitas vezes deixamos que os outros também fiquem perdidos sozinhos, como nós, tentando chegar ao fim do túnel. E assim, alguns, após longo isolamento, viram bicho, perdem a humanidade, tornam-se frios e insensíveis, perdendo até mesmo a capacidade de ver a luz.
No fim, para quem acredita, só Deus sabe onde está a justiça de nossas decisões. Só Ele sabe o que o grande túnel escuro ainda nos reserva pela frente. Mas somos dotados da capacidade de vencer, de superar cada pequena batalha diária (aquelas que só nós vemos e sabemos quais são). Fomos feitos à imagem e semelhança do Criador, logo, temos força transformadora, somos capazes de transformar e vencer o que nos cerca. Deus, como ser onisciente, sabe que não somos justos como Ele em nossas decisões, pois somos seres falhos. Então, talvez por isso, o que ele realmente espera de nós é que não decidamos guiados pela segurança dos nossos medos, mas que tenhamos coragem: coragem de seguir em meio às incertezas do túnel; coragem de arriscar diante das oportunidades; coragem de ajudar, se propor, viver e amar. Porque quando agimos com coragem, buscamos força, e quando buscamos força, buscamos a Deus e, assim, somos capazes de ser instrumentos de sua Justiça e de sua vontade em nossas vidas e nas das outras pessoas.
domingo, 19 de novembro de 2017
Desembaraço
Às vezes falta um nome,
Alguma palavra de definição,
Para aquilo que nos consome
Sem pedir licença ou perdão.
Pobre condição humana,
De seres vulgo racionais.
Perdemos da vida semanas
Por respostas demais.
A desilusão do passado
Contamina o futuro,
Faz um presente fracassado
E impede o amor puro.
O soneto da liberdade
Não exige sarradas com solidão.
Acredite que há verdade,
Pode me dar o seu coração.
Se eu não for merecedor,
Será justo o seu não amar.
Mas se o motivo for dor,
Podemos ao menos tentar.
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Goleiro
Dos 9 anos de idade até os 23 anos de idade, o futebol nunca me ofereceu nada além de ser um goleiro; um razoável goleiro, é verdade. Mas poucas coisas me fizeram tão bem ao longo de todos estes anos.
Os goleiros são como os anjos. Voam pelos ares como se tivessem asas e exercem a nobre missão de proteger sem nenhum sentimento de vaidade.
O goleiro é um destemido. Um bravo. Atira-se em bolas violentas e nos pés de adversários sem medo de machucar-se.
Ao goleiro, só interessa proteger a sua meta e garantir a vitória ao seu time. Todo o resto é bobagem. Não lhe preocupam as lesões.
Os goleiros são heróis. Alguns são santos, fazem milagres. Salvam. Garantem a alegria do povo. Evitam derrotas. Pegam pênaltis. Conquistam títulos. Estes momentos, raros na maior parte do tempo, são sublimes. Toca-se o céu com as pontas dos dedos, sem luvas. E um goleiro jamais esquece.
Mas o goleiro também é um coitado. Falha. Sofre. Vai do céu ao inferno em uma fração de segundos. É criticado, desmerecido, acusado, vaiado, xingado. É o vilão. Quando um gol é perdido, é o time quem perdeu um gol e a responsabilidade se dilui. Contudo, quando um goleiro toma um gol, ele é o principal responsável pela meta violado, no sentir dos torcedores.
No fim, o goleiro é só um homem.
Vence, mas sofre. Mais sofre do que recebe louros. Tem consciência da importância do que é e do que faz. Conhece a dureza de seu ofício. Lembra dos rápidos momentos de vitória, sem esquecer da realidade de joelhos ralados, hematomas, dedos entortados e dos ossos quebrados. Ninguém dentro de um campo imagina as angústias e tristezas que habitam o coração silencioso de um goleiro. Los recuerdos dolorosos. As derrotas e os gols que não se pôde evitar. Um voo mal calculado, um salto retardado, um momento de afobamento ou de excesso de confiança: GOL. A bola está dentro da rede. Resta um olhar resignado para trás.
