2 meses passam rápido. Parece que ainda ontem escrevia pela última vez. Já dizia Nelson, o Rodrigues, que a maior utopia do homem é encontrar um ouvinte. Ou talvez, acrescento eu, ter um blog para escrever, ser um muro de lamentações, confissões, declarações, divagações ou criação.
Às vezes é preciso carregar o piano no braço, com raça e "maracatu atômico". Só olhar pra frente e acreditar que a tempestade vai acabar e que se está quase chegando no local de descarregar o piano. Controlar a respiração e ir, firme, segurando a barra sem soltar. Tem que ter raça. Aliás, respeito quem tem raça no que faz. Raça envolve coração, comprometimento e coragem. Envolve confiar, andar sem saber se ao fim haverá um ponto de repouso para se descansar ou um piano ainda maior a ser carregar. E no fim, pode ser que não tenha valido de nada.
Mas é preciso viver com raça. Nos faz mais inconsequentes, mais humanos.
Talvez Nelson nunca o tenha dito, mas ter certezas na vida parece fundamental. É preciso acreditar que na próxima manhã haverá uma vida a se viver, embora esta convicção dependa de tantas pequenas coisas que passam, desde a procedência da bala-bombom que compraram em um semáforo e me deram, até a "sorte" de não encontrar alguém armado na esquina de casa e cheio de maldade.
A vida é assim. Um encontro com a maldade a cada esquina, mas uma manhã de certezas a cada recomeço.
Quando se tem raça vive-se um momento de cada vez. Ter raça é sentir-se pleno e forte, ainda que sozinho em meio a uma tempestade em alto mar. É meio que se sentir potente, capaz de levantar todos os alicerces e sair puxando-os rua afora, como "O Incrível Hulk". É meio que ser capaz de arrastar tudo e todos que cruzem a nossa frente, sem olhar para trás o estrago que se está a fazer. É, muitas vezes, só tomar ciência da grandiosidade do que se fez depois que está feito. É enxergar o durante, sem saber como será o depois.
Raça é isto: a coragem de que tudo se pode resolver, ainda que não se saiba como e nem quando. Mas vai se resolver. Raça é uma forma de fé, talvez; porém uma fé ativa, daquelas que se trabalha e confia, como ensina a rosada bandeira do estado do Espírito Santo. Aliás, de rosado, agora só falo da bandeira.
Não quero passar a noite toda divagando ao som de Fagner, todavia, é preciso que seja dito: é preciso ter raça.
É agindo com raça que resolvemos e descomplicamos.
Valorizo e respeito muito quem tem raça no que faz. Vejo vida. Entrega. Vejo coração, coisa tão rara nos dias de hoje, em que ninguém se envolve e se responsabiliza pelo que faz.
Talvez você esteja certa no auge da jovialidade e da maturidade de seus 22 anos. Talvez eu seja mesmo um romântico. Não um dos últimos, mas um romântico. Ainda não sei ao certo o que isto significa. Penso sobre, porém não sei se gosto da ideia de o ser. Prefiro ser visto como um raçudo, daqueles capazes de construir uma casa sozinho se preciso for.
Mas façamos um acordo. Há uma expressão popular que faz menção a fazer as coisas "no peito e na raça". Se peito significar fazer com coração, aceito ser um romântico. Um cara com raça e coração.
Às vezes, a vida é triste como uma eliminação ao fim de uma prorrogação ou de uma série de cobranças de pênaltis.
Na eliminação, não há justiça, só tristeza.
Durante alguns anos, existiu no futebol a figura do "gol de ouro", também conhecido como "morte súbita", segundo a qual, após o empate no tempo normal de jogo, os dois times se sujeitavam a dois tempos extras de 15 minutos (prorrogação), nos quais, o primeiro time a marcar um gol vencia a partida e ela era imediatamente encerrada. Anos de muitas eliminações dolorosas, nascidas de um gol tomado em um curto momento de desatenção e de falha. Um gol inapelável, após o qual não havia mais oportunidade de continuar jogando e tentar vencer. Um gol de despedida, como são os encerramentos inesperados e dolorosos.
