quinta-feira, 18 de abril de 2013

Segura que eu quero ver!

Escrever acalma; obriga as ideias a tentarem se organizar. Me dá um pouco de paz.

Cara, a vida é um fio.

Não é a primeira vez que penso sobre isso, mas cada vez que penso me surpreendo mais, como se fosse a primeira vez que chego a essa constatação.

O que nos mantem vivo é um fio de qualquer coisa muito fino. Sério. É muito fácil morrer. É até contraditório eu dizer no texto anterior que levo a vida como se nunca fosse morrer (o que é verdade) e agora eu vir e dizer que se pode morrer a qualquer momento. Entretanto, a dura realidade é essa, ainda que eu viva como se tivesse todo o tempo do mundo.

Um dos meus vizinhos tem uns 70 e qualquer coisa de idade. Clinicamente - até ontem - ele não tinha qualquer problema de saúde. Minto. Ele não andava normalmente, tinha algum problema que travava as pernas dele, que as deixava tão rígidas que ele mal conseguia andar. Ele tinha muito medo de cair ao andar, ainda que se locomovendo só 2 metros de um cômodo doméstico para outro. Só andava se agarrando às paredes ou sendo puxado pelos braços de alguém. Não saía à rua em razão desse problema. Dizem que era uma doença psicológica, decorrente do medo dele de cair. Vai saber... O que eu sei é que em razão disso, coisas simples, como tomar um banho, eram impossíveis de serem feitas por ele sozinho. No apartamento dele moram duas filhas e a mulher dele - uma senhora de uns 80 e tantos anos -, motivo pelo qual algumas vezes eu tive que ajudar a dar banho nele. Nunca tive nojinho dele estar cagado em algumas ocasiões ou sei lá o quê. Sou meio frio com essas coisas. Sei que não tenho noção de enfermagem e tampouco físico muito privilegiado para ajudar a segurar alguém mais pesado que eu. Mas sei lá. Acho que há boas ações que não devemos hesitar em realizar; há ações que só precisam de alguém para realizá-las e que devem ser feitas porque simplesmente precisam ser; todo o resto é besteira.

Enfim. Ontem pela manhã fui chamado a ajudá-lo. Não foi para um banho. Ele havia caído no banheiro, estava mijado e meio gélido. A esposa, uma das filhas e um filho dele que veio ajudar conseguiram colocâ-lo sentado em um banco no banheiro, todavia, ele não conseguia levantar a cabeça, falar e estava meio mole fisicamente (não conseguia manter-se sentado com a coluna ereta, precisávamos segurá-lo). Apesar disso, estava consciente e com movimentos nos braços. Me chamaram porque talvez eu pudesse ajudar o filho dele a colocá-lo em outro cômodo, contudo, uma vez que o senhor estava meio gélido e mole, preferimos segurá-lo sentado e acionar o SAMU. Tendo em vista que eu era o mais calmo no momento e que o senhor sempre confiou muito em mim por me julgar "estudado", tratei de ir conversando com ele para acalmá-lo enquanto esperávamos ajuda médica. Disse a ele para não ter medo, que tudo ia acabar bem logo, ainda que eu não tivesse qualquer certeza acerca disso.

E veio o SAMU. Os paramédicos, com minha ajuda e do filho do senhor, conseguiram colocá-lo sentado no sofá da sala. Após uma série de perguntas e exames rápidos decidiram removê-lo para um hospital para a realização de exames mais completos. Diagnóstico inicial: o senhor estava com a pressão bem alta, embora não fosse hipertenso ou tivesse alguma doença que justificasse esse aumento. Pelo cenário, eu que não tenho qualquer conhecimento de medicina, imaginei que era só um susto e que depois de fazer alguns exames e, no máximo, ser medicado, ele retornaria para casa - talvez ainda no mesmo dia. Foi mais ou menos isso que eu disse aos familiares dele para acalmá-los. E assim descemos o senhor por 3 andares de escadas em direção à ambulância. Levaram-no.

Então eis que 30 minutos depois recebo uma ligação da filha do senhor aos prantos dizendo que logo nos primeiros exames no hospital diagnosticaram uma hemorragia cerebral e que o velhinho ia ter que ser operado às pressas.

Um dia depois (hoje) ele está inconsciente e com grande chance de morrer a qualquer momento. E pensar que ontem eu disse a ele - olhando nos olhos dele - para não ter medo, pois daria tudo certo...

