domingo, 26 de janeiro de 2014

[Dando Uma] Serra Pelada

Mais uma crítica irresponsável de cinema.

Hoje quero dar pitaco sobre um dos poucos filmes que vi no cinema no ano de 2013: "Serra Pelada". Desde o dia que eu vi esse filme eu quis fazer uma postagem sobre ele, mas a certeza de que nem 5% dos leitores incertos deste blog teriam assistido ao mesmo me fez desistir da ideia. Então eis que a Rede Globo, para meu espanto, resolveu exibir esse filme como uma espécie de minissérie no começo deste ano, fato que renovou minha esperança de ter público para esta postagem.

Pois então. É sempre bom reforçar, sobretudo para os navegantes de 1ª viagem neste blog, que eu sei tanto de cinema quanto a maioria das pessoas sabe sobre as regras do golfe, a ponto de eu sequer saber ao certo o que faz um diretor. Ah, mais uma vez, essa não é uma sinopse de filme, logo não se destina a resumir a história, portanto, a leitura será mais proveitosa para quem já tiver assistido ao longa metragem. Na realidade, acho que vou falar mais da verdadeira Serra Pelada do que do filme... Mas enfim, vamos lá!


Não precisa ser um expert em cinema pra perceber que "Serra Pelada" foi uma produção bem pobre financeiramente. Elenco principal pequeno, poucos atores medalhões, poucos cenários etc. Mas o que mais me intrigou não foi isso, e sim o fato de terem explorado tão porcamente uma história tão rica. Serra Pelada é a história de um Eldorado em pleno século XX, no meio do nada e em meio aos perigos da floresta amazônica; a história de milhares de homens vindos de diferentes pontos do Brasil que largaram tudo para perseguir um incerto sonho dourado, o sonho de enriquecer achando ouro, mesmo sem nunca na vida terem sequer garimpado. Em síntese, como dito no próprio filme, é a história da maior concentração de trabalho humano desde a construção das pirâmides do Egito.


Pelo menos esse aspecto geral o filme conseguiu demonstrar. Conseguiu mostrar como esse sonho dourado foi capaz de contaminar tanta gente - dos mais variados tipos, diga-se de passagem. Os protagonistas do filme são um espelho disso: duas pessoas que deixaram São Paulo em direção a um garimpo desconhecido no interior do Pará, de onde corria Brasil afora a notícia de haver muito ouro a ser extraído. Aliás, até que a história dos protagonistas é interessante, consegue prender a atenção, mas ainda assim, os verdadeiros personagens de Serra Pelada mereciam um pouco mais.


É claro que "Serra Pelada" é um filme de ficção, e não um documentário, mas explorar tão pouco alguns detalhes da Serra Pelada verdadeira foi um pecado. Falaram tão pouco das loucuras feitas pelos bamburrados, das visitas ilustres de mulheres como Rita Cadillac em um ambiente no qual elas eram as únicas mulheres em um raio de quilômetros, assim como das dificuldades de se viver no interior do Pará - no meio da floresta amazônica, em meio à malária e outras sérias doenças, em meio ao calor infernal etc. Digo isso mal acostumado por histórias de filmes bem feitos como "Carandiru", que mesmo em meio a tantos detalhes a serem explorados, conseguem contar satisfatoriamente a história de muitos personagens simultaneamente. Mas pensando bem, não se pode exigir muito de um filme financeiramente pobre...

[Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a verdadeira Serra Pelada, recomendo esta reportagem especial feita pela Rede Record, dividida em duas partes: Parte 1 e Parte 2. O que mais me intriga nessa reportagem são as histórias do bamburrado que bancou um voo exclusivo de Belém pro Rio de Janeiro, sozinho em um avião no qual cabia mais de 100 pessoas e pagando mais de cem mil reais (em dinheiro atualizado), e do cara que depois de ser milionário hoje vive miseravelmente e mesmo assim diz que se pudesse voltar no tempo gastaria tudo de novo! São essas coisas que me atraem tanto na história de Serra Pelada]