Vence, mas sofre. Mais sofre do que recebe louros. Tem consciência da importância do que é e do que faz. Conhece a dureza de seu ofício. Lembra dos rápidos momentos de vitória, sem esquecer da realidade de joelhos ralados, hematomas, dedos entortados e dos ossos quebrados. Ninguém dentro de um campo imagina as angústias e tristezas que habitam o coração silencioso de um goleiro. Los recuerdos dolorosos. As derrotas e os gols que não se pôde evitar. Um voo mal calculado, um salto retardado, um momento de afobamento ou de excesso de confiança: GOL. A bola está dentro da rede. Resta um olhar resignado para trás.
Não se deixe enganar. Ser goleiro é conviver com a brevidade do sucesso e a certeza do fracasso. Ser goleiro é uma luta constante contra o insucesso. Saber que mesmo que o time vença, somente ele viverá o fracasso de ter sido vencido em um ou mais gols sofridos. Cada gol tomado é um fracasso, ainda que o time vença. Cada gol que não pôde ser evitado, apesar de todo o esforço, é um fracasso. Uma bola a ser buscada no fundo das redes com o silêncio do coração. Mas um goleiro nunca pode deixar de acreditar, mesmo após mais um fracasso.
No fim das contas, nesta vida, todos somos um pouco goleiros. Temos que lidar com mais frequência com os momentos de fracasso e de dor do que com breves momentos de sucesso e glória.
No fim das contas, nesta vida, todos somos um pouco goleiros. Temos que lidar com mais frequência com os momentos de fracasso e de dor do que com breves momentos de sucesso e glória.
Porém, somente alguns aceitam a responsabilidade que é ser goleiro nesta vida. Ser goleiro é cuidar e proteger, ainda que sem ser notado. É ser o responsável por proteger o amor de alguém, ainda que em silêncio. Ser goleiro é se machucar, se ralar, se quebrar, mas não deixar a vida de alguém se esvaziar. O sucesso desta empreitada traz ao goleiro grande satisfação pessoal, ainda que uma satisfação silenciosa.
Ocorre que, como dito, os goleiros falham e causam tristeza, mágoa ou chateação, ainda que não tenham agido com más intenções.
Ser goleiro também é admitir seus próprios erros.
Ser goleiro também é admitir seus próprios erros.
Me desculpe.
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Segredo
Entre a emoção e a razão
Nem sempre há uma terceira via,
Quando nenhuma resposta é solução,
O acerto torna-se uma utopia.
Separadas pelo Equador,
Uma na outra se mistura.
Como em um baile de cor,
Não há opção que seja pura.
A certeza racional depende de fé,
De uma que seja bem boa!
Capaz de tornar a emoção uma ré,
No meu coração e no da Pessoa.
Mas o céu racional é mal pintado,
Só vai até onde os olhos podem crer.
Pode ser frágil como telhado
Quando o desejo é por você.
O sentimento pinta o céu novamente
Com vibrantes cores vivas.
Traz momentos lindos à mente
E as emoções viram divas.
Mas do fracasso da razão
Não deve nascer o amor,
Talvez um ode à paixão,
Com duração, por favor.
Em coração comprometido
Paixão afeta a normalidade.
Gera ciúme (in)contido
É sinônimo de infidelidade.
A sociedade impõe a dor,
Diz que desejar é uma loucura.
Então se não podemos ter amor,
Deixemos que o sexo seja a cura.
Nem sempre há uma terceira via,
Quando nenhuma resposta é solução,
O acerto torna-se uma utopia.
Separadas pelo Equador,
Uma na outra se mistura.
Como em um baile de cor,
Não há opção que seja pura.
A certeza racional depende de fé,
De uma que seja bem boa!
Capaz de tornar a emoção uma ré,
No meu coração e no da Pessoa.
Mas o céu racional é mal pintado,
Só vai até onde os olhos podem crer.
Pode ser frágil como telhado
Quando o desejo é por você.
O sentimento pinta o céu novamente
Com vibrantes cores vivas.
Traz momentos lindos à mente
E as emoções viram divas.
Mas do fracasso da razão
Não deve nascer o amor,
Talvez um ode à paixão,
Com duração, por favor.
Em coração comprometido
Paixão afeta a normalidade.
Gera ciúme (in)contido
É sinônimo de infidelidade.
A sociedade impõe a dor,
Diz que desejar é uma loucura.
