terça-feira, 14 de julho de 2009

Você é esperto?

O brasileiro é o povo mais esperto do mundo. Sim, o mais esperto, mas não o mais inteligente. Nossa cultura valoriza a esperteza, não a inteligência. Ué, não são a mesma coisa? Creio que não. Leia, reflita e concorde ou não comigo.

Quando me refiro à inteligência, refiro-me a um elevado nível de conhecimento sobre qualquer assunto (capaz de fazer alguém estar acima da média), sendo o fator distintivo desse saber o fato dele ser perene. Um conhecimento perene não se desmancha espontâneamente de uma hora para outra e não pode ser adquirido facilmente, exige tempo e dedicação; a única possível exceção a essa regra (a única que eu cogito) seriam os casos de pessoas que já nascem com uma aptidão natural para algo, contudo, mesmo essas pessoas não descobrem suas aptidões rapidamente, elas necessitam desenvolver melhor suas aptidões e só assim construir um saber que possa atribuir-lhes dignamente o adjetivo de inteligente. Assim, todos podem ser inteligentes, afinal, todos podem construir conhecimentos perenes que atinjam um grau singular em relação ao saber das outras pessoas sobre um assunto, mas poucos realmente se interessam e buscam desenvolver seus saberes, são as causas disso que pretendo analisar aqui.

O brasileiro comum não almeja ser inteligente em algo, afinal, isso leva tempo; o que importa é ser esperto, é saber macetes, é saber jeitinhos. Muitos alegam que isso é exigência do mercado de trabalho, que é reflexo da deficiência das escolas, não discordo totalmente, mas o capitalismo e o Governo não podem e não devem ser apontados como os responsáveis por todos os males que vivemos em nossa sociedade, acusar sempre os dois é agir como alguns idosos que só têm um assunto: reclamar de doença. É ser um disco travado! O simples fato de não pensarmos em outras causas já representa o típico problema que pretendo apontar aqui, um problema que todos têm vergonha de assumir: o brasileiro tem preguiça de pensar!



Hã? Você achou uma ofensa? Não se ofenda comigo. Eu explico. É mais cômodo não pensar, pensar dá trabalho, toma tempo, pode não trazer respostas logo e cansa... Vamos parar de pensar e ir fazer outra coisa? Pode falar, é tentador parar aqui né, o texto é muito grande... última chance hein... 1...2...3... OK! Você resistiu, então vamos seguir. Quando digo preguiça de pensar eu não me refiro a ser burro, como erroneamente possa parecer, mas me refiro a ser muito prático e querer sempre levar alguma vantagem. Gostamos (eu me incluo, afinal, também sou brasileiro) de fórmulas feitas, gostamos de nos destacarmos pela esperteza, gostamos de crescer sem esforço, gostamos de dinheiro rápido e fácil, ou seja, gostamos da rapidez e da facilidade. Ser esperto é mais fácil do que ser inteligente, dá menos trabalho.


Exemplos disso podem ser visto em todas as faixas etárias, para exemplificar eu posso citar a galera (cada vez com mais adeptos) que se julga mais INTELIGENTE que os colegas e que o próprio professor ao passar com uma nota alta colando nas provas e não tendo que estudar. Sim, eles se acham INTELIGENTES. Hahahahaha. Eu não me contenho, eles são muito engraçados... Se fossem inteligentes eles iam se preocupar em aprender e não em colar, afinal, colando você não aprende, no primeiro vento tudo que você decorou ou colou é levado embora de você. Outros exemplos não faltam, olhe ao redor, todo mundo parece pensar assim, até você, a culpa é sua? Talvez em parte, mas todos são culpados, o problema é tão feio que parece até que a esperteza é algo genético do brasileiro. O problema é que já nos acostumamos a achar isso normal, até por isso nos sentimos tentados a agir assim, enquanto acharmos isso normal não vamos evoluir, pois essa mania de esperteza está corroendo nosso país, está corrompendo nossas instituições políticas, está corrompendo nossos servidores públicos, está corrompendo nossos estudantes, está corrompendo os ainda honestos, está corrompendo nossos valores morais.