Muitas vezes a vida é assim. Somos eliminados sem muita compaixão após um único deslize. Jogar bem nunca garantiu sobrevivência em uma "morte súbita", na qual, como o próprio nome diz, apenas se morre repentinamente, sem maiores oportunidades. Uma eliminação assim é muito dolorosa, impõe a lembrança do erro em looping na memória. Aquele momento de deslize que ocasionou o gol da eliminação é figura recorrente nos pesadelos noturnos. Aquela sensação de boca seca de incredulidade e impotência não passa facilmente. Algumas noites, até se sonha que ao contrário de se tomar o gol da eliminação, foi feito o gol da classificação. Mas ao fim, tudo não passa de um sonho e lá estamos nós novamente, em mais uma manhã, a lamentar o gol sofrido.
Todos nós temos nossos recuerdos dolorosos. Aqueles que não se apagam, como um gol tomado em uma inesperada prorrogação com "gol de ouro". Recuerdos que insistem em não se apagar com facilidade, que deixam sempre mais sentimento de culpa do que de reconhecimento pelo o que foi realizado para levar o jogo até ali.
As noites de eliminação são frias. Tristes. Solitárias. É comum uma lágrima descer e a garganta fechar. A dor do fim e a incerteza de uma nova oportunidade futura, misturada ao apagar dos sonhos que se construiu enquanto a vitória era possível. Nada como o redentor choro de despedida, daqueles que lavam a alma e levam todas as impurezas sentimentais. Queria conseguir chorar neste momento e me sentir livre, mas não consigo.
Para pôr um fim a esta dolorosa tristeza, eliminou-se a "morte súbita" e manteve-se uma prorrogação na qual os dois times são obrigados a jogar os dois tempos extras de 15 minutos, ainda que um deles marque um gol em algum momento da prorrogação. Justo e reconfortante. Tomar um gol deixou de ser o fim e passou a ser o despertar por uma busca desesperada pelo gol que poderia evitar a eliminação. Muito melhor ser eliminado com o suor convicto de que se lutou até o fim dos 30 minutos de prorrogação do que com as lágrimas de uma eliminação decorrente de um derradeiro gol bobo tomado em um breve momento de desatenção.
Mas, às vezes, uma prorrogação, com ou sem "gol de ouro", não é suficiente para desempatar uma partida. É preciso recorrer-se a uma emocionante disputa de pênaltis.
Às vezes, sinto que chutei para longe o pênalti que decidiu o campeonato. É uma merda. No caminho até a marca do pênalti, tudo o que se pensa, confessam todos os batedores, é se autopreservar, independente que o time vença ou perca. Tudo que se quer é meter a bola na rede e sair com a sensação de que não se foi o culpado pela eliminação do time. Mas, às vezes (talvez a expressão mais usada neste texto), não tem jeito. Isolamos a bola que valia o campeonato.
É doloroso demais perder um pênalti que custa uma eliminação. Um pênalti perdido é uma oportunidade perdida, daquelas que talvez nunca mais tenhamos a chance de reencontrar. Hoje, me sinto um perdedor de pênaltis, daqueles que tem chutado para fora todas as oportunidades de vitória e arrancado lágrimas de quem assiste. Um pênalti carrega em si os sonhos de muita gente, inclusive os seus. É um ingresso de entrada para uma nova batalha rumo à vitória final ou uma porta que se fecha, até daqui a quatro anos ou para sempre.
Quando se perde um pênalti, nunca se sabe o quanto ele realmente custou. Às vezes (de novo), pela idade, pelos envolvidos e pelas circunstâncias, até se sabe que foi a última chance. Às vezes, ainda resta a esperança de uma nova oportunidade. E quem garante? Muitas incertezas na derrota e poucas respostas na tristeza.
A vida é assim.
Entre as lágrimas de uma eliminação, pode até haver abraços de amizade ou aplausos de reconhecimento. Mas o que fica é a culpa pela oportunidade desperdiçada, a incerteza do futuro e los recuerdos dolorosos.
Pênalti, só perde quem bate, quem se oferece a bater. Só sofre quem apresenta coragem de encarar e confiança de vencer. Mesmo com coragem, com bravura, com heroismo, se pode perder. E perder é sempre perder, com ou sem merecimento. O resultado é o mesmo e o sofrimento também. Se pode perder sendo amável e honesto, assim como sendo babaca e canalha. O sabor de derrota é o mesmo. Não há justiça na derrota e, às vezes, nem lágrimas. Só tristeza.