Como eu disse antes, essa não é a primeira vez que penso na fragilidade da vida. Já fui à janela com um pedaço de pão na mão e vi um vizinho ter uma morte súbita no meio da rua às 6:30 da manhã. Já vi um cara saudável passar o domingo no mesmo churrasco que eu e três dias depois morrer no hospital por complicações de uma apendicite que ele nunca soube ter. Fora os inúmeros casos que já vi na TV de gente morrendo do nada.

Sabe... É muito fácil morrer. Você pode morrer estando num ônibus desgovernado, tomando uma bala perdida, bebendo/comendo algo contaminado, indo em uma boate exatamente no dia em que ela vai pegar fogo (incêndio na Boate Kiss), tendo seu carro engolido na estrada por um motorista embriagado, estando em um avião que vai cair, sendo atropelado por um motorista que perde o controle do carro e invade inesperadamente a sua calçada ou simplesmente tendo uma veia estourando subitamente dentro de sua cabeça.

É muito fácil morrer. Nossa existência é muito frágil. O que nos faz ter a certeza de que terminaremos o dia de amanhã? Não há qualquer certeza. A verdade é que se pode morrer sem sequer sair de casa. Todos os dias temos muitas relações com o mundo, tanto de maneira consciente como insconsciente. Temos contato com muitas variantes que não podemos controlar. É como se todos os dias tivéssemos a oportunidade de morrer. Não quero ser pessimista, mas apenas demonstrar que somos algo muito frágil no universo, que não temos controle sequer sobre a nossa "hora". O que te fez terminar o dia de hoje vivo? Sorte? Deus? Destino? Seja lá qual for a sua resposta, seja grato. Quando a morte te escolhe, não dá pra segurar. Ela vem e leva.

A verdade é que é fácil morrer; difícil é viver.

Que esta não seja a hora do Sr. Valdir.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Balanço

De coração aberto para falar sobre assuntos que raramente gosto de conversar.

Tenho uma relação peculiar com o tempo. Pelo menos penso que tenho. Eu ajo como quem não se importa com ele e ele passa como quem não se importa comigo. E isso causa estranheza em algumas pessoas.

Não vivo como quem acha que pode morrer a qualquer momento - embora eu mesmo já tenha feito um texto neste blog defendendo que esse era o melhor jeito de levar a vida. Ajo como quem tem a certeza de que vai viver até os 100 anos; como quem não tem pressa em fazer o que pode ser feito a longo prazo. Ajo como quem consegue ter controle sobre o tempo e não sente ele passando. Isso tem muitas consequências, sobretudo, na minha falta de pressa em tomar decisões definitivas sobre diversos temas. Alguns dizem que é mera indecisão; eu prefiro dizer que é apenas falta de pressa.

Assim tenho vivido por 23 anos: resolvendo e buscando conquistar imediatamente aquilo de que minha própria subsistência e de minha família monoparental depende "pra ontem" e deixando todo o resto ser conduzido pelo tempo, como ele entender conveniente, até o momento exato de eu decidir em definitivo o que fazer.

Vivo como quem julga ter todo o tempo do mundo pra tudo - ou melhor, quase tudo. No próximo mês pego meu canudo na universidade e daqui há uns 2 meses pego minha carteira da OAB e fecho um ciclo de escolha profissional - isso na cabeça dos comuns. Na minha cabeça, ter uma carteira pra advogar e um diploma de nível superior não fecha qualquer possibilidade. Ainda acho que posso ser astronauta se me dedicar e tiver condições físicas para tal; ainda acho que posso ser campeão mundial de fórmula 1 se começar o quanto antes a andar de kart; e também acho que posso ser campeão olímpico de atletismo se eu começar a treinar. Ainda penso que dá pra ser professor, ator e até padre. "Este cara deve ser louco" - você deve estar pensando. Não sei se sou, mas essa "loucura" toda decorre da minha sensação de que ainda tenho tempo pra fazer quase tudo. Até que me provem de maneira inequívoca que não é possível fazer algo, eu não desacredito. É sério. Eu deixo como um projeto guardado, mas nunca como um projeto arquivado em definitivo.