O brasileiro está mais preocupado com o presente do que com o futuro, por isso prefere saber o suficiente para o momento em que vive, ele não pensa em aperfeiçoar o que já sabe, ele quer o saber momentâneo, ele quer a solução do agora, ele não quer saber soluções para diversas situações futuras. Devemos viver o presente, mas em matéria de conhecimento devemos pensar no futuro, é mais seguro ter um saber perene, afinal, o que você aprende ninguém mais te tira, faz parte de seu patrimônio pessoal. Achar soluções temporárias baseadas na esperteza dá prazer, dá uma sensação de que se é muito inteligente, mas é pura ilusão.

Nossa cultura acha bonito resolver tudo com esperteza, valorizamos os espertos como se fossem gênios, ninguém sabe, por exemplo, os nomes dos maiores cientistas do país, mas dos bandidos que deram grandes golpes sabemos e sentimos prazer em saber, mas quem engana a lei não é inteligente, pode no máximo ser esperto, afinal, alguma hora da vida ele sofrerá as consequências de seu saber temporário.


Até no futebol valorizamos mais os jogadores que conseguem enganar a arbitragem cavando faltas do que aqueles que persistem em tentar fazer uma jogada quando tocados pelo adversário

Cultuamos a esperteza e mal sabemos que assim cavamos nossa cova, estamos construindo um país que aparenta ao mundo ser confiável, forte e rico, mas por dentro estamos podres em nossa composição, só nós sabemos disso, mas não queremos acreditar. Podemos ficar mais ricos, mas em razão da esperteza de alguns, só uns poucos vão ter acesso a essas riquezas, coisas de um país de gente esperta...

Ainda é tempo de fazer algo, de tentar mudar esse vício cultural que NÃO É GENÉTICO do brasileiro, podemos mudar essa concepção de mundo aceita como natural em nossa sociedade, ah, mas sabe de uma coisa? Deixa isso pra lá, vai dar trabalho pensar no que fazer, vamos pro Orkut ou ver Big Brother, depois a gente pensa...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Livre", mas sem luz para guiar-se

Toda vez que passo um tempo fora de casa sinto desejo de escrever por aqui, você imagina por quê? É algo meio óbvio. A resposta é que tenho a oportunidade de ver melhor a realidade ao redor, já que é uma oportunidade de abondonar minha redoma de vidro. Foi assim que tive a oportunidade de observar a falta de rumo da juventude brasileira nas periferias.

Jovens totalmente desorientados, sem noções mínimas de valores morais, de respeito ao próximo e quase sempre tentando estar anestesiados da realidade. Viva aos tempos modernos! Viva à liberdade total! Pelo visto fazem muito bem à nossa juventude. Não nego que a juventude de hoje é mais livre para escolher seus rumos, contudo não posso deixar de salientar que não se pode escolher seus próprios rumos quando não se tem as direções mínimas para isso. Você não entendeu o que eu quis dizer? Explico.

A quem cabe a educação das crianças? (Essa pergunta ainda tem sentido, afinal, o homem ainda crê que as crianças precisam ser educadas, apesar delas parecerem cada vez mais independentes) Você diria que cabe à família, mas você já reparou que essa instituição está em crise? A desagregação familiar é fato concreto em nossa sociedade, não podemos fingir, não sejamos hipócritas! Quando falo em desagregação, penso em: filhos sem pai; jovens grávidas na adolescência; adolescentes com mais de um filho para criar; mulheres pobres com muitos filhos; pais sendo modernamente escravizados, ops, trabalhando o dia todo e sem tempo para os filhos; violência doméstica; pai e/ou mãe que chega(m) sempre alcoolizado(s) em casa; prostituição; abusos sexuais; e por aí vai...