Então se não podemos ter amor,
Deixemos que o sexo seja a cura.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Praça de Guerra
Diga-me o que tu escolhes e te direi quem és. Eu acredito em Deus, sabe? Talvez até o dia que a ciência consiga explicar porque o "Big Bang" só foi capaz de criar racionalidade na espécie humana entre trocentas espécies vivas; até lá, acreditar que, entre tantas espécies criadas, as reações fisioquímicas da grande explosão só privilegiaram a nossa espécie, com todo respeito, me soa tão insano ou sem sentido quanto acreditar em Deus. Então, se é pra escolher em qual "fantasia" acreditar, prefiro acreditar em Deus mesmo.
Mas não é de Deus que quero falar não. Quero falar de escolhas. Mas por que falei de Deus? Porque acredito que a ampla liberdade de escolha foi o maior dom dado por Deus à espécie humana, capaz de levar o homem ao sucesso ou à perdição.
A vida humana é mágica justamente por causa desse poder de escolhas. São elas que tornam a vida tão imprevisível. Viver é um constante escolher; até respirar se pode escolher. Só não se escolhe nascer ou morrer, sendo que, nesse último caso, a escolha feita por um terceiro pode fazê-lo salvar sua vida antes mesmo que você consiga por fim a ela.
Eu acredito em vida de três esquinas. Tipo o centro daquela cidade horrorosa chamada Belo Horizonte. Nunca existem somente duas escolhas, na minha opinião. Sabe o "sim" e o "não"? Eu também acredito no "são", que, coincidentemente, remete ao verbo "ser". Acredito em Deus e na ciência; em coisas inexplicáveis à ciência pode haver Deus, assim como que pode haver ciência na religião. Acredito que entre os extremos tem sempre o meio termo que alia os dois, como é o ser humano em relação ao "bem" e ao "mal".
Mas essa terceira esquina é como viajar para Hogwarts pela plataforma 9 3/4, aquela que só os bruxos conseguiam ver por dentro de uma pilastra de concreto. Às vezes, é preciso ser míope na vida, pois só assim conseguimos ver o que foge ao olhar comum e ver a terceira esquina. Escolhas intermediárias, muitas vezes, são mais do que ficar em cima do muro, são a picareta para implodir o muro que nos separa de resultados e de nós mesmos.
O mundo pode ser muito mais legal com três opções. Porém, é preciso cuidado. Assim como a velha Belo Horizonte, quando se escolhe uma das esquinas e penetra profundamente por ela, desfazer a escolha e retornar à encruzilhada inicial de decisão nem sempre é fácil. Na vida, cada quadra percorrida envolve cruzar por mais um cruzamento de três esquinas, sendo que essas esquinas não são facilmente identificáveis e é difícil se saber de qual rua se partiu inicialmente.
Escolher é um constante ir em frente, sendo que desfazer uma escolha já traz em si uma outra escolha. Nunca é um simples voltar atrás. Cada esquina traz em si uma chave de combinações possíveis, envolve uma análise combinatória. Lembra? Pois é. É difícil se saber para onde vai e mais difícil ainda conseguir voltar ao exato status anterior à medida que levamos à frente nossas escolhas cruzando por novas encruzilhadas decisórias.
Contudo, uma é a certeza, qual seja, a de que, aconteça o que acontecer, você colhe os resultados do que escolheu e é fruto de suas próprias escolhas. Se Deus existe, como acredito, esse foi o maior dom deixado ao homem, um dom que não assegura que seremos santos, mas que nos garante força criativa. Se você acredita só no "Big Bang", sem Deus, que sorte incrível essa que só nossa espécie teve após a explosão.
Viver às vezes envolve virar esquinas "cegas", aquelas de muro alto que viramos sem conseguir ver o que está do lado de lá. Entretanto, nessas horas, é preciso respirar fundo e virar, e seja o que tiver que ser.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Tonight
Tiros na porta. Parecem tiros de calibre 32. Não tenho medo de balas. Sou peito de aço. Tá pra existir cabra mais macho do que eu. E tenho dito, é compromisso registrado. Se tiver, mudo meu nome para Maria Chiquita. E quem precisa de sobrenome? Para cartão de visitas, talvez. Mas são tiros de bala.
Silêncio.
Revólver descarregado. Consegui ouvir o "crack" do tambor vazio. Cheiro de pólvora. Tem alguém do outro lado. Posso ouvir a respiração. É uma mulher. Não vou abrir. De tantas portas que abri, agora é minha vez de fechar. Uma mulher com uma arma descarregada em mãos é mais deprimente que o centro da cidade. Espero que não esteja velha. Ou que esteja e se foda.