Apesar desse aparente estado de indecisão, estou certo de que, por ora, vou fazer aquilo que me parece que dá pra fazer e que precisa ser feito por uma questão de subsistência. Não sou de mudar tudo 180º do nada. Achar que ainda tenho tempo pra tudo me faz não ter nunca a sensação de frustração por não ter conseguido concluir algo. A minha regra é não querer planejar tudo. É ter um ponto de partida e deixar o tempo ir ajeitando o resto pro momento oportuno eu ver se dá pra fazer ou não. Construo um caminho sólido sem ignorar que posso ainda construir outros.

Tudo que tenho são 23 anos. Me causa repulsa crer que por estar apto a exercer carreiras jurídicas a minha vida está resolvida. Tenho só 23 anos. O futuro me parece convidativo; não me causa um medo paralisante. Ele me causa curiosidade, vontade de ir e ver o que dá pra fazer. Sem planos de aos 50 anos ser juiz federal. Tenho planos para no máximo daqui a 2 meses, embora eu tenha metas secundárias de longo prazo (ter uma casa, um emprego prazeroso, filhos...). Penso que é preciso ter algumas metas de longo prazo, mas sem qualquer obsessão de cumprí-las. Neste mês conquistei muitas coisas no âmbito profissional e muita gente apareceu para me parabenizar e apontar o que fazer. Como pode quem nunca fez a minha barba querer me dizer com autoridade o que vou ser? Quantas vezes ouvi apontarem meu futuro? Quantas vezes ouvi me dizerem pra onde seguir a partir de agora? Quantas vezes ouvi que agora estou resolvido na vida? Muitas vezes em apenas 1 mês. Ainda bem que sou humilde e atencioso pra educadamente escutar, mas rebelde em obedecer. O meu futuro não é meu e tampouco de qualquer um que dê orientações sobre ele, ainda que de boa vontade. Posso planejá-lo, me preparar pra ele; mas não sei o que ele me reserva. É óbvio que sei que tenho participação na construção desse futuro, mas também sei que não tenho sequer 50% do controle sobre ele. É extremamente provável que eu não vá ganhar 5 mil reais no meu primeiro mês de advogado, como muitos planejam que eu vá ganhar, porém nada aponta em definitivo que eu não posso conseguir isso. Entende? Eu terminei uma fase e não tem nada pronto. Meu pacto com o tempo é assim. Eu deixo ele trabalhar em paz e ele me deixa ir ganhando dias, meses e anos com a sensação de que vou chegar aos 100 anos.

Fracassos? Tenho alguns com 23 anos. Dois me incomodam um pouco mais. Falhei miseravelmente em aprender línguas e na vida afetiva. Lidei com ambos temas naquele esquema de que tenho tempo pra tudo que não diga respeito à subsistência de minha família monoparental. Resultado: perdi uma boa chance que tive de não falar inglês como um aborígene da Austrália e até hoje não agi de modo conclusivo com nenhuma garota. Saliento, no entanto, que ambos fracassos ainda podem ser corrigidos! Quanto às garotas, o meu problema é que lido com elas com a sensação de que tenho todo o tempo do mundo para conquistá-las; sem desespero. Reflexo claro disso é que alguns amigos dizem que eu ainda tento algo com uma garota que conheci na época dos meus estudos para o vestibular em 2007 e que, apesar desse longo tempo, ainda não me resolvi em relação a ela. Em minha defesa tenho a alegar que tirando uma vez que a convidei para ir ao teatro e ela recusou - por um motivo que não sei ao certo se tinha a ver com um desinteresse por mim -, eu pareço nunca ter dado motivos para ela achar que eu estava efetivamente querendo algo com ela. Falha minha? Sim. 6 anos é tempo suficiente para eu já ter resolvido isso. Acho que nunca aprofundei nossos contatos a ponto de chegar numa situação de ela dizer "só te quero como amigo" ou "vamos nos conhecer como mais que amigos" e tenho uma explicação para essa lerdeza. Depois de 6 anos eu continuo achando que não tenho muito a oferecer a ela (ou a qualquer garota) além de um cara de bom coração e disposto a viver com cumplicidade o que tiver que ser vivido. Sei lá. Sinto que me faltam coisas que outros caras parecem poder dar (nem dançar eu sei - rsrs) e um pouco de referência para saber o que fazer no caso de conseguir convencê-la a me dar uma chance. Além disso, nunca soube se atendo ao nível que ela espera em um rapaz e nunca senti muita reciprocidade por parte dela no que tange a sentir algo maior do que amizade por mim. Enfim, hoje não estou tentando nada de concreto com ela, embora ainda não a tenha descartado, como quase tudo na vida. Apesar disso, meus amigos erroneamente entendem isso como um "não desistiu dela e não tem olhos para mais ninguém". Desistir, de fato eu não desisti, mas porque não desisto de quase nada na vida, e não porque eu só queira ela.