Ok, creio que essa "família" moderna não tá dando conta de educar os filhos, a quem você apela para educar as crianças? Igreja? Eu diria que sim, afinal, no passado a família e a igreja andavam juntas na educação das crianças, e isso costumava funcionar bem. Tá bom, você vai alegar que era uma educação que estimulava o medo, pode até ser, mas ela ensinava algo que não se ensina mais tanto: respeito aos pais e ao próximo. Acontece é que nessa onda de independência e de liberdade total (Viva à liberdade total!) o homem passou a ver a igreja como um obstáculo à liberdade do homem civilizado e evoluído, como algo que a todo tempo prega que os melhores e mais fáceis meios para prosperar financeiramente na vida são errados, ou seja, o homem passou a ver a igreja como um grilo chato que fica gritando ideias antiquadas à ética do homem capitalista. O que fez o tão sábio homem moderno? Tem se mantido o mais afastado possível da igreja e tem afastado seus filhos dela também. Resultado, os pais perderam um importante aliado na educação de seus filhos.

Logo, o pepino de educar a molecada sem base familiar e religiosa sobrou para quem? Para a fantástica escola pública. Os moleques estão chegando na escola sem respeitar os pais, você acha que eles estão respeitando os professores e obedecendo-os? Você acha que eles estão dando valor para os esforços que os seus professores fazem para ensiná-los num cenário de escola pública sem estrutura? NÃO!

Diante da falta de educação familiar, religiosa e escolar, as crianças estão aprendendo muito com as mídias, afinal, estamos na era das comunicações, e nada consegue chamar mais a atenção dos mais jovens e incutir ideias capitalistas mais rapidamente do que os meios de comunicação. O que as mídias ensinam? "Se você quer ser alguém, você deve consumir os melhores produtos"; "Você deve ser sempre o mais esperto"; "Você precisa ter dinheiro para poder curtir a vida"; "Busque os meios mais fáceis e rápidos para enriquecer"; "Veja o outro como um obstáculo para seu sucesso". Tudo bem que as mensagens não são assim tão diretas, mas na prática querem dizer isso. Tais ideias são assimiladas pelos jovens da periferia, assim como por todos nós, contudo, no caso desses jovens que cresceram sem a devida educação e orientação, tais ideias são ainda mais sedutoras e parecem descrever algo 100% real, o que aumenta ainda mais a sensação de exclusão e acentua a necessidade de ter que de alguma forma tentar entrar para o mundo dos sonhos, o mundo da grana, pois só consumindo pode-se ser feliz.

É aí que aparecem as drogas, afinal, elas anestesiam a juventude pobre do sofrimento de fazer parte do mundo real e não daquele mundo dos carros e motos importados, das mansões, das famílias ricas e felizes, mundo de ilusões mostrado a todo tempo pelas mídias; por alguns momentos as drogas levam os jovens para um outro mundo. Elas também podem significar prosperidade econômica para essa juventude pobre e sem a devida formação escolar, já que o narcotráfico sempre está precisando de mão-de-obra e paga mais do que muitos empregos formais. O que atrai o jovem para esse "negócio" não é só a possibilidade de ter uma atividade que lhe remunere sem exigir estudo, mas a possibilidade de prosperar nesse ramo e de assim poder ter mais facilmente o acesso a produtos caros e de "marca", o que seria uma passagem de ida para o mundo dos sonhos capitalistas, uma passagem paga na maioria das vezes com a própria vida.

