
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Sim City
As rugas e a longa barba branca não escondiam que o tempo havia passado impiedosamente, mas o tempo não importava para ele. Ele possuía todo o tempo do mundo, apesar disso, em algum momento que ele não se lembrava mais quando foi, ele se cansara daquilo tudo e resolveu: terminei. Havia terminado. Estava ali, ao alcance dos seus olhos semi-cerrados e de suas mãos sujas, ainda que limpas.
Aquele momento era todo deles. Artista e criação. A mão esquerda ainda estava suja, mas isso não fazia a menor diferença naquele momento. Era só ele e ela. O adorável cheiro de coisa nova tomava conta do ar. Mas ainda não era o cheiro das fábricas chinesas que vem dentro das embalagens de plástico, até porque os chineses ainda nem existiam. Ele era a única fábrica, a sua própria fábrica. O mesmo vento que sacudia a sua longa barba e os fios compridos de cabelo que cobriam a sua cabeça também espalhava aquele cheiro original pelo ar. Ela estava ali. Diante dos seus olhos.
Foi tudo muito de repente. O suor que ele derramava enquanto criabalhava era a própria seiva da vida. Uma hora ele se deu conta de que não precisava de mais nada. Estava pronto. Simplesmente, pronto. Não havia ninguém com quem compartilhar aquele momento. Era só ele e ela. Ele estava nela e ela era ele de alguma forma. Mas por que mostrar? Por que ter alguém para mostrar? Quem é alguém? Ela existe! Isso bastava para ele. Ela simplesmente existe.
Depois de contemplar o trabalho feito ele resolveu que era hora de deixá-la só. Deixá-la ir (ainda que ficando) e se fazer. Se reconstruir. Laissez faire, laissez passer! Allez le bleus! E assim ele foi-se indo... indo... e acabou fondo...
Para dizer que não foi ingrato, interrompeu seus vagorosos passos e deu uma última olhada para trás, por cima dos ombros. Como aquilo tudo era lindo. Como era boa a sensação de ter feito, de ter acabado. Mas era preciso seguir. Era preciso ir, mesmo que deixando um pedaço de si para trás. Após a última olhadela com o canto mais no canto do olho esquerdo, ele não pôde deixar de balbuciar no canto mais no canto dos lábios:
"And I think to myself, what a wonderful world"

Aquele momento era todo deles. Artista e criação. A mão esquerda ainda estava suja, mas isso não fazia a menor diferença naquele momento. Era só ele e ela. O adorável cheiro de coisa nova tomava conta do ar. Mas ainda não era o cheiro das fábricas chinesas que vem dentro das embalagens de plástico, até porque os chineses ainda nem existiam. Ele era a única fábrica, a sua própria fábrica. O mesmo vento que sacudia a sua longa barba e os fios compridos de cabelo que cobriam a sua cabeça também espalhava aquele cheiro original pelo ar. Ela estava ali. Diante dos seus olhos.
Foi tudo muito de repente. O suor que ele derramava enquanto criabalhava era a própria seiva da vida. Uma hora ele se deu conta de que não precisava de mais nada. Estava pronto. Simplesmente, pronto. Não havia ninguém com quem compartilhar aquele momento. Era só ele e ela. Ele estava nela e ela era ele de alguma forma. Mas por que mostrar? Por que ter alguém para mostrar? Quem é alguém? Ela existe! Isso bastava para ele. Ela simplesmente existe.
Depois de contemplar o trabalho feito ele resolveu que era hora de deixá-la só. Deixá-la ir (ainda que ficando) e se fazer. Se reconstruir. Laissez faire, laissez passer! Allez le bleus! E assim ele foi-se indo... indo... e acabou fondo...