Apesar desses insucessos, eu vejo como virtude levar a vida sem excluir em definitivo algum caminho. Tento sempre entrar em uma porta específica e deixar todas as outras entreabertas. Ou seja, eu me decido, mas nunca à caneta. Escrevo minha vida a lápis e só passo caneta naquilo que julgo não ter risco de ser desfeito. Veja bem. Eu tomo decisões; caso contrário eu não teria chegado a lugar nenhum aos 23 anos e estaria imerso quase que numa anarquia comportamental. Mas eu também não planejo nada para muito distante. Dizem que é coisa de gente que pensa pequeno. Não sei. Só sei que até hoje conquistei muitas coisas que não planejei com antecedência e que para muitos seriam consideradas conquistas grandes. Pra mim é tudo natural. No tempo certo eu alcanço o sucesso profissional. No tempo certo eu terei a oportunidade de casar e ter filhos. No tempo certo eu morrerei. Deixo o tempo fazer o papel dele e vou tentando influencia-lo, sem obriga-lo a me conceder nada.

Antes de concluir, resta responder a uma indagação sua, qual seja: "Quando perceber enfim que não há tempo para fazer tudo ou ser tudo que ainda pensa em ser na vida, como irá reagir? Irá se frustrar?" Respondo: Me frustrar jamais. Tento apenas estar pronto e tentar fazer as oportunidades surgirem. Se não der pra ser, por exemplo, um astronauta, irei me conformar, desde que eu tenha a certeza de que fiz tudo aquilo que me competia fazer no tempo em que precisei tomar decisões que abortaram o projeto. E se eu não tiver a certeza de que fiz tudo também não me frustrarei, pois sei que não se pode ser tudo ao mesmo tempo na vida, ainda que se queira. Vou te dizer uma coisa, pode parecer que não, mas quando preciso eu sei me decidir e passar a caneta. O problema é que tem muita gente que tem uma noção de tempo diferente da minha e por isso me rotula de indeciso. Paciência.

Nesta semana, vi um jornalista dizendo que Neymar tem apenas 21 anos e não pode carregar o peso de ter que vencer uma copa do mundo com essa idade, principalmente por ser a primeira dele. E eu? Aos 23 anos preciso ser obrigado a fazer escolhas vencedoras na vida? É evidente que tenho que fazer escolhas, mas e se eu errar? Acabou? Estarei condenado ao fracasso do mau caminho que escolhi? Claro que não. O Neymar poderá jogar e vencer muitas copas na vida, ainda que perca a de 2014, e eu ainda terei muitos anos para viver, fazer escolhas que estarão certas e corrigir escolhas erradas do passado.

23 anos. É tudo que tenho - e muito pouco perto do que ainda posso ter.

Esse é o meu balanço.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Às vezes eu acho que sou um pouco atormentado da cabeça por ficar pensando em coisas assim. Espero que eu não seja o único desocupado que já parou para pensar sobre isto.

Aqui na região metropolitana de Vitória os ônibus intermunicipais (creio que todos) têm bancos amarelos especiais na metade do veículo; bancos reservados para idosos, gestantes, lactantes... e obesos. Quero me reservar a falar apenas do último grupo. Cara, há um critério objetivo para definir o que seria uma pessoa obesa? Tipo, para os idosos o critério é 65 anos, para as grávidas é a barriga, para as lactantes são as crianças de colo, mas e para os obesos? Você deve estar pensando: "O critério também é objetivo; é o peso." Mais ou menos. Qual peso define um obeso?

Eu pessoalmente penso que há uma objetividade implícita, ou seja, há casos em que a obesidade é incontestável, qualquer pessoa com meio cérebro consegue concluir que é um grave problema de peso. Mas, em regra, não é fácil estabelecer um critério. Se o critério for ter condições de entalar na roleta, ainda assim ele não será claro, porque muita gente razoavelmente gorda (fora dos casos que entendo serem extremos) tem sérias dificuldades para encarar a roleta.

Aonde quero chegar? Quero chegar no ponto de que se você estiver sentado num dos bancos amarelos e entrar uma pessoa gorda, fora daqueles casos EXTREMOS que são incontestavelmente quadros de obesidade, você nunca vai saber ao certo se deve oferecer o lugar para a pessoa gorda ou se deve esperar ela pedir o lugar.