Essa grande cadeia explica em parte o crescente aumento do consumo de drogas nas periferias e consequentemente da violência nos grandes centros urbanos, onde as mídias são mais presentes. O engraçado é que os veículos de comunicação discutem o fenômeno alegando a falha estrutural das famílias brasileiras e a má gestão dos políticos, que gera desigualdades e que é incapaz de permitir a todos viver dignamente e em iguais condições de vida. Não discordo dos argumentos deles, mas eles esquecem de coisas fundamentais: das ideologias consumistas que veiculam; de como estimulam o consumo de futilidades que apresentam como sendo indispensáveis na vida; de como suas mensagens mercadológicas influênciam na vida dos jovens sem perspectivas de vida; entre outras coisas. Os meios de comunicação esquecem da colaboração deles porque é mais cômodo dar lição de moral, por meio dos telejornais, jogando a culpa na sociedade e no Estado e ficar vendendo ideias e produtos fúteis nas novelas, nos programas e nos comerciais. Hoje as mídias não dependem de fatos para exitirem, mas sim da venda de futilidades.

E aí? Aonde chegamos nesse grande pensamento abstrato em forma de bola de neve? O fato concreto é que os jovens da periferia estão cada vez mais desorientados, já que não têm mais bases familiares e nem religiosas, e, que estão: cada vez mais alienados pelas ideias que lhe são vendidas pelas mídias; cada vez menos ligados a valores morais mínimos para uma convivência pacífica em sociedade; e dispostos a roubar e matar para poder fugir de sua exclusão social e poder sonhar com as belezas do mundo capitalista.

Assim concluo que de que adianta gritarmos com todo o vigor que somos homens "livres", que derrubamos as ditaduras da igreja e dos governos e que podemos escolher nossos próprios rumos? A falta de uma educação familiar, religiosa e escolar que forneça os valores mínimos que um homem deve ter para viver em sociedade está fazendo com que apesar do poder de escolha aparentemente ilimitado trazido pelo século passado, os jovens da periferia não saibam escolher os melhores rumos, falta orientação! Essa falta de orientação protegida pela ideia de uma total liberdade irá trazer sérios problemas para esses jovens e consequentemente para toda a sociedade, logo, ou deixamos de hipocrisia e assumimos que não somos e não estamos prontos para sermos totalmente livres no atual estágio da sociedade capitalista, e, que ainda necessitamos educar e incutir valores morais nos jovens ou senão iremos ver nossa juventude caminhar na escuridão em direção ao abismo da "Falsa liberdade".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Tempo, tempo, tempo...

Faz dias que eu estava desejando parar um instante para falar sobre o tempo. Sim, do tempo. Já perdi as contas de quantas vezes parei para tentar entendê-lo e continuei sem respostas. O homem tem a pretensão de ter controle sobre tudo que lhe cerca, para isso a ciência é sua principal ferramenta, mas o tempo, podemos até ter tentado controlar , só que ainda não conseguimos e talvez jamais consigamos; eu sinceramente acho que essa será sempre uma eterna pretensão, talvez seja mais fácil fazer algum metal virar ouro do que controlar o tempo. Isso me lembra diretamente a busca incessante pela fonte da juventude no passado (tão mostrada no mundo fantástico dos desenhos animados), se bem que hoje ainda buscamos essa fonte em diversos produtos, muitas vezes sem perceber.

O tempo rege a vida de todos sem nenhuma distinção, passa para todos, talvez seja uma das poucas coisas que todos encaram em comum e que não é um fenômeno da natureza. O que mais me intriga em relação a esse assunto é que tudo a esse respeito é uma incógnita, é surpresa. Um dos exercícios que mais gosto de fazer é tentar lembrar o que eu fazia e vivia há um ano atrás, o que me assusta muitas vezes, pois me faz ver como tantas coisas mudaram, como desejos se tornaram realidade, como idéias foram trocadas por outras que pareciam tão distantes e como algumas coisas se mantêm exatamente da mesma forma com que estavam, mesmo comigo tentando mudá-las. Vivemos tantas mudanças e nem nos damos conta. Isso tudo me intriga.