Não vou abrir.
Queria sair quando os tiros rompiam o ar. Desviar deles com minha macheza. Agora deve-se estar uma cena deplorável de se admirar. O fundo do poço tem porão. Um dia assim me falaram. Uma hora a munição sempre acaba. O que resta? Só abrir e olhar. Vou abrir nada. Já fiz minha oferta. Não tenho mais o que negociar. Que abrace o que lhe reste. Mas cuidado, o tempo vai passar. E quando se percebe, a oferta que era boa demais não se repete. Efeitos da juventude. Ao final resta a incompletude. Não há reembolso. E nem mais hotéis no Rio.
Não me interessa.
A festa acabou. O tambor esvaziou. Enquanto assisto TV comendo sucrilhos. Vestido só de samba canção. Não me interessa o mundo atrás da porta. Não mais. Quando acabar essa parte chamo a polícia para limpar a sujeira que deve estar lá fora. Cheio de cápsulas de bala deve estar. Telefone mudo não pode chamar.
Aforismo.
Ou desaforismo. Levo pra casa não. Não existe almoço de graça. Tem que me ajudar a te ajudar. Indiferença. Pior do que ódio. Desprezo. Pior do que desterro. Ficou aberto por anos. Não quis entrar. Agora vem com tiros. Vou ignorar. E não me venha com xurumelas. Arara cuara itumby iara caria mariri cu cri care manhu açu. É índio pra mais de metro.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
God bless America
Volta e meia eu me pego sentindo inveja dos americanos (norte-americanos ou estadunidenses, se você preferir). É estranho sentir inveja de alguém que você não conhece de perto, mas apenas de ouvir dizer. Eu sinto. Sinto inveja da história construída por meio de luta e do sentimento de nação dos americanos. Sinto inveja da história que cada estrela daquela bandeira traz em si.
Mas tem uma coisa que me desperta uma inveja ainda mais acentuada: a maturidade dos meios de comunicação norte-americanos, mais precisamente, a coragem que eles têm de serem parciais. Sim. Eles são parciais. E eu acho isso fantástico, porque eles não têm medo e nem vergonha de serem assim.
Já aqui, abaixo da Linha do Equador (ou do pecado), se uma emissora assume ser parcial, ela é praticamente "excomungada". Aqui, os meios de comunicação, sobretudo os de televisão, enchem a boca para dizer que são imparciais, como se ser parcial fosse um problema. A realidade, senhores, é que nossos meios de comunicação são tão ou até mais parciais do que os americanos, mas não assumem. É aí que reside a covardia, na minha opinião.
Ser um meio de comunicação parcial não é um problema quando o público tem conhecimento deste fato. Nos Estados Unidos é muito interessante ver como algumas emissoras de TV (como a Fox News), alguns programas, apresentadores e jornalistas se posicionam claramente em prol do Partido Democrata ou do Partido Republicano durante as eleições. E eles não sentem vergonha nenhuma disso. Todos sabem previamente que estão diante de uma emissora/programa/jornalista republicano ou democrata. Aliás, é até engraçado ver programas de humor fazendo campanha contra alguns candidatos. Acho isso lindo, porque representa o que de fato é a liberdade de imprensa.
Já aqui, há revistas, canais de televisão e jornalistas anti-governo e pró-governo que fingem que são imparciais e que não têm interesses políticos. Pelo amor de Deus! Por que fazem isso conosco? Por que não assumem de que lado estão? Não aguento esse papo de imparcialidade. Ninguém consegue ser imparcial de verdade. Não tenho prova científica, mas não acredito que somos capazes de agir imparcialmente em nada. A imparcialidade pode e deve ser uma meta (utópica, aliás) a ser observada para a prática de algumas condutas, mas não podemos nos iludir achando que somos capazes de atingi-la. Cada escolha que fazemos já traz em si um pouco de parcialidade, um pouco de nós mesmos, seres parciais por natureza.
E como é que um meio de comunicação, que, além de ser formado por pessoas de concepções de mundo das mais variadas, é alimentado por interesses de seus financiadores, pode se dizer imparcial? É uma piada. Mas não no Brasil. Aqui é um lugar meio estranho pra algumas coisas. Sei que não tem nada a ver, mas lembrei de uma frase de Tim Maia bem assim: "O Brasil é o único país em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficante ser viciado, o pobre é de direita." Faltou dizer que aqui a imprensa também é imparcial.