 

É constrangedor para ambas as partes. Pode ser constrangedor para mim que ofereço um lugar a quem preciso atribuir, segundo meus próprios critérios, o rótulo de obeso, bem como para a pessoa convidada a sentar-se, que caso não seja obesa ou tenha algum tipo de problema em se aceitar assim, irá se sentir ofendida. Já no caso inverso, ou seja, no caso de o obeso pedir para eu me levantar para ele sentar-se, a situação será igualmente constrangedora, só que mais para ele do que para mim.

Enfim, os bancos amarelos não nasceram para ser usados por obesos. Nunca vi ninguém oferecendo-os a alguém possivelmente obeso ou então uma pessoa efetivamente nessa situação pedindo para sentar-se neles. Ninguém se arrisca a criar ou a passar por esse constrangimento. Resultado: os gordos, inclusive os flagrantemente obesos, ficam dividindo bancos espremidos com passageiros "comuns" ou ficam em pé suportando suas dores nas articulações. É um direito que ninguém parece poder usar ou aplicar sem ter que se submeter a um dano, ainda que leve, de ordem moral.

E tem mais. Quem tem coragem de após sentar-se em uma cadeira comum, ao lado de uma pessoa que não imaginava ser tão gorda, levantar-se inexplicavelmente e seguir a viagem em pé? Melhor seguir espremido ou levanter-se e deixar em evidência que o peso da pessoa é o que me impede de me sentar ao lado dela? Será que não seria um favor eu me levantar e deixar a pessoa pesada mais confortável sentada só?

Da série: Dúvidas cruéis que só devem existir na cabeça de um cara atormentado como eu.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

[Curtinha] Um peso. Duas medidas.

Já faz algum tempo que tenho ouvido por aí gente dizendo aos quatro cantos que o mundo é bi e que pessoas modernas são bissexuais. Pra mim, sinceramente, quem diz que alguém é moderno porque é bissexual incorre no mesmo preconceito que comete o heterossexual que diz que alguém é inferior por ser homossexual. Usa-se o mesmo peso (orientação sexual) para diminuir o outro grupo. A diferença é que ainda soa estranho conceber que um heterossexual possa ser alvo de preconceito por quem não é. Ora, desde quando opção sexual é sinônimo de vanguarda ou de atraso? É por essas e outras que sempre vejo com certa reserva o tema discriminação.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

República Popular das Bundas

Responda-me o mais rápido que puder à seguinte pergunta: quanto custa uma bunda no Brasil? Não me refiro a uma prótese de silicone e tampouco ao custo do sexo anal no mercado do sexo. Me refiro ao valor potencial de uma bunda; àquilo que se pode conquistar neste país tendo um generoso pedaço de carne na parte traseira do corpo. Desculpe se estou sendo um pouco grosseiro perguntando algo assim neste blog, mas sério, eu gostaria, sinceramente, de poder mensurar o valor de uma boa bunda na nossa sociedade.

Essa dúvida se tornou cada vez mais presente na minha vida no mês passado, durante o concurso Miss Bumbum 2012. Ver as concorrentes desse concurso exibindo a bunda em rede nacional pedindo votos não é o que me deixou incomodado durante o período que antecedeu esse concurso, e sim, a relação que as bundudas mantinham com suas próprias bundas; o quanto pareciam ser dependentes delas. Por um segundo tive a sensação de que perder as duas mãos não seria mais traumático para aquelas mulheres do que sofrer uma queimadura de 3ª grau nas nádegas. Por quê? Porque aquelas mulheres tiravam a sobrevivência delas de seus próprios bumbuns. Sem mãos elas talvez não pudessem estudar ou trabalhar, mas com bundas elas poderiam dominar o mundo (ao menos o Brasil), mesmo sem mãos.

Acompanhando as muitas entrevistas dadas pelas mulheres tanajuras durante o período que antecedeu o fim do concurso percebi que cuidar de suas nádegas (malhação, tratamentos estéticos, etc.) era a atividade que consumia a maior parte dos dias delas, algo que, aliás, era dito com um certo ar de orgulho por cada uma delas. Elas viviam em função de suas bundas e não pareciam querer e ter outra opção na vida.