Enfim. Serra Pelada é muita história para um filme de pouco orçamento. De qualquer forma, valeu a tentativa. Algumas coisas são extremamente boas no filme, como, por exemplo, a trilha sonora, sobretudo das cenas passadas no "30"; músicas que se encaixam muito bem com o contexto regional e social. Gamei nesta música aqui, de um artista falecido que descobri se chamar Frankito Lopes (também conhecido como "o índio apaixonado"):



O filme também consegue tratar muito bem a questão da violência naquele cenário amazônico onde sobrava testosterona. São cenas muito boas de corre-corre, tiros e gritaria. E a Sophia Charlotte (acho que é assim que se escreve, não vou pesquisar)? Pessoalmente não acho ela uma grande atriz e muito menos uma das mais bonitas. Pensei que ela seria muito europeia pra fazer o papel que lhe deram no filme. Mas vou te dizer, no final das contas ela é a cereja do bolo no filme. Acho que como era o primeiro filme dela ela tava topando fazer tudo. Sem rodeios, ela mostrou ser bem gostosa. Belos peitos! Sobre a atuação dela? Sei lá. Acho que nem reparei. Como é que você vai reparar em interpretação numa hora dessas?

 

Se é pra falar de verdade sobre interpretação, posso dizer que mais uma vez Wagner Moura deu show. Um personagem pitoresco, cheio de trejeitos e de cenas inesquecíveis. Uma pena que talvez a melhor cena desse personagem não foi mostrada na minissérie da globo. Aliás, lamentável essa minissérie... O filme em si já é de enredo meio pobre, e com cenas cortadas então, virou quase uma sequência de fotografias. Creio que quem viu o filme só na Globo teve a sensação de que o filme era pior do que realmente era. Uma pena...

Um aspecto que me chamou a atenção no dia que vi o filme no cinema era a monotonia da história em razão dos poucos personagens e cenários. No entanto, isso tem um aspecto interessante, pois o filme consegue, ainda que involuntariamente, passar a quem o assiste a mesma monotonia que devia marcar a vida dos homens que viviam naquele garimpo amazônico, no meio do nada. Entende? É como se a pobreza de enredo fosse justamente para reproduzir a monotonia daquela vida de poucos cenários que aqueles homens tinham.

É um filme pobre cuja maior qualidade é a história de fundo: a história do garimpo de Serra Pelada. Foi justamente essa a motivação que me fez ir ao cinema ver esse filme. Eu nem sabia qual era a história dos personagens do filme e tampouco conhecia direito o elenco. Meu negócio mesmo era ver aquela loucura de 100 mil homens fervendo no meio da floresta em busca de um sonho tão incerto. Nesse aspecto, o filme merece uma menção honrosa, pois conseguiu mostrar bem como a busca pelo ouro era insana, como mexia com os valores daqueles homens, a ponto deles mesmo depois de conseguirem dinheiro suficiente para voltar para casa preferirem ficar lá para tentar conseguir ainda mais. É um ciclo vicioso. Nunca chega a hora de voltar, até que você perca todas as suas fichas. Serra Pelada se mostra como uma droga, como o vício em jogo, no qual após ganhar uma quantia significativa o jogador prefere reinvestir tudo o que ganhou para tentar ganhar mais.


Os protagonistas do filme vivem essa realidade. Acham ouro, mas preferem reinvestir para achar mais, tornando-se, assim, donos de barranco. Joaquim (vulgo "professor"), mesmo vendo, através de fotos, sua única filha crescer sem ele em São Paulo, resiste por anos em retornar para casa. Aquilo que era só uma aventura - ir, achar ouro e voltar - se torna algo viciante. Não há outra palavra além de "ganância" que seja capaz de explicar a escolha dos personagens em se deixar ficar voluntariamente naquele fim de mundo.