O que fazem com a gente é covardia. Por que não se assumem? Por que não dizem logo quem querem que seja o próximo presidente? Aí sou obrigado a ficar vendo William Waack abrindo 8 em cada 10 Jornal da Globo fazendo uma análise crítica (geralmente um breve comentário de uns 15 segundos) contra o governo federal antes de anunciar as manchetes do jornal. Porra! Assume logo. Tá chegando as eleições e já tá começando a campanha partidária disfarçada. No auge do processo eleitoral, os meios de comunicação vão dizer que "estão fazendo uma cobertura imparcial das eleições para ajudar o eleitor a conhecer todos os candidatos e fazer sua escolha democrática". Bla bla bla. E depois de acabar de falar isso, vão fazer coisas como o que fizeram com o candidato que liderava até então as pesquisas pra prefeitura de São Paulo em 2012 (coincidência ou não, ele liderava as pesquisas e depois nem foi pro 2º turno). Só pra constar, a ideia era dar ao candidato a oportunidade de, por alguns minutos, falar de suas propostas para a cidade...
Ser parcial não é um problema, desde que se assuma isso ao público. É um crime enganar os telespectadores dizendo-se imparcial. Eu, como telespectador, gostaria de saber quem apoia quem, porque pelo menos assim saberia ao assistir ao canal "X" que ele está inclinado a favorecer "A" ao invés de "B". Ou seja, eu saberia previamente o que esperar de cada meio de comunicação. Ora, por que a revista Veja não se assume? É pecado dizer que apóia PSDB e DEM e que não gosta do PT? Não é pecado ter um lado, mas é uma tremenda covardia fingir e negar de pé junto que não tem.
Ano que vem vai começar tudo de novo. A mesma historinha de imparcialidade/democracia. Vai começar a festa da hipocrisia. Acabou a ditadura, meus filhos. Democracia requer meios de comunicação livres para serem o que quiserem, inclusive parciais politicamente. Na democracia ninguém precisa fingir nada. Pra mim, mais importante do que se dizer imparcial, um meio de comunicação precisa ter transparência, deixar claro quais são suas verdadeiras convicções.
Mas fazendo um meia culpa. Será que nós, brasileiros, já temos maturidade suficiente para lidar com meios de comunicação assumidamente parciais como nos EUA? Será que não somos nós que de alguma forma ainda preferimos acreditar em imparcialidade e exigimos isso dos meios de comunicação? Você já viu a reação que muitas pessoas têm quando alguém fala daquela revista chamada Carta Capital? Dizem coisas do tipo "Ah, aquela revista é de esquerda, não dá pra dar credibilidade ao que ela diz do governo". Ora, melhor ler sabendo que ela é assumidamente de "esquerda" do que ler achando que ela é imparcial. Pelo menos eu penso assim. Mas às vezes tenho dúvidas se de fato as pessoas preferem isso. Enfim, falei demais.
Por Don Quasímodo, um apoiador assumido dos Sans Culottes.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
You only live twice
Estranho. Eu esperei ansiosamente por hoje para vir aqui escrever, mas não estou com muita vontade. Quero ver no que isso vai dar e te convido a aventurar-se comigo por essas linhas seguindo o trilho deixado pela minha falta de vontade.
Por que coloquei esse título na postagem? Logo eu que odeio a língua inglesa com todas as minhas forças e que não acho muito certo escrever coisas em uma outra língua que nem todos os meus leitores conhecem. Pode parecer frescura, mas eu não gosto de que façam isso nos textos que leio, principalmente naqueles livros de Direito nos quais o autor cita trechos em alemão, latim, francês ou italiano e não traduz achando que eu, leitor, tenho obrigação de saber o que está escrito...
Estou percebendo que eu estou enrolando vocês, o texto está beeeeeeeeeem preguiçoooooooooooso ...zzz - Mas então, voltando! Para aqueles que nunca ouviram a frase do título, aparentemente sem muito sentido, explico que a tirei do nome de um dos filmes da série 007, da década de 1960. Em português traduziram para "007 - Só se vive duas vezes" (pronto, traduzi o título para aqueles que não falam nada de inglês). A filha do Frank Sinatra, Nancy Sinatra, gravou uma linda música para o filme, se puder, ouça-a na versão cantada por ela, é uma letra bem bonita, apesar da letra não ter nada a ver com o tema do texto, só mesmo o título dela tem alguma relação com o que eu vou dizer abaixo.