Sendo mais razoável, se o corpo (ou parte dele) é o instrumento de trabalho dessas mulheres, é natural que elas tenham que ter cuidados com ele além daqueles tidos pelas pessoas que não dependem da estética corporal para pagar suas contas. Ou seja, é de se esperar que elas dediquem horas de seus dias cuidando de seu meio de trabalho. Isso não é o que me incomoda. Digo mais, simplesmente por trabalharem licitamente essas profissionais merecem meu respeito. No entanto, isso não me impede de fazer algumas objeções.

O que realmente me deixou desconfortável "acompanhando" o Miss Bumbum 2012 foi perceber o quanto se pode conquistar neste país tendo SÓ uma bunda bonita (apenas a bunda já é o suficiente, aliás, uma parte considerável das concorrentes do Miss Bumbum tinham rostos feios) e o quanto isso pode motivar algumas pessoas a não buscar se qualificar de outra forma que não acumulando carne e músculo no traseiro. Tive a sensação de que uma mulher bunduda precisa apenas ter bunda e saber utilizá-la de "n" maneiras quando necessário for. Não precisa sequer saber ler e escrever. Tive a sensação de que neste país é mais fácil vencer investindo no próprio corpo do que correndo atrás de um diploma. As "raimundas" são preparadas como os jogadores de futebol nas categorias de base. Não precisam estudar; não enquanto forem capazes de se manter com seus próprios bundões. E digo mais, aposto que hoje muita garota já percebeu que é mais fácil subir na vida com um belo corpo do que com estudo. Preconceito? Machismo? Se for, não é só meu, porque é assim que a sociedade trata as popozudas. Como gostamos delas neste país... Gretchen, Carla Perez, Rita Cadillac, mulheres frutas e outras mais não me deixam mentir. Acho que se um dia eu tiver uma filha vou estimulá-la desde jovem a não estudar e a investir tudo na "poupança" (brincadeira). Parece que no Brasil se pode tudo com uma bunda grande; basta querer e tentar que se consegue (emprego, dinheiro, casamento, fama etc). Somos a República Popular das Bundas. Como dizíamos na infância em uma brincadeira na escola: "Ordem e progresso. Abaixe as calças e faça sucesso".

O que quero afinal falando desse tema? Quero acabar com as potrancas? Não. De forma alguma. Melhor uma bunda bem cuidada na TV do que uma bunda em braille. No entanto, o que gostaria, sinceramente, é que não fôssemos tão cegos por bundas no Brasil e que as bundudas não dependessem tanto disso para sobreviver neste país. Gostaria que fôssemos capazes de colocar cada coisa no seu devido lugar e dar a elas o valor que fazem por merecer. Bundas são boas, mas não devem ter mais atenção do que merecem. É meio complicado falar disso, envolve comportamento, mercado, instintos e blá blá blá. De verdade, gostaria apenas que as moças do Miss Bumbum tivessem estudo/qualificação suficiente para conseguir sobreviver sem meia banda de bunda se precisarem algum dia. Desejo, de coração, o melhor para todas elas. Sonho com o dia em que seremos capazes de remunerar melhor quem faz esse país crescer do que quem consegue apenas fazer suas próprias nádegas aumentar.

E aí? Já sabe me dizer quanto custa uma bunda no Brasil?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Cadê o dinheiro?

Poucas coisas dividem tanto a opinião pública atualmente no Brasil como o fato de o país ser sede de uma Copa do Mundo em 2014 e de uma Olimpíadas em 2016.

Aqueles que se opõem à realização desses eventos no país sustentam quase em uníssono que é um desperdício de dinheiro público e que o Brasil, ao invés de assumir gastos bilionários com obras necessárias para ambos eventos esportivos, deveria investir esse dinheiro nas verdadeiras prioridades nacionais: erradicar a pobreza; melhorar a saúde e a educação pública etc. Isso pode parecer bonito e sensato. Mas, sinceramente, me soa algo muito utópico.

A verdade, pelo menos pra mim, é que somos um país rico. Minto, somos um país MUITO RICO. Em outras palavras, somos um país tão rico que seríamos capazes de sediar uma Copa do Mundo todo ano sem vivermos significativos problemas financeiros. Se faltam ensino e saúde de qualidade, por exemplo, não é por falta de dinheiro público, mas por má gestão pública, planejamento mal feito, má divisão e mau uso dos recursos existentes. O dinheiro existe, senhores!