Sobre esse aspecto a reportagem da Record destacada anteriormente é um primor. Mostra a história de homens que nunca mais voltaram para suas terras depois de pisar em Serra Pelada. Homens que vivem há décadas naquela região ainda na esperança de poder pegar o ouro que talvez ainda exista abaixo daquela terra. Homens que não sabem mais como viver se não for sonhando com o ouro de Serra Pelada, que seriam incapazes de voltar "pra casa" depois de tantos anos. Homens para os quais Serra Pelada se tornou casa e continuará sendo mesmo se ainda conseguirem bamburrar numa improvável última garimpagem no local.

É o poder dos sonhos. Muitas vezes aquilo que era sonho se torna ilusão, mas não conseguimos perceber ou relutamos em aceitar.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Hero

Um dia me senti herói.
Herói da espada de pau
Ou seria um herói perna de pau?
Mas fui herói.

Um herói daqueles que vivem em cavernas,
Sem janelas.
Prontos a sair para salvar o mundo
E a voltar para casa no escuro.

Já cantava Bowie:
We can be Heroes
Just for one day.
Eu fui um hero,
Just for one day...

Ganhei o beijo da minha Mary Jane,
Os louros da vitória,
Os créditos,
E a realização.

Depois,
Descobri que não fui herói
Que pouco resolvi
Talvez nada fiz.

Se foi a glória.
Minha Mary Jane?
Desde esse dia nunca mais a vi.
Deve estar por aí.

Voltei à caverna;
Aquela sem janelas,
Numa sobreloja
Com goteiras sem fim.

É Bowie...
Just for one day
We can be heroes
Eu pude sentir.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

God bless America

Volta e meia eu me pego sentindo inveja dos americanos (norte-americanos ou estadunidenses, se você preferir). É estranho sentir inveja de alguém que você não conhece de perto, mas apenas de ouvir dizer. Eu sinto. Sinto inveja da história construída por meio de luta e do sentimento de nação dos americanos. Sinto inveja da história que cada estrela daquela bandeira traz em si.

Mas tem uma coisa que me desperta uma inveja ainda mais acentuada: a maturidade dos meios de comunicação norte-americanos, mais precisamente, a coragem que eles têm de serem parciais. Sim. Eles são parciais. E eu acho isso fantástico, porque eles não têm medo e nem vergonha de serem assim.

Já aqui, abaixo da Linha do Equador (ou do pecado), se uma emissora assume ser parcial, ela é praticamente "excomungada". Aqui, os meios de comunicação, sobretudo os de televisão, enchem a boca para dizer que são imparciais, como se ser parcial fosse um problema. A realidade, senhores, é que nossos meios de comunicação são tão ou até mais parciais do que os americanos, mas não assumem. É aí que reside a covardia, na minha opinião.

Ser um meio de comunicação parcial não é um problema quando o público tem conhecimento deste fato. Nos Estados Unidos é muito interessante ver como algumas emissoras de TV (como a Fox News), alguns programas, apresentadores e jornalistas se posicionam claramente em prol do Partido Democrata ou do Partido Republicano durante as eleições. E eles não sentem vergonha nenhuma disso. Todos sabem previamente que estão diante de uma emissora/programa/jornalista republicano ou democrata. Aliás, é até engraçado ver programas de humor fazendo campanha contra alguns candidatos. Acho isso lindo, porque representa o que de fato é a liberdade de imprensa.

Já aqui, há revistas, canais de televisão e jornalistas anti-governo e pró-governo que fingem que são imparciais e que não têm interesses políticos. Pelo amor de Deus! Por que fazem isso conosco? Por que não assumem de que lado estão? Não aguento esse papo de imparcialidade. Ninguém consegue ser imparcial de verdade. Não tenho prova científica, mas não acredito que somos capazes de agir imparcialmente em nada. A imparcialidade pode e deve ser uma meta (utópica, aliás) a ser observada para a prática de algumas condutas, mas não podemos nos iludir achando que somos capazes de atingi-la. Cada escolha que fazemos já traz em si um pouco de parcialidade, um pouco de nós mesmos, seres parciais por natureza.