Sobre esse assunto eu não poderia esquecer de tratar sobre como às vezes sentimos que o tempo voa e outras vezes sentimos que parece que ele teima em não passar, mais uma vez demonstrando o total descontrole que temos sobre ele. Ué? O homem não se diz o senhor de sua vida nos tempos modernos? Mas e o tempo? Por que será que ele não controla? Me parece que temos a pretensão de sermos eternos, por essa razão queremos ter controle sobre tudo, será que teria graça em viver se pudéssemos controlar o tempo? Se pudéssemos, por exemplo, fazê-lo não passar para o nosso corpo, será que teríamos motivação para seguir? Talvez o maior prazer na vida seja seguir com um prazo de validade que não conhecemos, agirmos rumo ao desconhecido, sem saber o que nos espera, sabendo que só o tempo trará a resposta e que a qualquer momento podemos ter nosso tempo expirado. Imagine como seria monótono poder prever tudo que iria nos acontecer e não envelhecer nunca, seríamos como robôs, com açõs programadas, sem sermos surpreendidos por nada novo, isso não seria ser humano, pois não teríamos sensações novas e não estaríamos sempre nos modificando.

Muitos veem (nova ortografia) o tempo como algo dotado de vida própria, eu sinceramente lhe conecto com Deus, ou seja, tenho Deus como o senhor do tempo, sendo o tempo o instrumento usado por Deus para fazer valer seus planos na vida de cada um, creio que a chave do descontrole humano sobre o tempo é essa. Isso não me fecha os horizontes de discussão sobre o tema, contudo, creio que para quem não acredite em Deus o horizonte seja ainda mais amplo.

De modo geral, o tempo sempre nos traz surpresas, isso é o que o faz tão atraente, e o pior é que no final tudo parece fazer sentido, coisas que passamos longas épocas sem entender, o próprio tempo nos responde, tudo acaba se encaixando como num grande quebra-cabeça (isso não é papo de quem quer te convencer que Deus age em nossas vidas, tente ver isso mesmo sem a presença de Deus, a conclusão é a mesma), a ponto de eu, por exemplo, viver confiando nas surpresas do tempo e com calma para esperar o momento certo para entender o que acontece hoje, pois ele parece trazer as respostas na ocasião certa, parece saber o que nos traz, contudo, não me parece sensato viver imóvel esperando os desígnios dele, pois apesar de não termos controle sobre ele, de alguma forma o tempo parece depender das ações humanas para nos ofertar algo, parece depender do que fazemos e poder usar de ações alheias para trazer respostas e mudanças em nossas vidas, sendo algo como uma grande rede onde um influencia, por meio de suas ações individuais, na vida do outro em alguma ocasião.

Logo, ao fim desse pequeno pensamento abstrato que não traz nenhuma informação que você não conseguiria tirar sozinho de sua própria cabeça se quisesse, concluo que não cheguei a nenhuma resposta concreta sobre o tempo. Ué? Não chegar à respostas é ruim? Eu, como metódico assumido, não gosto muito de pensar e não chegar a nenhuma resposta concreta, pois pareço um indivíduo desligado do tempo e do espaço que não quer mudar nada, que como um filósofo só que entender algo, satisfazer egoísticamente um desejo próprio enquanto podia está fazendo algo produtivo para sua vida e a dos outros; apesar disso, reconheço que isso tem sua importância, pois assim se constroem as novas idéias nessa nossa cabeça camaleônica.

É aquela velha discussão sobre as perguntas sem respostas dos filósofos, longe de mim ser filósofo, posso ter filosofado um pouco, mas não queria, acabou saindo, como mais um dos meus pensamentos abstratos. Agora volto aos pensamentos concretos, já perdi muito tempo, ou pouco tempo, não sei, os minutos que se passaram foram os mesmos de sempre, eu que não fui.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Acabou o Natal?

O Natal é uma festa religiosa, dado o valor que possui para o Cristianismo, porém ao analisarmos com atenção como essa data tem sido tratada na sociedade contemporânea veremos que o sentido original da festividade foi significativamente alterado e abalado.