Há servidores públicos de nível médio nesse país que ganham mais do que funcionários pós-graduados da iniciativa privada. Há obras públicas faraônicas realizadas para a prestação de serviços que sequer têm grande demanda. Há órgãos públicos nos quais as poltronas da sala de espera custam mais do que um dia de merenda de uma turma completa na escola pública. Há diárias recebidas por membros dos 3 Poderes em viagem que custam mais do que remédios que faltam diariamente nos hospitais públicos.

Neste país não falta dinheiro! É isso que às vezes me dá vontade de gritar a plenos pulmões pela janela do ônibus. Somos um país rico com mentalidade de país pobre. Tem gente (inocente) que realmente acredita que não sediar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíadas assegura dinheiro para ser investido na educação ou na saúde. Esse dinheiro, se não fosse gasto nesses eventos, seria desperdiçado de outra forma. Seria, como de regra, comido pelos corruptos e pelos privilégios daqueles que vivem às custas do Estado e pouco produzem. Pra mim, é ilógico crer que os recursos não gastos com uma Copa e uma Olimpíadas poderiam, contrariando nosso histórico de mau uso de dinheiro público, ter sido empregados para atender demandas sociais. Nesse contexto, na minha visão, quem defende não gastar recursos realizando esses eventos é como o dono de uma propriedade improdutiva há décadas que não aceita tê-la usada para reforma agrária porque ainda pretende fazer uso dela no futuro. Economizar dinheiro não realizando a Copa e as Olimpíadas seria guardar dinheiro público sob a alegação de que queremos fazer com ele o que raramente fazemos.

Sinceramente, prefiro ver estradas, aeroportos, transporte urbano e outros serviços sendo melhorados NA MARRA porque vamos receber o mundo em 2014 e 2016 do que ver esse dinheiro sendo devorado, com sempre, pela falta de gestão dos administradores públicos. Os estádios estão custando caro? Há dinheiro consumido pela corrupção nas obras da Copa e das Olimpíadas? Sim. Outro sim. Serão bilhões investidos para no máximo 3 meses (somando os dois eventos) de pão e circo? Sim. Entretanto, também acredito que nem tudo será só tragédia. Ora, sediar tais eventos na fudida América do Sul vai mudar muito a visão que o mundo tem do Brasil e desse lado do planeta. Vai ter um efeito muito positivo para nossa respeitabilidade internacional. O mundo vai descobrir, enfim, que na América do Sul as pessoas não vivem em meio aos macacos e as anacondas, que nem toda brasileira é mulata, que só existe carnaval uma vez no ano e que aqui há coisas que funcionam tão bem ou até melhor do que na Europa.

Lamento discordar dos que acreditam que uma Copa e uma Olimpíadas são para nós apenas desperdício de dinheiro. Nesse assunto, o "povão alienado" que quer a Copa do Mundo me parece mais correto do que os intelectuais que são contrários a esses eventos. Erra (sonha) quem acredita que não gastar recursos públicos com Copa e Olimpíadas assegura dinheiro para prioridades nacionais. Esse gasto é mixaria para um país como o nosso. Desculpe, mas o Brasil não é pobre e não precisa economizar bilhões para conseguir atender demandas sociais. O dinheiro existe, me arrisco a dizer que sempre existiu. Se falta saúde, educação, segurança etc é porque falta gestão; bom uso dos recursos existentes. Que venha 2014 e 2016.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PARE

OLHE



ESCUTE

Dias de Malásia.
Vai.
Vai pra cima.
Não deixe de ir.
O tempo é escasso e a inércia tira a sensibilidade.
Se suje. Se enlambuze. Só não fique limpo.
Jogue-se. Se precisar rasteje pelas trincheiras. Só não fique parado.
Encare. Finja. Seja duro mesmo na fraqueza.
Decisões precisam ser rápidas e aparentarem ser corretas, ainda que erradas.
Ninguém nota, mas todos fingem se importar.
As mãos precisam ser mais rápidas do que hábeis.
Produção em larga escala.
Se hesitar vai atrapalhar. Se pensar demais vai estragar.
Faça. Como eles não fazem. Do seu jeito.
Rompa. Chute a porta. Entre sem bater.
Faça acontecer.
Só não fique esperando pra ver.
Não pague. Pule.
Tome tiro, mas não tome bomba.
Vença mesmo perdendo.
Perca para aprender a vencer.
Mas vença.
Tudo em meia hora ou nada.
Tudo.

SIGA

"Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." (Martin Luther King. Jr.)