E como é que um meio de comunicação, que, além de ser formado por pessoas de concepções de mundo das mais variadas, é alimentado por interesses de seus financiadores, pode se dizer imparcial? É uma piada. Mas não no Brasil. Aqui é um lugar meio estranho pra algumas coisas. Sei que não tem nada a ver, mas lembrei de uma frase de Tim Maia bem assim: "O Brasil é o único país em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficante ser viciado, o pobre é de direita." Faltou dizer que aqui a imprensa também é imparcial.

O que fazem com a gente é covardia. Por que não se assumem? Por que não dizem logo quem querem que seja o próximo presidente? Aí sou obrigado a ficar vendo William Waack abrindo 8 em cada 10 Jornal da Globo fazendo uma análise crítica (geralmente um breve comentário de uns 15 segundos) contra o governo federal antes de anunciar as manchetes do jornal. Porra! Assume logo. Tá chegando as eleições e já tá começando a campanha partidária disfarçada. No auge do processo eleitoral, os meios de comunicação vão dizer que "estão fazendo uma cobertura imparcial das eleições para ajudar o eleitor a conhecer todos os candidatos e fazer sua escolha democrática". Bla bla bla. E depois de acabar de falar isso, vão fazer coisas como o que fizeram com o candidato que liderava até então as pesquisas pra prefeitura de São Paulo em 2012 (coincidência ou não, ele liderava as pesquisas e depois nem foi pro 2º turno). Só pra constar, a ideia era dar ao candidato a oportunidade de, por alguns minutos, falar de suas propostas para a cidade...


Ser parcial não é um problema, desde que se assuma isso ao público. É um crime enganar os telespectadores dizendo-se imparcial. Eu, como telespectador, gostaria de saber quem apoia quem, porque pelo menos assim saberia ao assistir ao canal "X" que ele está inclinado a favorecer "A" ao invés de "B". Ou seja, eu saberia previamente o que esperar de cada meio de comunicação. Ora, por que a revista Veja não se assume? É pecado dizer que apóia PSDB e DEM e que não gosta do PT? Não é pecado ter um lado, mas é uma tremenda covardia fingir e negar de pé junto que não tem.

Ano que vem vai começar tudo de novo. A mesma historinha de imparcialidade/democracia. Vai começar a festa da hipocrisia. Acabou a ditadura, meus filhos. Democracia requer meios de comunicação livres para serem o que quiserem, inclusive parciais politicamente. Na democracia ninguém precisa fingir nada. Pra mim, mais importante do que se dizer imparcial, um meio de comunicação precisa ter transparência, deixar claro quais são suas verdadeiras convicções.

Mas fazendo um meia culpa. Será que nós, brasileiros, já temos maturidade suficiente para lidar com meios de comunicação assumidamente parciais como nos EUA? Será que não somos nós que de alguma forma ainda preferimos acreditar em imparcialidade e exigimos isso dos meios de comunicação? Você já viu a reação que muitas pessoas têm quando alguém fala daquela revista chamada Carta Capital? Dizem coisas do tipo "Ah, aquela revista é de esquerda, não dá pra dar credibilidade ao que ela diz do governo". Ora, melhor ler sabendo que ela é assumidamente de "esquerda" do que ler achando que ela é imparcial. Pelo menos eu penso assim. Mas às vezes tenho dúvidas se de fato as pessoas preferem isso. Enfim, falei demais.

Por Don Quasímodo, um apoiador assumido dos Sans Culottes.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

[Dando Uma] Cisne Negro

Aprendi muitas coisas com os blogs que sigo, sobretudo sobre a liberdade de postar o que der na telha, sem compromisso de seguir sempre uma mesma temática e um jeito de escrever. Sinto falta de alguns blogs "inativos", como o Polvo. Por isso, gostaria de neste momento "dar uma" de Polvo, postando sobre algo que muito gostava de ver por lá, textos sobre filmes. Me perdoem a homenagem mal feita e sem conhecimento técnico de cinema.

Inicialmente, é preciso que se fique claro que entendo tanto de cinema quanto uma mulher comumente entende de futebol. Não entendo nada sobre a fotografia de um filme, por exemplo, e tenho dificuldades até mesmo para entender porque um diretor consegue ter tanto destaque se nem é ele que escreve o roteiro. Mas enfim... Vou falar sobre o que eu, leigo, senti de um filme que vi na calada da madrugada do último sábado/domingo (deixando claro que não era o filme "Emanuelle").