O que se observa é que hoje a data encontra-se veículada diretamente ao consumismo no mês de dezembro, pois ela é apresentada pelas mídias às pessoas mais com um sentido comercial do que religioso em si; isso não significa que as pessoas desconheçam o sentido religioso do Natal, porém significa que dado o bombardeio de mensagens que induzem ao consumo nas datas que antecedem o Natal as pessoas acabam esquecendo o verdadeiro sentido da festa e vendo-a como sinônimo de troca de presentes. Não nego que a troca de presentes seja uma parte da festa, contudo, não traduz toda a significatividade dessa data. Papai Noel não resume tudo, ele é só uma parte do conjunto.

Em nome de uma necessidade de presentear amigos e familiares vendida pelos meios de comunicação, as pessoas acabam comprando a idéia de que sem isso não há Natal, esquecem todo aquele espírito de humanidade e bondade para com os outros e acabam fazendo da festa que é uma confraternização de todos algo egoísta, na qual o que importa é comprar presentes e ser presenteado, sendo a ceia um mero detalhe, uma oportunidade para comer bem e beber bastante álcool.

Nessa altura do texto é possível que você ache que estou exagerando, mas saia na rua para fazer compras nas datas mais próximas do Natal (já que comprar presentes não é o problema que discuto, se é que você me entende) e experimente o espírito natalino das pessoas que estão fazendo compras, principalmente se for uma loja com promoções; talvez você consiga ver pessoas brigando por coisas idiotas (pessoas podem até trocar empurrões para levar uma última mercadoria, por exemplo) e vai entender o que quero dizer quando falo que o espírito de Natal foi trocado pelo desejo de fazer compras. Não nego que isso possa ser algo inconsciente nas pessoas, mas afirmo que isso está aumentando gradativamente, a ponto das crianças associarem Natal diretamente com Papai Noel, esse tal de Jesus é só um pretexto para Papai Noel vir trazer presentes. As crianças são como folhas em branco, crescem e aprendem a cada dia algo ensinado a elas, não aprendem nada sozinhas, logo, se elas pensam assim do Natal, é porque alguém as ensinou a pensar assim ou o contexto ao redor incutiu essa mentalidade nelas.

De repente me vejo jogando pedras no, já espancado por todo metido a revolucionário (não me acho um, pois para eles: "na dúvida, culpe o Neoliberalismo e a ordem econômica vigente como causa para qualquer problema"), Capitalismo e quase esqueço o que mais me motivou a escrever esse texto: o consumo excessivo de álcool no Natal. Vi pessoas passarem a noite de Natal dentro de bares, como se aquela data fosse mais um pretexto para beber, será que o Natal não representa mais nada para os homens? Tudo bem que vejo essa situação por uma ótica cristã, mas partindo do pressuposto que essa é uma festa cristã, não estou errado. Talvez o Natal seja a data na qual os homens mais deveriam se aproximar uns dos outros, mas ao contrário disso muitos preferem beber excessivamente e fazer questão de esquecer a vivência com seus amigos e familiares nessa festa, como se essa fosse uma festa comum a ser levada pelo álcool para as brumas da memória. Sem contar as brigas que ocorrem no Natal em razão de alguém que bebeu demais e as mágoas entre parentes que duram por anos em virtude de um mal entedido causado pelo consumo de álcool em excesso. O problema não é beber, porque isso é uma forma de festejar, mas o problema é passar dos limites e pôr todo o sentido da festa a perder.