Para dizer que não foi ingrato, interrompeu seus vagorosos passos e deu uma última olhada para trás, por cima dos ombros. Como aquilo tudo era lindo. Como era boa a sensação de ter feito, de ter acabado. Mas era preciso seguir. Era preciso ir, mesmo que deixando um pedaço de si para trás. Após a última olhadela com o canto mais no canto do olho esquerdo, ele não pôde deixar de balbuciar no canto mais no canto dos lábios:
"And I think to myself, what a wonderful world"
E se foi.
sábado, 4 de dezembro de 2010
[FILÉ COM FRITAS] Anedota da vida real
[FRITAS]
Beleza é algo relativo, né? Cada um tem o seu próprio padrão. Entretanto, é inegável que há um "padrão médio" criado socialmente por cada cultura. Logo, cada um tem o seu próprio padrão e, na maioria das vezes, ele é muito próximo daquele padrão criado pela coletividade a qual pertencemos. Passado essa reflexão, sigo com a minha anedota da vida real.
Foi há uns 2 meses atrás (eu sei que esse "atrás" é redundante em relação ao "há", mas assim fica mais legal). Era mais um "dia de Tailândia" em plena Primavera. O ar era abafado. E eu, pra variar, tinha que sair da Universidade e me dirigir ao estágio no Centro de Vitória by bus. Peguei um 506. Eu carregava na mochila meu Vade Mecum, meu caderno e algumas utilidades volumosas, ou seja, eu estava que nem uma tartaruga ninja com aquela mochila pesada nas costas. Não é sempre que as pessoas sentadas e sem volume nas mãos topam segurar algo para você, mas nesse dia eu queria tanto que alguém me ajudasse...
Sem jogo. Percebi logo que a guria que estava sentada à (essa crase é facultativa, né?) minha frente e sem qualquer volume nas mãos não tinha um bom coração e não iria me ajudar com a mochila. Até aí tudo OK, afinal, como eu disse antes, isso não é incomum. Então eis que uns 10 minutos após minha entrada no ônibus entra um cara.
Como eu disse no início, beleza é algo relativo, mas um cara sabe em seu íntimo quando ele não é muito bonito socialmente. Ele sabe que os olhares não retornam quando ele olha. Ele sabe que a entrada dele em um local repleto de pessoas do sexo oposto não causa qualquer furor. Ele sabe que algumas garotas não são para o bico dele, salvo se ele usar de outros artifícios, que não a beleza, para tentar conquistá-las. Enfim, ele sabe disso tudo. Eu pertenço ao time desses caras, apesar de alguns esparsos elogios que recebo, de vez em quando, quanto à minha controvertida beleza (geralmente esses elogios são feitos por mulheres mais velhas).
Eu já percebi que estou no time dos poucos dotados de beleza há muito tempo. Isso não altera o meu dia-a-dia, não causa tristeza ou sei lá o quê. Isso geralmente não cria problemas. É apenas um fato. Estou fora do modelo socialmente construído de beleza em nossa cultura, tal como muitos e muitas por aí. Acontece, tem que ter paciência. A consolação é saber que se eu estivesse na Suécia eu estaria "pegando geral", afinal, dizem que as nórdicas são tão atraídas pelos morenos quanto nós, brasileiros, somos pelas loiras de olhos azuis.
Pois então. Voltando. Entrou o camarada no meu (que não é meu) ônibus. Ele era de estatura um pouco maior que a minha, mais forte e carregava uma mochila nos ombros. Não sei se pesava, mas ele carregava. Parou em pé ao meu lado. Não em frente à guria sem coração, afinal, eu é quem estava de frente pra ela. Então eis que vejo uma mão se dirigir ao cara e uma voz dizendo:
- Quer que eu segure pra você?
Parei. Olhei de lado e não acreditei. Me deu vontade de fazer que nem o Seu Madruga fazia quando tirava o chapéu e raivosamente pisava em cima dele. Aquela mesma guria que fez pouco caso da minha mochila pesada pediu a mochila do cara (que entrou 10 minutos depois de mim) na maior boa vontade. É impublicável o que eu pensei de imediato. Me limito a dizer que do alto da minha educação, pensei polidamente: "Puta que pariu!" Aí comecei a rir timidamente. Um sorriso amarelo, é verdade, mas não pude conter.