Na madrugada do último domingo me peguei vendo na Grobo um filme "feminino" e meio desatualizado: "Cisne Negro". Sim, demoro muito para ver filmes que fizeram sucesso, coisa em torno de anos. Queria entender porque este filme era tão falado. 

Dizem que ganhou Oscar, mas ainda não parei pra conferir no Google, porque vai contra o que me propus a fazer aqui: falar só o que eu acho, com a pureza das minhas próprias impressões. Não me proponho a fazer uma sinopse do filme, logo, me parece um texto para quem já viu o filme.

O que me atraiu na chamada do filme foi a palavra perfeição, a busca de uma pessoa pela perfeição. Me identifiquei com a obsessão da personagem em ser perfeita naquilo que fazia. Não entendo nada de balé e tampouco conhecia a tal história dos cisnes, mas me interessei muito pela história do filme. "Cisne Negro" desperta diferentes sensações, a maioria delas ruins, uma agonia tremenda com aquelas viagens da personagem. O tempo todo trafegando entre a linha da realidade e da imaginação, sem que fique claro qual hora você está vendo a Nina delirando ou no mundo real. Até agora não sei muito bem o que era realidade e o que era imaginação dela. Ainda me pergunto se ela realmente morreu no final. Aliás, que final, senhores! Pelo que entendi, na história dos cisnes há uma mulher aprisionada dentro de um cisne e quer se libertar e o filme conseguiu fazer o oposto, ou seja, um cisne querendo se libertar de dentro de uma mulher. Que sacação! Eu diria que genial!


E a atriz? Aquela que não sei o nome. Não vou no google! Nicole Portman? Algo assim. Sei lá. Perfeita. Antes de dizer que ela é uma gata, uma magra com belos seios, preciso dizer que ela é a personificação de uma garota frágil. Perfeita para a Nina. É simplesmente angustiante ver aquela garota tão frágil, inocente e frígida ir se transformando em alguém tão diferente, tão forte, tão viva e ao mesmo tempo...tão morta. Ela começou a morrer no momento em que começou a ser intensa. Foi tão intensa que perdeu o controle da própria vida.


Outra coisa. Não entendo nada de balé, teatro, cinema e afins, mas que agonia que deu sentir que um/uma artista de qualidade pode precisar se "prostituir" para ter uma chance de brilhar; precisar puxar saco, se deixar assediar sexualmente por um diretor ou sei lá o quê. De alguma forma parecia que Nina não sabia dessa realidade, mas quando soube também não fez nada para evitar, se ofereceu ao jogo, embora em muitos momentos pareça estranhar e sentir nojo dessa realidade, se recusando a ceder de alguma forma. Nina é contraditória neste aspecto. Aliás, o que são aquelas cenas da Nina se masturbando e tendo uma relação sexual com sua "rival"? Como é bom ser homem e ver a Nicole (vou chamar ela de Nicole mesmo) fazendo caras e bocas nesta situação. Sem mais. Uma magra muito sensual!

Meu tempo tá acabando, mas preciso destacar que me identifiquei na busca da Nina pela perfeição. Me reconheci na Nina pré mudanças, na Nina disciplinada, mas frígida. Pude perceber que pouco vale ser disciplinado e não sentir o que está fazendo. Há pessoas que são tão boas que conseguem ser perfeitas sem disciplina excessiva, conseguem fazer com naturalidade o que sabem, como a rival da Nina na imaginação dela. E há outras que não são boas, mas que são tão disciplinadas em aprender algo que alguma hora se tornam boas. Apesar disso, de tanta disciplina esses obstinados não conseguem fazer o que aprenderam com naturalidade. A Nina, a meu ver, estava nessa segunda categoria, mas conseguiu chegar ao lado de lá, ingressar no lado dos naturalmente talentosos. É lindo vê-la passar de um lado para o outro gradativamente (junto com o cisne que vai saindo de dentro dela) e chegar à perfeição, mas é triste ver o preço que ela precisou pagar para ser perfeita e mudar de lado.