Sinceramente tenho medo das pessoas de hoje, elas são capazes de pisar e matar outras pessoas (como ocorre todo ano nos EUA) na entrada de uma loja para fazer compras de Natal; capazes de passar o Natal em uma taberna; e de até matar na noite de Natal. Mais vale fazer pessoas conhecidas felizes com presentes do que pisotear estranhos? Será que a noite de Natal, uma das datas mais importantes dos cristãos deve ser passada dentro de um bar ou de um motel? Será esse o sentido do Natal? Cada um tem a sua própria consciência sobre essa data, mas na minha humilde opinião não há lógica em comemorar hipócritamente como sendo religiosa uma data que só serve para dar e ganhar presentes e beber bastante, pois isso pode ser a festa de aniversário de qualquer um. Acho que Jesus é superior a tudo isso e por isso necessita de um pouco mais de respeito por parte de cada cristão. O Natal deve unir a Humanidade em torno de bons sentimentos e boas ações, nem que seja por um só momento, se não for assim, não há motivo em falar-se em Natal, por isso o que uma parte significativa das pessoas dizem ter comemorado não foi o Natal, talvez comemoraram apenas uma boa ocasião para o comércio lucrar e para poderem beber mais do que geralmente bebem e satisfazer seus próprios desejos.

Talvez esse seja o texto de alguém inocente que ainda acredita em velhas tradições religiosas, mas se for pelo menos saiba que é o texto de alguém que vê o Natal como uma oportunidade de união de todos para fazer e comemorar o bem, até porque creio que fazer o bem seja a missão de cada um de nós nesse planeta.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O começo

Faz muito tempo que penso em pôr no papel algumas reflexões minhas sobre o mundo em que vivemos; quando falo em reflexões não me refiro ao sentido filosófico das coisas, mas à maneira com que elas se apresentam a mim, ou seja, ao modo com que sinto a realidade que me cerca. Não espero que tenha muito a acrescentar ao pensamento da Humanidade, pois não me proponho a isso, mas espero unicamente poder expor publicamente o que sinto ao ver o nosso tempo de alienação e de desrespeito às pessoas; a exposição pública que faço representa o meu não conformismo com o que vejo atentamente, logo, representa uma pequena forma de protesto, uma forma de ação.

Nesse sentido, o blog caiu como uma luva aos meus anseios, pois aqui posso refletir o que desejar com liberdade, algo que não poderia nem se tivesse uma coluna em um jornal (o que não aspiro ter, dada a minha pouca habilidade para isso), pois até nelas os escritores estão limitados a certos interesses e de certa forma condicionados a manifestar idéias que muitas vezes não são suas próprias, mas que agradam a terceiros e/ou conseguem fazer vender jornal.

Contudo, não digo que um blog é um espaço democrático, seria hipocrisia ignorar que a maioria absoluta dos brasileiros ainda não têm acesso à internet e por esse motivo não podem ter acesso ao o que é dito nos blogs.

O fato é que os blogs são espaços de liberdade e não de democracia, pois apesar de não ser algo acessível à leitura de todos, aqui pode-se falar sobre qualquer assunto e manifestar qualquer ponto de vista, levando-se em conta certas regras fundamentais que visam o respeito ao próximo. É certo que essas regras limitam a liberdade de pensamento de quem escreve, mas não nego a importância dessas regras, já que o respeito à dignidade do próximo deve ser inquestionável se quisermos construir uma sociedade mais humana, visto que o respeito ao outro deve pautar nossas ações individuais.

Por fim, quero manifestar minha intenção de escrever de um modo que não agrida profundamente a língua portuguesa, mas como não sou um "Doutor" na minha língua-mãe, tolere meus possíveis erros, pois te garanto que me esforçarei para atrair mais sua atenção com meu pensamento do que com meus possíveis erros de português, apesar de saber que isso será difícil, pois temos o mau hábito de prestarmos mais atenção nas falhas alheias do que nas suas qualidades, principalmente na escrita.

Por muito tempo discriminei os blogs, mas tenho que admitir que estou revendo meus conceitos, pois como ser humano devemos sempre estar em mudança, atentos aos novos tempos e aos novos pensamentos, é nesse sentido que espero aproveitar ao máximo tudo o que um blog tem de bom a oferecer, se em algum momento sentir que ele não serve exatamente ao que pensei, não hesitarei em largá-lo e buscar outra forma de expressar meus pensamentos sobre o mundo. Pois creio ser da natureza humana se aprimorar e buscar sempre o melhor.