Você tem e-mail? MSN? Skype? Orkut? Facebook? Twitter?... (tá... eu sei que é errado usar interrogação depois reticências, mas deixa assim) Ok, você deve ter pelo menos um deles, certo? Você já parou para analisar como a sua vida passou a ser invadida por essas modernidades, como você abriu as portas da sua privacidade para estranhos? Sim, estranhos. Não me refiro diretamente aos seus contatos, me refiro às empresas que abrigam a sua conta virutal. Ao se cadastrar em qualquer um deles, você permite que essas empresas possam monitorar sua vida de alguma forma: desde os seus dados iniciais que te exigem para criar uma conta até o que efetivamente você conversa virtualmente com os seus contatos. Conspiração? Não! Não é disso que estou falando. Me refiro apenas à forma sutil com que você entregou inconscientemente às grandes corporações o controle sobre informações confidenciais em sua vida.
Sabem o seu nome, localizam de onde você se conecta, sabem que tipo de site você mais frequenta, com qual frequência, sabem qual é o seu time (toda vez que entro na internet brota publicidade de camisas do Palmeiras, acho isso meio estranho...), sabem com quem você interage e, quiçá, o que você conversa por e-mail ou MSN e Skype... Não sei exatamente o que podem fazer com esses dados, mas NÃO ACREDITO EM CONSPIRAÇÕES. Apenas acho peculiar a forma com que cedemos nossos dados sem hesitar perante esses grandes estranhos...
O Orkut (não digo também o Facebook porque não o conheço bem) é o caso que julgo mais interessante. Nele as pessoas são capazes de expor o que têm de mais íntimo, e não é só para a empresa GOOGLE, expõem essas coisas a pessoas estranhas. Postam fotos com parentes, amigos, estranhos da balada. Preenchem um perfil repleto de gostos pessoais. Juntam-se a comunidades que expressam seus gostos e desgostos. Deixam recados (abertos ao público, dependendo da configuração da caixa de recados). Mostram-se alegres. Tristes. Sóbrias. Bêbadas. E por quê? Há um agir consciente nisso? Não há uma resposta simples para isso, há um conjunto de fatores que levam a esse comportamente e eu não sou soberbo a ponto de dizer quais são. Há pessoas que expõem tanto as suas vidas no Orkut que qualquer pessoa atenta que dedique meia-hora fuçando o perfil delas no orkut é capaz de montar um "dossiê" bem completo. Digo isso porque já fiz esse teste (sem fins maléficos, eu garanto!) algumas vezes e gastei menos de meia-hora para montar o dossiê.
Eu também faço o mesmo, não quero dar lição de moral em ninguém. Mas quero pensar junto com você sobre essa realidade. Tenho contas de e-mail no gmail, no hotmail e no yahoo, tenho MSN, Skype, Orkut (logo eu que era até maio de 2008 um crítico feroz dessas modernidades). Mas a minha ficha caiu sobre essa realidade no dia em que eu recebi um convite para criar meu Facebook. Eu pensei: "What porra is this? ("Que porra é essa?" - título de um CD do cantor Falcão) Esses caras já sabem meu nome, onde eu moro, meus gostos, sabem minhas senhas, agora querem me furtar mais o quê? Chega! Eu já abri minha privacidade demais para o mundo virtual! Não vou criar um!" Aí lançam o Twitter, aí pensei: "Agora virou putaria... Querem mais o quê? Saber quando eu vou ao banheiro em 140 caracteres? Não! Isso já é demais para mim! Também não vou aderir a esse troço! Vocês já sabem de mais sobre mim." E assim parei de aderir às novas redes sociais...
Loucuras do século XXI, no qual os laços se tornam cada vez mais efêmeros; no qual a vida virtual mostra-se mais conveniente do que a real, afinal, na virtual todos os laços podem ser feitos e desfeitos (como na velocidade de um adicionar e um deletar no MSN). Pessoas dizem namorar com pessoas que nunca viram de verdade, que nunca abraçaram, e com a mesma rapidez deixam de namorar essas pessoas. Pessoas dizem fazer sexo pela internet, quando na verdade nunca sentiram o toque da pele da outra pessoa. Pessoas brigam pela internet, xingam-se, falam coisas que não falariam numa briga cara a cara. Pessoas falam horas por MSN e quando se encontram de verdade não têm assunto, mal trocam um "oi". Muitas vezes as pessoas consideram mais verdadeiro um sorriso forçado numa foto com "amigos" colocada no Orkut do que um abraço real de um amigo sincero. Tudo está muito efêmero, parece que viver assim é menos complexo, sempre dá para "deletar" e "adicionar" as pessoas quando for mais conveniente, sem ter que dar explicações; assim como sempre dá para fazer um "control Z" e fingir que tudo sempre foi do mesmo jeito que antes.