Amo a perfeição e, infelizmente, acho que ela existe. Acho que a perfeição é alcançada, por aqueles que são disciplinados e sem talento inato, sempre que eles agem no limite, entre o racionalmente possível para a maioria e a linha do até onde estão dispostos a ir por ela. Por isso acho tão bela e desafiante a perfeição, pois as pessoas "comuns" só chegam a ela quando arriscam ir além do que a maioria considera ser seguro ir. Mas o que é a perfeição? Não seria algo muito subjetivo? Pois então, Nina alcançou aquilo que seu diretor julgava ser perfeito. Esse é o risco de se amar a perfeição. O que cada um considera perfeito não é o que todos consideram. Algumas modelos acham que ficam mais próximas da perfeição quando param de comer. Para alcança-la elas acham que precisam ir além da linha do racionalmente possível, ou seja, do que é saudável.

Nadia Comaneci e o 10 perfeito. 
Detalhe que o placar não estava preparado para marcar uma nota 10
De alguma forma, Nina começou a morrer quando foi se aproximando da perfeição, indo além daquilo que poderia conquistar só tendo disciplina. Mas repito, o que é a perfeição? Para mim, leigo em balé, Nina era perfeita desde quando ainda era só uma bailarina normal. Mas para o diretor dela ela não era. Vale a pena ser perfeito? Alcançar a perfeição deve ser como usar crack, deve ser uma sensação boa muito rápida, que logo passa. Vale a pena buscar a perfeição? Se isto for o que te manter vivo, essa busca insana por limites a serem quebrados, talvez valha. Mas de que vale ir morrendo aos poucos para buscá-la? Será que não é melhor ser imperfeito, porém ser uma pessoa viva?

Senna pagou com a vida sua busca pela volta perfeita
Tudo em 1 hora ou nada. Uma dentro e nada mais.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Falando merda

Espero depois deste texto dar um tempo nos textos de temática boiola e voltar a falar de coisa séria, que foi o que me consagrou junto aos meus leitores fictícios.

Vou falar de tudo que tá aí, só não sei se com muito nexo. Tampe os olhos se não quiser ler! Tampe os ouvidos também, porque vou falar merda como nunca antes.


Cara, que mundo egoísta é esse nosso. De gente mesquinha, que briga por centavos. Servidores públicos cobram aumento porque outra categoria ganhou, como aquele irmão que não aceita o outro ganhar dos pais um presente um pouco melhor. Tocam marcha fúnebre em frente a casa do povo (Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo) porque os deputados não querem dar aumento salarial pra eles. Acham que a população tem que se solidarizar com vocês? E vocês? Tão dispostos a tocar marcha fúnebre e fazer greve pelo pai de família comum que ganha um salário mínimo e vai se aposentar no INSS pra ganhar um salário mínimo? Filhos da puta! Vocês têm mais privilégios que qualquer trabalhador comum da iniciativa privada, que trabalha aos sábados, não tem estabilidade no emprego, não tem nem a terça parte dos auxílios que vocês ganham mensalmente. "Ah, mas eu estudei e conquistei esse direito" Então é isso? Você pode porque teve condições de estudar, mas o trabalhador comum não pode porque estudou menos que você. Legal essa lógica. Então, já que você pode e ele não, deixa todos os agricultores fazerem greve por um mês porque vão se rasgar no sol pra se aposentar pra ganhar 1 salário mínimo que eu quero ver quem vai fazer mais falta pra sociedade. Se você ficar sem comida pra comprar com o seu dinheiro, coma o seu diploma. Não é nada pessoal, mas sinceramente, falta semancol pra quem já ganha tão acima da realidade nacional e acha que merece ainda mais. Acho que o povo comum não quer pagar suas férias na Europa só porque você ocupa um cargo público de nível superior. O problema não é você ganhar 10 mil, 5 mil. O problema é o povo que paga o seu salário ter que viver com 700 reais em um mês e você achar isso normal. Tão normal que você acha que tem direito a ter, por exemplo, um mísero aumento de uns 700 reais. O sindicato dos motoristas de ônibus param a cidade e todos os setores da economia e da vida social quando acontece uma briga entre um passageiro e um cobrador em uma linha de ônibus lá do fim do mundo, mas não aceitam aderir a uma greve de professores em solidariedade a essa outra categoria profissional. Isso aconteceu em Vitória/ES no mês passado. Coletividades individualizadas. São isso que são os sindicatos! Minha categoria primeiro. Todos por um e ninguém por todos.