Foi com a frase do título que Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol de 1994, desceu as arquibancadas do estádio Rose Bowl em meio aos torcedores e deixando que todos tocassem por um instante na taça de campeão mundial de futebol, em uma das cenas mais singelas e bonitas da história de todas as Copas.
É Copa, pae! Tem que respeitar.
Como tradição neste blog, toda Copa tem seu(s) texto(s). Tô feliz pra caralho! Que Copa, senhoras e senhores. Ela está cada vez mais linda. Se em 2010 ela acordou feia e em 2014 ela acordou arrumada para sair e já de sapatos, como presidenta Dilma; em 2018 ela está na plenitude da beleza, uma beleza natural e encantadora, mas com alguns retoques tecnológicos (quem nunca...).
Em mais de 32 partidas (mais da metade do torneio) só teve um 0x0. Futebol que dá gosto de ver. Partidas disputadas e com gols, para apagar a horrorosa lembrança da Copa de 2010, na África do Sul. Não existe mais bobo no futebol. Pela primeira vez um país asiático venceu um sul-americano, a Coréia do Sul eliminou a temida Alemanha e todos os países, inclusive dentre os eliminados, marcaram gols. Lindo demais! Panamá perdeu de 6x1 para a Inglaterra e vibrou o único gol feito como se fosse o do título. O México venceu a Alemanha e vibrou como em final de Copa. Tite deitou e rolou no gol suado do Brasil contra a Costa Rica. Os alemães, argentinos e uruguaios festejaram gols decisivos no final de suas partidas de maneira contagiante. Professor Óscar Tabarez e sua doença degenerativa que lhe faz comandar o Uruguay usando muletas. A volta do Peru a uma Copa após mais de 30 anos e uma vitória na bagagem.
E o V.A.R.? Polêmico. Mas diminuiu (sem eliminar) os erros, penso eu, e tornou os resultados mais justos (ao menos na maioria dos jogos). Injustiças sempre acontecem no futebol, mas o V.A.R. veio para diminuí-las. Minha bronca é mais com a falta de critério da arbitragem em sua utilização, o que alimenta erros e a sensação de injustiça mesmo com uso da tecnologia. O ideal, penso eu, é que fosse seguido o modelo do vôlei, do basquete americano e do futebol americano, nos quais os times é que solicitam quando que querem o uso da tecnologia em algum lance (desafio à arbitragem). O ideal, penso eu, é que se pudesse solicitar pelos times em, sei lá, 3 lances de cada tempo, para não virar uma coisa a ser pedida a toda hora e a arbitragem não escolher em seu subjetivismo os lances a serem confrontados com a tecnologia.
E a geração Neymar e cia? Uma geração de mimados... Uma pena. Muito talentosos, mas muito mimados. Ainda inexperientes para ganhar uma Copa, embora fossem ainda mais em 2014. Podem perder a cabeça em um jogo muito adverso e perdermos a Copa, mais uma vez, pelo lado psicológico. Mas podemos ganhar se o talento deles suplantar a inexperiência. Esta seleção é estranha, repleta de jogadores que jogam no exterior, foi incapaz de fazer um amistoso de despedida no Brasil antes de partir para a Rússia, como outras seleções fazem. Preferiu embarcar escondida e jogar os últimos amistosos em Londres, para inglês pagar. E apesar de ser uma seleção de "estrangeiros" e mercenária até nos amistosos, não resistimos e torcemos para ela. Como dizia Tim Maia: "Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita".
No geral, não consigo apontar uma seleção favorita, sobretudo diante do equilíbrio da maioria absoluta das partidas. Resultados muito inesperados. Vai ser muito divertida e emocionante essa fase final. Como profetizou Xico Sá, "todas as retrancas serão castigadas". E estão sendo. Times que querem segurar empates e se defender estão indo embora aos montes nesta Copa.
São tantas emoções...