O rapaz entregou a mochila e eu continuei, em pé, de mochila, em frente à guria, que nem uma tartaruga ninja. Ela só faltou me pedir para sair da frente dela para que ela pudesse pegar a mochila do cara. Retomada a sobriedade, comecei a refletir: "Qual o critério que ela utilizou? Não é possível que tenha sido a beleza! Que merda, hein..." Ou, como diz minha vó de consideração: "É mole ou quer mais?"- hehe - "Puxa, guria. Nóis é feio, mas não precisava esculachar". Outra parte de mim dizia: "Isso é injusto. Se o cara ainda fosse menor e mais fraco do que eu, ainda dava pra dar um desconto. Mas pô! O cara é mais alto e mais forte, ou seja, não precisa de caridade para carregar a mochila! Isso não vai ficar assim não, eu vou atrás dos meus direitos de homem mais fraco!" "Já sei, vou pedir pra ele pegar a minha mochila e carregar nas costas dele, afinal, ele é mais forte. Quem sabe a guria não pede a ele pra poder carregar a minha mochila também?" hehe
Nesse dia me senti o cara mais feio do mundo. Zuera. Na verdade, eu achei a situação muito engraçada, é tanto que eu ri na hora e estou aqui dividindo com vocês.
Desde esse dia, toda vez que entro em um ônibus viro um personagem, se não me engano de Nelson Rodrigues, que só gostava de mulher feia. Não ajudo mais as bonitas. Essas já estão acostumadas com um mundo de facilidades só porque são bonitas. Agora só ajudo as feias. Virou uma questão pessoal, uma questão de honra! (é brincadeira, hein!)
Quer saber? Vou-me embora pra Suécia...
Foi há uns 2 meses atrás (eu sei que esse "atrás" é redundante em relação ao "há", mas assim fica mais legal). Era mais um "dia de Tailândia" em plena Primavera. O ar era abafado. E eu, pra variar, tinha que sair da Universidade e me dirigir ao estágio no Centro de Vitória by bus. Peguei um 506. Eu carregava na mochila meu Vade Mecum, meu caderno e algumas utilidades volumosas, ou seja, eu estava que nem uma tartaruga ninja com aquela mochila pesada nas costas. Não é sempre que as pessoas sentadas e sem volume nas mãos topam segurar algo para você, mas nesse dia eu queria tanto que alguém me ajudasse...

Sem jogo. Percebi logo que a guria que estava sentada à (essa crase é facultativa, né?) minha frente e sem qualquer volume nas mãos não tinha um bom coração e não iria me ajudar com a mochila. Até aí tudo OK, afinal, como eu disse antes, isso não é incomum. Então eis que uns 10 minutos após minha entrada no ônibus entra um cara.
Como eu disse no início, beleza é algo relativo, mas um cara sabe em seu íntimo quando ele não é muito bonito socialmente. Ele sabe que os olhares não retornam quando ele olha. Ele sabe que a entrada dele em um local repleto de pessoas do sexo oposto não causa qualquer furor. Ele sabe que algumas garotas não são para o bico dele, salvo se ele usar de outros artifícios, que não a beleza, para tentar conquistá-las. Enfim, ele sabe disso tudo. Eu pertenço ao time desses caras, apesar de alguns esparsos elogios que recebo, de vez em quando, quanto à minha controvertida beleza (geralmente esses elogios são feitos por mulheres mais velhas).
Eu já percebi que estou no time dos poucos dotados de beleza há muito tempo. Isso não altera o meu dia-a-dia, não causa tristeza ou sei lá o quê. Isso geralmente não cria problemas. É apenas um fato. Estou fora do modelo socialmente construído de beleza em nossa cultura, tal como muitos e muitas por aí. Acontece, tem que ter paciência. A consolação é saber que se eu estivesse na Suécia eu estaria "pegando geral", afinal, dizem que as nórdicas são tão atraídas pelos morenos quanto nós, brasileiros, somos pelas loiras de olhos azuis.

Pois então. Voltando. Entrou o camarada no meu (que não é meu) ônibus. Ele era de estatura um pouco maior que a minha, mais forte e carregava uma mochila nos ombros. Não sei se pesava, mas ele carregava. Parou em pé ao meu lado. Não em frente à guria sem coração, afinal, eu é quem estava de frente pra ela. Então eis que vejo uma mão se dirigir ao cara e uma voz dizendo:
- Quer que eu segure pra você?