Tem gente neste país morrendo de cólera! Puta que pariu! Cólera! C-Ó-L-E-R-A. Sabe o século XXI? Sabe o Iphone? Pois é. Tem gente que morre de cólera por não ter água potável pra beber no Brasil. E você em depressão porque tá vivendo uma incerteza em seu relacionamento. Você tem direito a querer se preocupar com isso. Claro que tem. Mas morrer de amor não dá. Me perdoe. Desce do palco, Xuxa! Drama do caralho!

Bando de gente louca e egoísta. As pessoas tão surtando nas suas individualidades. Casais não querem ter filhos para não perderam a privacidade e terem que gastar dinheiro e tempo criando filhos na melhor fase de suas vidas. Tem gente desesperada que só quer ser ouvida por alguém. E não é pouca gente não. Gente que só quer falar; coisa tão rara hoje em dia pra quem tem menos de 30 anos, nessa época de tudo ao toque dos dedos. Ainda não sei o que é whatsapp. Talvez por isso ainda me procuram pra conversar. Na miséria eu não fico. Vou psicologiar sem licença daqui a pouco. As pessoas estão perdidas em si mesmas e cada vez mais isoladas. Sucesso profissional? Enfia no rabo. Trabalham iguais doidos pra conquistar dinheiro pra curtir dois dias de prazer na semana. Bela matemática. Trabalha 5 ou 6 pra aproveitar 2 ou 1. Presos trabalham 3 dias pra conquistar 1 dia a menos de pena, sabia? É sério. E você trabalha 5 ou 6 por 2 ou 1 dias de "liberdade". Tá todo mundo louco dentro da sua própria ilha!

Relações amorosas só de prazer. Você se satisfaz me satisfazendo. Relações de puro egoísmo. Eu gozo e a mulher não. Problema dela. Ela quis dar sabendo que não ia gozar. A propósito, se você quiser dar eu como. Call me, baby. Por falar nisso, como tem mulher burra nesse nosso mundo egoísta. Burra não no sentido intelectual, mas sentimental. Mulher se rastejando por qualquer fração de apreço, mesmo que seja um apreço bandido, daqueles violentos e infiéis. Mulheres que não se sentem seduzidas por caras "comuns"; esses as burras gostam de ter como meros amigos. Elas preferem os caras que podem ter a ilusão de poder mudar. Mas também há mulheres que só se rastejam se houver um preço. Uma contrapartida. Você nunca mais me ligou, por falar nisso. Afeto se retribui (ou não), sabia?

Queremos que as pessoas sejam como nós queremos que sejam. Queremos que façam o que queremos que façam, sem querer saber se elas realmente querem ou sabem. Ninguém quer ensinar, mas todo mundo quer sugar. Vai tomar no cu! Queremos escravos. Dia desses eu tava pensando: Se o homem chegar a um planeta onde houver vida e encontrar seres corpóreos como nós, mas menos evoluídos, será que não tentaremos escravizá-los por não serem humanos? Tudo que queremos é ter alguém para podermos exercer poder sobre. Até relações sexuais se assemelham a relações de poder. Todos mimadinhos pelas modernidades. Tudo ajustável do jeito que eu quero e gosto. Tudo personalizável. Feito pra conseguir agradar a individualidade de cada um. Tamos virando um bando de frescos. Nem o Merthiolate arde mais! Se Darwin tiver certo sobre a evolução natural, em breve surgirão humanos com membros atrofiados pelo desuso em razão da tecnologia. Egoístas frescos. Tudo é vaidade, já dizia a Bíblia, livro que ninguém mais lê, mas acha que pode criticar pelo que ouviu falar. Ficamos putinhos quando as coisas não são do jeito que queremos que sejam, quando as verdades não são como queremos que fossem. Como se algo tivesse que acontecer naturalmente só porque queremos. Existem verdades absolutas, mas é melhor achar que elas não existem, porque relativizando tudo podemos nos sentir certos mesmo quando agimos em desacordo com essas verdades.