Copa é diferente. É uma vez só a cada 4 anos. Justifica toda a paixão mundial. O encontro dos povos, o encontro dos melhores no esporte mais querido do planeta. Lindo demais. Emocionante demais. Para perceber isto, é preciso ver a Copa como mais que um campeonato de "pão e circo". É preciso ver as histórias por trás de cada país, entender o que aquele momento representa para cada povo participante. É entender, por exemplo, que no Irã as mulheres não podem ir a um estádio de futebol, mas que foram assistir sua seleção na Rússia. Isto é simbólico demais. É muito mais que só futebol. Isto justifica você querer assistir todos os jogos, até mesmo um movimentado Japão x Senegal. Ninguém é obrigado a gostar de futebol, mas quando se percebe o verdadeiro sentido de uma Copa, se entende que ela é tão deliciosa, ou mais, que uma Olimpíadas. O futebol não é o culpado dos problemas de nenhum país, não somos o que somos politicamente por causa do futebol. Ele, no fim, apenas torna nossos dias menos duros e tristes.
E a Rússia? Um país grandioso não só em tamanho, mas em tudo. Um país que é tão grande quanto misterioso, meio esquisito, às vezes. O país que nos deu os cosmonautas, que venceu a 2ª Guerra Mundial para o Ocidente, que nos deu a experiência socialista, que nos deu a beleza do balé, que convive entre a linha tênue do alcoolismo institucionalizado e do conservadorismo. A Rússia é encantadora em seus mistérios e em suas bizarrices. Muito deu ao mundo e muito ainda tem a aprender com o mundo.
A Copa abriu a Rússia ao mundo (sempre aos poucos, como de costume) e o mundo abriu a Rússia, trazendo para dentro dela um universo plural de raças, religiões, sexualidade e etc. A Copa está fazendo muito bem aos russos, que, espia só, parecem estar menos frios. Suspeito que estejam gostando de tanta gente diferente em meio à fria e pouco plural vida russa. A Rússia é encantadora. O mundo ocidental, para variar, pintou previamente a imagem dos russos como "devoradores de criancinha", racistas e preconceituosos, alertou sobre os riscos de alguns comportamentos despertarem reações agressivas nos russos e até na polícia russa. Mas, ao menos até agora, não ouvi falar de nenhum episódio nesse sentido. Ao contrário, os russos parecem estar lidando muito bem com o mundo. Não descarto a possibilidade de que possam estar contando as horas para se livrarem dos visitantes e voltarem a viver o peculiar modo de vida russo. Mas prefiro acreditar na sinceridade da lágrima que a ursa Misha derramou delicadamente ao se despedir do mundo ao fim das Olimpíadas de Moscou em 1980.
Desta vez, nós é que sentiremos saudades. E ainda mal está na metade.
Sem vida, toda paisagem é morta.
É a imprevisibilidade da vida que traz graciosidade ao belo, e ao feio.
Um corpo que se mexe em meio à paisagem morta ou à lama.
Onde há corpo e movimento, há vida.
Mas sem corpo, não há crime.
Mentira deslavada! Sempre há crime.
E sempre há vida. Pra mais de metro, aliás.
Às vezes mais de uma.
Mas sempre há morte. Uma única.
E entre a vida e a morte, o que há?
Só vida.
Então viva!
Porque enquanto não há morte,
Só há vida.
Talvez eu devesse escrever mais. Ou menos. É algo compulsivo. Espero que me traga paz.
Algumas coisas simplesmente não acontecem. Por mais que a gente tente, se esforce, se permita, não acontecem. E eu tenho alguma dificuldade em lidar com coisas para as quais não encontro solução. Principalmente quando busco solução há muito tempo. Orgulho? Não penso que seja. Em uma vida forjada por problemas, sempre encontrar soluções, gambiarradas ou não, parece ser o normal para mim. Gosto do chão de fábrica. De ser operário da vida e encontrar soluções de modo manual, ao invés do automático. Gosto da trocação, de bater e apanhar. Tem coisa que nos faz sentir mais vivos do que as porradas que damos e levamos? Mas tem coisas que não acontecem e não se resolvem, mesmo após incansáveis tentativas. Aí é foda.
É uma merda. Daquelas moles e que ficam garradas no solado e só saem após uma lavagem em casa. Por onde você anda, você sabe que a merda está com você e que aquele cheiro que todos reparam é seu. "Ei, calma galera! Podem parar de procurar. Sou eu o cagado". É tipo isto.
"Não tenha pressa". "Na hora certa as coisas acontecem". "Tudo tem seu tempo".
Ah, é legal. Faz sentido. Mas não enche barriga. Talvez se engravide por causa de coisas assim. Mas se continua com fome.