Uma vida dentro da outra. Sabe de uma coisa? Acho que "You only live twice" faz algum sentido...
Por que coloquei esse título na postagem? Logo eu que odeio a língua inglesa com todas as minhas forças e que não acho muito certo escrever coisas em uma outra língua que nem todos os meus leitores conhecem. Pode parecer frescura, mas eu não gosto de que façam isso nos textos que leio, principalmente naqueles livros de Direito nos quais o autor cita trechos em alemão, latim, francês ou italiano e não traduz achando que eu, leitor, tenho obrigação de saber o que está escrito...
Estou percebendo que eu estou enrolando vocês, o texto está beeeeeeeeeem preguiçoooooooooooso ...zzz - Mas então, voltando! Para aqueles que nunca ouviram a frase do título, aparentemente sem muito sentido, explico que a tirei do nome de um dos filmes da série 007, da década de 1960. Em português traduziram para "007 - Só se vive duas vezes" (pronto, traduzi o título para aqueles que não falam nada de inglês). A filha do Frank Sinatra, Nancy Sinatra, gravou uma linda música para o filme, se puder, ouça-a na versão cantada por ela, é uma letra bem bonita, apesar da letra não ter nada a ver com o tema do texto, só mesmo o título dela tem alguma relação com o que eu vou dizer abaixo.
Você tem e-mail? MSN? Skype? Orkut? Facebook? Twitter?... (tá... eu sei que é errado usar interrogação depois reticências, mas deixa assim) Ok, você deve ter pelo menos um deles, certo? Você já parou para analisar como a sua vida passou a ser invadida por essas modernidades, como você abriu as portas da sua privacidade para estranhos? Sim, estranhos. Não me refiro diretamente aos seus contatos, me refiro às empresas que abrigam a sua conta virutal. Ao se cadastrar em qualquer um deles, você permite que essas empresas possam monitorar sua vida de alguma forma: desde os seus dados iniciais que te exigem para criar uma conta até o que efetivamente você conversa virtualmente com os seus contatos. Conspiração? Não! Não é disso que estou falando. Me refiro apenas à forma sutil com que você entregou inconscientemente às grandes corporações o controle sobre informações confidenciais em sua vida.
Sabem o seu nome, localizam de onde você se conecta, sabem que tipo de site você mais frequenta, com qual frequência, sabem qual é o seu time (toda vez que entro na internet brota publicidade de camisas do Palmeiras, acho isso meio estranho...), sabem com quem você interage e, quiçá, o que você conversa por e-mail ou MSN e Skype... Não sei exatamente o que podem fazer com esses dados, mas NÃO ACREDITO EM CONSPIRAÇÕES. Apenas acho peculiar a forma com que cedemos nossos dados sem hesitar perante esses grandes estranhos...
O Orkut (não digo também o Facebook porque não o conheço bem) é o caso que julgo mais interessante. Nele as pessoas são capazes de expor o que têm de mais íntimo, e não é só para a empresa GOOGLE, expõem essas coisas a pessoas estranhas. Postam fotos com parentes, amigos, estranhos da balada. Preenchem um perfil repleto de gostos pessoais. Juntam-se a comunidades que expressam seus gostos e desgostos. Deixam recados (abertos ao público, dependendo da configuração da caixa de recados). Mostram-se alegres. Tristes. Sóbrias. Bêbadas. E por quê? Há um agir consciente nisso? Não há uma resposta simples para isso, há um conjunto de fatores que levam a esse comportamente e eu não sou soberbo a ponto de dizer quais são. Há pessoas que expõem tanto as suas vidas no Orkut que qualquer pessoa atenta que dedique meia-hora fuçando o perfil delas no orkut é capaz de montar um "dossiê" bem completo. Digo isso porque já fiz esse teste (sem fins maléficos, eu garanto!) algumas vezes e gastei menos de meia-hora para montar o dossiê.