É engraçado como ninguém gosta de sentar ao lado de alguém quando há dois bancos livres no ônibus. Eu tento não ser egoísta e deixar os dois bancos pra alguma dupla de amigos que entrar no ônibus poder conversar sem que um deles precise quebrar o pescoço para falar com o outro por estarem em bancos separados, mas em geral as pessoas estranham você sentar ao lado delas havendo lugares livres. As pessoas querem apenas poderem gastar dinheiro consigo mesmas. Chiquinho Scarpa disse que ia enterrar um carro que vale 1 milhão de reais no jardim da mansão dele porque achou legal esse costume dos faraós egípcios de enterrar suas riquezas nas pirâmides. Alegou que o carro e o dinheiro são dele e que ele pode fazer o que quiser, mas isso incomoda o mundo todo. Mas e se ele "só" quisesse se enterrar vivo no jardim? Ia incomodar tanto? O dinheiro dele vale mais do que a vida dele, por certo. Vou ver se ele já enterrou o carro. Podem respirar que acabei de ler no G1 que ele não enterrou o carro. Disse ele, aliás: “Eu fui julgado por querer enterrar uma Bentley, mas a verdade é que a grande maioria das pessoas enterra coisas muito mais valiosas que meu carro. Elas enterram corações, rins, fígados, pulmões, olhos. Isso sim que é um absurdo. Com tanta gente esperando por um transplante, você ser enterrado com seus órgãos saudáveis que poderiam salvar a vida de várias pessoas, é o mais desperdício do mundo. O meu Bentley não vale nada perto disso. Nenhuma riqueza, por maior que seja, é mais valiosa que um único órgão, porque nada é mais valioso do que uma vida"  - Se ele queria verdadeiramente passar essa mensagem desde o início ele foi foda!

Tô cansado de falar merda. Acho que já deu. Mas tem dia que é assim. Queremos só um espaço pra falar coisas que queremos dizer.

Pronto. Falei.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cheio de graça

É muita desgraça.
Não quero nem de graça.
Isso tem graça?
Como é sua graça?
Te amo, Graça!
Pela graça divina.
Ela é uma graça...
Graças a Deus!
Conquistei uma graça.
Você tem graça no caminhar.
Nossa Senhora das Graças.
Ainda não caí nas suas graças.

Porque a vida é uma graça.

domingo, 18 de agosto de 2013

Metalinguagem esquecida

Chegamos ao ponto.
À indiferença.
Um texto bom ou ruim
Sem qualquer audiência.

Saias curtas em meio a carroceiros,
Posso dizer e você não verá.
Então irei escrever,
Mas você não vai escutar.

A porta bate,
O último que sair apague a luz!
Não apagaram
Então fiquei de voyeur.

Eu ainda falo
Pra quem quiser ouvir,
Mas só tem eu aqui.
Assim é ruim.

A rima é pobre,
Mas nunca foi rica.
Agora é mais flagrante
Que preto não é sua cor favorita.

A história foi escrita.
Venceu quem faz dela sua vida.
Agiu. Levou.
Respeite quem pode chegar onde a gente não chegou...

Faltou poesia,
Sobrou prosa.
Faltou ação.
Não teve paixão.

Agora dá!
Mas não pode mais.
Perdi o voo.
Sobraram navios.

Viva Rio!
Rio de Piracicaba.
Como um menino
Indo pra Pindamonhangaba.

Bom é assim:
Plateia vazia;
Caneta livre.
Só eu li.

Àquele campeão que disse que as melhores corridas dele foram aquelas que ninguém viu.