Parei. Olhei de lado e não acreditei. Me deu vontade de fazer que nem o Seu Madruga fazia quando tirava o chapéu e raivosamente pisava em cima dele. Aquela mesma guria que fez pouco caso da minha mochila pesada pediu a mochila do cara (que entrou 10 minutos depois de mim) na maior boa vontade. É impublicável o que eu pensei de imediato. Me limito a dizer que do alto da minha educação, pensei polidamente: "Puta que pariu!" Aí comecei a rir timidamente. Um sorriso amarelo, é verdade, mas não pude conter.
O rapaz entregou a mochila e eu continuei, em pé, de mochila, em frente à guria, que nem uma tartaruga ninja. Ela só faltou me pedir para sair da frente dela para que ela pudesse pegar a mochila do cara. Retomada a sobriedade, comecei a refletir: "Qual o critério que ela utilizou? Não é possível que tenha sido a beleza! Que merda, hein..." Ou, como diz minha vó de consideração: "É mole ou quer mais?"- hehe - "Puxa, guria. Nóis é feio, mas não precisava esculachar". Outra parte de mim dizia: "Isso é injusto. Se o cara ainda fosse menor e mais fraco do que eu, ainda dava pra dar um desconto. Mas pô! O cara é mais alto e mais forte, ou seja, não precisa de caridade para carregar a mochila! Isso não vai ficar assim não, eu vou atrás dos meus direitos de homem mais fraco!" "Já sei, vou pedir pra ele pegar a minha mochila e carregar nas costas dele, afinal, ele é mais forte. Quem sabe a guria não pede a ele pra poder carregar a minha mochila também?" hehe
Nesse dia me senti o cara mais feio do mundo. Zuera. Na verdade, eu achei a situação muito engraçada, é tanto que eu ri na hora e estou aqui dividindo com vocês.
Desde esse dia, toda vez que entro em um ônibus viro um personagem, se não me engano de Nelson Rodrigues, que só gostava de mulher feia. Não ajudo mais as bonitas. Essas já estão acostumadas com um mundo de facilidades só porque são bonitas. Agora só ajudo as feias. Virou uma questão pessoal, uma questão de honra! (é brincadeira, hein!)
Quer saber? Vou-me embora pra Suécia...
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Obrigado
Deus não é sorte.
Deus não é coincidência.
Deus não é acaso.
Deus não é destino.
Deus é apenas Deus.
Isso é o que torna tudo tão difícil ao entendimento. Essa incompreensão pode ser o tormento de uns e ao mesmo tempo o que faz tudo tão maravilhoso para outros. Somos apenas pequenos pedaços de matéria em um Universo mui extenso, por isso, não seja tão soberbo ao buscar explicações racionais para tudo. Quem é você diante da complexidade da existência? É preciso saber que há muitas coisas que transcendem o nosso limitado entedimento, por mais que isso possa parecer um discurso acomodado com a ordem das coisas. No fim, por mais paradoxal que possa ser, você vai concluir que a resposta para muitos dos seus questionamentos é ele mesmo: Deus - por mais que você relute em acreditar que isso possa ser possível. Ele vai preencher aquele vazio que existe em você e que você nunca conseguiu preencher, aquele vazio que de forma silenciosa sempre te incomodou, gerou incertezas, mas que você sempre acreditou ter o controle sobre ele.
Você pode não acreditar em Deus, mas ele sempre estará acreditando em você.
Obrigado, Deus!
Sem fins artísticos.
A caminho da postagem final...
Deus não é coincidência.
Deus não é acaso.
Deus não é destino.
Deus é apenas Deus.