Eu preciso parar de gostar de brancas. Isto é sério. Não vai acabar bem. Que merda! Era você, galega. Uma vez você me disse que a gente sabe quando é de verdade. Eu acho que era. Mas não vai adiantar te contar. Você diria que é imaturidade de gente inexperiente, que eu não sei o que digo, não conheço o amor e blá blá blá... mas não desta vez. Era você, sua louca. Não sei como te explicar. Teve gente depois de você. Não adiantou. Você foi diferente. Marcou em 2 meses ou menos. Talvez eu não tenha sido um dos melhores com você, mas é porque parecia tudo tão natural e eu me sentia tão eu quando estava com você, que nem vi o tempo passar. Acabei não sendo bom o suficiente. Desculpe. Eu queria ser capaz de te mostrar que todas aquelas merdas que aconteceram antes com você (e foram muitas, ainda me assusto quando lembro) não aconteceriam conosco, porque havia respeito e sentimento de verdade por você. Mas não deu tempo. Enfim, fiquei com o pau na mão hahaha Mas obrigado por aquele beijo que me roubou no ponto de ônibus e que talvez você nem se lembre mais. Acho que esta é uma das lembranças mais doces que tenho da vida.
Tá todo mundo na lona, mas querendo dar lições de felicidade. Uma porra. Um deboche e um saco. Eu ainda não sei qual a minha relação com as redes sociais. Amo e odeio. Me sinto menos entediado e ao mesmo tempo meio irritado. É tudo muito extremo. Lições e ensinamentos gratuitos de gente "feliz" e lugares lindos em meio a um monte de corações vazios e de bundas. As bundas ao menos são bonitas, geralmente. Para não me irritar, só leio as figuras, não leio nada que esteja entre aspas como citação. Um saco. Um deboche.
Daqui a pouco passa.
A vaidade é um problema. Me causa medo. Vaidade cega. Este é o meu problema com a arte. Quem faz arte, em geral, quer ser visto, chamar atenção. E querer ser visto é uma forma vaidade. Tudo é vaidade, já dizia um texto famoso depois de Cristo.
Preciso parar de ter pressa e não aprender a esperar. É isto mesmo. Você leu certo. Vou fazer merda se me apressar e posso fazer ainda mais merda enquanto tiver que esperar. Caralho. Cada um sabe qual é seu ponto fraco e este está me fudendo, talvez desde a infância. Sabe quando você sente que só precisa de uma oportunidade? É tipo isto. Só uma. Eu preciso de só uma. Aí sossego, penso eu, seja se houver sucesso ou insucesso. É uma questão meio pessoal, de provar pra si próprio.
Mas e quem precisa de oportunidade quando se tem com o que se ocupar? O ser humano é um ser social. Tem que misturar as tintas e as peles. Sentir. Se não tiver o coração na ponta da chuteira, para sentir e sofrer, não é digno de viver. Máquinas produzem e obtém reconhecimento e sucesso, mas nunca sentem. Qual a graça de conquistar o mundo e ser incapaz de viver em intimidade com outra pessoa? O outro realmente é necessário, mesmo em caso de sucesso? Sim. É preciso de intimidade, ter alguém que aprecie nossa companhia, com quem conversar naturalmente e fazer coisas que só nós dois curtimos (às vezes em quatro paredes). Sei lá. É preciso de intimidade, ainda que somente para aqueles momentos meio estranhos. Senão, vira uma merda destas: um texto com ar de perturbado e que deixas as pessoas preocupadas.
Está tudo bem, de verdade. Não se preocupe. Realmente está tudo bem. Estou vivo e sinto. Isto me basta.
Seria ela a louca
Dos gatos?
Ou a gata
Dos loucos?
Uma linda morena
De lábios doces,
Como os de Iracema.
Uma índia gauche.
De seios bronzeados
E sorriso largo,
Podem faltar rosados...
Não fica amargo.
Da terra prometida,
Exilou-se na floresta.
Foi salvar vidas
E alegrar a festa.
Fique, morena!
Suba o rio até a foz.
Mas volte, pequena!
Queremos sua voz.
Posso rimar mais,
Mas o que dizer?
Te desejar paz?
Que busque prazer?
Apenas seja você!
Esta encantadora menina.
Sem razão e porquê,
Uma obra-prima.