Qual era a maior recomendação dada por seus pais (avós, irmãos ou tios) quando você era bem pequeno e ia para a escola? "Não fale com estranhos e não aceite presente de estranhos." Então me responda? Por que, hoje, que você já "entende os perigos do mundo", você fornece tantas informações aos desconhecidos pela internet? Talvez seja algo inconsciente, mas você faz isso com certa frequência. Se um desconhecido, na rua, te pedisse o seu nome completo e alguns dados intimos sobre você, você daria? Provável que não. Mas por que pela internet nem hesitamos em criar contas em dezenas de sites e em dizer quem somos e do quê gostamos?
Eu também faço o mesmo, não quero dar lição de moral em ninguém. Mas quero pensar junto com você sobre essa realidade. Tenho contas de e-mail no gmail, no hotmail e no yahoo, tenho MSN, Skype, Orkut (logo eu que era até maio de 2008 um crítico feroz dessas modernidades). Mas a minha ficha caiu sobre essa realidade no dia em que eu recebi um convite para criar meu Facebook. Eu pensei: "What porra is this? ("Que porra é essa?" - título de um CD do cantor Falcão) Esses caras já sabem meu nome, onde eu moro, meus gostos, sabem minhas senhas, agora querem me furtar mais o quê? Chega! Eu já abri minha privacidade demais para o mundo virtual! Não vou criar um!" Aí lançam o Twitter, aí pensei: "Agora virou putaria... Querem mais o quê? Saber quando eu vou ao banheiro em 140 caracteres? Não! Isso já é demais para mim! Também não vou aderir a esse troço! Vocês já sabem de mais sobre mim." E assim parei de aderir às novas redes sociais...
A verdade, senhores, é que as pessoas estão se entregando demais à vida virtual, estão vivendo apaixonadamente uma segunda vida ao mesmo tempo que a primeira. Para muitos, a segunda já se tornou a primeira! Parei para perceber isso bem um dia em que fiquei chateado ao ver que alguns contatos do meu MSN estavam inativos há muito tempo (logo, pararam de entrar ou me Bloquearam ou me DELETARAM! Que absurdo! Como que tiveram coragem de fazer isso comigo? hehe). A possibilidade de que tivessem me bloqueado ou deletado me fizeram perceber que em minha VIDA VIRTUAL talvez eu não seja tão querido, algo muito estranho para mim, que na VIDA Nº 1 sou sempre tão querido... A mera POSSIBILIDADE de terem feito isso comigo me mostrou que eu tinha uma 2ª vida, na qual eu nem sempre era percebido como eu sou de fato. Preocupante, não? Eu não quero ter uma 2ª vida, eu tenho por mero acidente. Eu sempre jogo coisas assim na regra dos 20 anos (eu não tive uma segunda vida por 18 anos, logo, vivi muito bem com uma só nesse período, assim só tenho uma segunda vida há 2 anos, então dá para descartar!). O problema todo é que algumas vezes a impressão que fazemos sobre alguém a partir da 2ª vida dela reflete no trato que teremos com ela na vida nº 1.
Loucuras do século XXI, no qual os laços se tornam cada vez mais efêmeros; no qual a vida virtual mostra-se mais conveniente do que a real, afinal, na virtual todos os laços podem ser feitos e desfeitos (como na velocidade de um adicionar e um deletar no MSN). Pessoas dizem namorar com pessoas que nunca viram de verdade, que nunca abraçaram, e com a mesma rapidez deixam de namorar essas pessoas. Pessoas dizem fazer sexo pela internet, quando na verdade nunca sentiram o toque da pele da outra pessoa. Pessoas brigam pela internet, xingam-se, falam coisas que não falariam numa briga cara a cara. Pessoas falam horas por MSN e quando se encontram de verdade não têm assunto, mal trocam um "oi". Muitas vezes as pessoas consideram mais verdadeiro um sorriso forçado numa foto com "amigos" colocada no Orkut do que um abraço real de um amigo sincero. Tudo está muito efêmero, parece que viver assim é menos complexo, sempre dá para "deletar" e "adicionar" as pessoas quando for mais conveniente, sem ter que dar explicações; assim como sempre dá para fazer um "control Z" e fingir que tudo sempre foi do mesmo jeito que antes.
Uma vida dentro da outra. Sabe de uma coisa? Acho que "You only live twice" faz algum sentido...
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