Isso é o que torna tudo tão difícil ao entendimento. Essa incompreensão pode ser o tormento de uns e ao mesmo tempo o que faz tudo tão maravilhoso para outros. Somos apenas pequenos pedaços de matéria em um Universo mui extenso, por isso, não seja tão soberbo ao buscar explicações racionais para tudo. Quem é você diante da complexidade da existência? É preciso saber que há muitas coisas que transcendem o nosso limitado entedimento, por mais que isso possa parecer um discurso acomodado com a ordem das coisas. No fim, por mais paradoxal que possa ser, você vai concluir que a resposta para muitos dos seus questionamentos é ele mesmo: Deus - por mais que você relute em acreditar que isso possa ser possível. Ele vai preencher aquele vazio que existe em você e que você nunca conseguiu preencher, aquele vazio que de forma silenciosa sempre te incomodou, gerou incertezas, mas que você sempre acreditou ter o controle sobre ele.
Você pode não acreditar em Deus, mas ele sempre estará acreditando em você.
Obrigado, Deus!
Sem fins artísticos.
A caminho da postagem final...
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A guerra dos mundos
Era uma vez um mundo verde musgo. Tudo nele era rígido, tradicionalista e repressivo. Um dia esse mundo "caiu" e mudou de cor. Diziam que o mundo que o sucederia seria multicolorido como o povo que habitava esse mundo.
Anos depois e tudo ficou azul. A economia era azul. Diziam que o povo seria pintado de azul. Pintaram as empresas que sempre foram verde e amarelo de blue/bleu/青/blau/azzurro... Enfim, pintaram tudo que viram de azul, menos o povo. Esse, como sempre, manteve-se esquecido, esperando ansiosamente ser pintado com o mesmo azul que pintava as felizes pessoas que haviam recuperado o status social prejudicado anos antes por uma série de problemas econômicos vividos pelo país antes dele ficar azul. Uns poucos foram pintados de azul. Aqueles, de sempre. Querendo manter tudo azul, os azuis conseguiram por meio de uma manobra, um tanto o quanto marota, criar a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente. Era preciso pintar ainda mais de azul aqueles que já eram azuis por natureza. E conseguiram, afinal, aquele bando de gente pintada de invisível tinha muito medo do vermelho em 1998. Sei lá, vermelho assustava, lembrava sangue.
E lá fomos nós, para mais 4 anos azuis. Ou melhor. E lá se foram eles para mais quatro anos. Os invisíveis continuaram invisíveis, comendo as migalhas deixadas pelos azuis no prato. Migalhas como um salário mínimo de fome aqui, um tal de bolsa escola acolá. Mas tudo era azul, nunca se esqueça disso.
Então eis que chegamos em 2002 à beira do caos social. Era matar ou morrer. Ou os invisíveis recebiam uma cor ou iriam matar todos os azuis. O vermelho não assustava mais os "sem-cor", mas apenas os azuis. Para aqueles que nunca foram pintados, o vermelho não lembrava mais o sangue, mas a esperança, a esperança era vermelha. O vermelho representava o sangue dos azuis que iria jorrar à força naquele mês de outubro histórico. Aquelas eleições foram algo do tipo luta de classes: pobres invisíveis X ricos e classe média azuis. Os pobres, como maioria, venceram, enfim!

E vieram os vermelhos. A porrada vinha de todos os lados. "O país vai quebrar". "A inflação vai voltar". "O Brasil perderá investimentos externos". Sim, senhores. A preocupação era totalmente FINANCEIRA. O medo não era em relação ao nível de vida das pessoas. Sei que a economia é um dos fatores que levam a um bom nível de vida da população, mas não é TUDO (isso é meio óbvio, mas os azuis nunca perceberam isso, até hoje). Mas aquele vermelho não era o mesmo vermelho de anos atrás. Era um vermelho meio azul. Vermelho com azul é roxo? Se for, digo, sem pudor que os vermelhos foram perdendo um pouco daquele fogo inicial e ficando roxos. A economia continuou como era no tempo do mundo azul. Na verdade, ela ficou ainda melhor, afinal, enfim, os invisíveis começaram a aparecer. Foram incluídos na economia nacional. Populismo? Assistencialismo? É fácil dizer isso morando no sudeste e nunca tendo passado fome. Mas garanto que para aqueles que não tinham nem o que comer na época do mundo azul, os programas sociais representaram dignidade, representaram vida, representaram ser vistos pelos caras lá de cima. Para quem nada tem, metade é o dobro, senhores. Não negue o que comer a essas pessoas alegando que isso é assistencialismo e populismo, afinal, os azuis, em nome de não serem taxados de populistas, nunca nem botaram comida no prato de milhões de invisíveis por 8 anos! Prefiro a informalidade,a quebra de regras que alimenta do que o moralismo que causa fome e morte. Veja esse "assistencialismo populista" pelos olhos de quem sempre se acostumou a passar fome desde os primórdios desse país.
Corrupção. Mensalão. Dinheiro na cueca. Fizeram o caralho para derrubar os vermelhos. Mas eles nunca caíram. Por quê? Porque eles alimentaram e deram cor àqueles por quem os azuis nunca olharam. Quem antes morria de fome, será eternamente grato aos vermelhos, afinal, não tiveram suas vidas salvas pelos azuis em 8 anos.
Não nego que o governo vermelho não foi perfeito, longe disso. Mas também não sou hipócrita para afirmar que o mundo azul foi melhor.
Mas vamos ao que interessa: 2 º turno das Eleições 2010. Ou melhor. A guerra dos mundos: Mundo Vermelho X Mundo Azul. Não há propostas inovadoras para os velhos problemas. Há apenas uma rinha de galo na qual o Governo Lula duela contra o Governo FHC. Virou um duelo de desempate, algo como: seus 8 anos foram piores que os nossos. Estão discutindo o passado, senhores. Querem que domingo façamos o julgamento de qual governo foi melhor. Querem a prova real (aquela das continhas da 2ª série). Querem o tira-teima. O duelo de desempate, afinal, tá 8 a 8. As propostas de Serra e Dilma somem em meio ao debate de qual governo foi melhor. É como se estivéssemos que votar entre Lula ou FHC no domingo. Ninguém promete o novo, mas apenas retomar o velho. Saudades da 3ª via apontada por Plínio, que tinha razão em afirmar que Serra e Dilma eram muito parecidos. Vou além, a marionete dos intelectuais verdes, ops, Marina Silva, também não passava, no fundo, no fundo, de um vermelho com azul com uns retoques de verde. Discurso mole para questões sérias. Papo antenado com o século XXI, agradável aos ouvidos jovens e intelectuais, mas que no fundo queria agradar a gregos e troianos com um discurso meio molenga, que dizia querer mudar, mas sem mudanças radicais. Ou seja, ela também era vermelho com azul... Duvida? Pesquise o discurso dos Partidos Verdes da Europa e como eles governam quando no poder. Esse verde bonito e que parece esperança camufla muita coisa dentro...
Tá ridículo! Agressões recíprocas para todo lado. Até bolinha de papel na careca vira artefato de guerra e ameça à democracia (sim, a VEJA estampou o episódio da bolinha como um atentado à democracia). Os azuis dizem que os vermelhos são corruptos, apoiam Sarney, Collor. Mas e eles que sustentaram ACM (vulgo Toninho Malvadeza) por longos anos? Ah, esqueceram disso? Que partido HONESTO aceita fazer aliança com o DEMOCRATAS (ex-PFL), o partido mais corrupto de todos os tempos? Responda-me. Você acha normal o lema "O Serra é do BEM"? Isso não deveria ser algo presumido em um candidato à presidência? Por que é necessário reforçar essa ideia? Aí tem... Ah, o vice do Serra, Sr. Índio, é um ilustre desconhecido empurrado goela abaixo pelo DEMOCRATAS pra cima do Serra. Pareceu barganha. Quem é esse cara? Tenho medo dos azuis. Tenho medo dos que usam a religião como argumento para ganhar votos no século XXI. Tenho medo daqueles que mostram pastores pedindo votos para um candidato ao invés de propostas. Tenho medo daqueles que falam que se a candidata X ganhar o aborto será liberado. Por favor, alguém poderia avisar ao povo que o Presidente da República não cria leis, e sim o Legislativo? Alguém poderia avisar ao povo que um presidente não pode instituir o aborto por Decreto ou Medida Provisória? Tenho medo dos que exploram a ignorância dos mais humildes para ganhar voto. Tenho medo dos que pregam um futuro de depravações morais caso o vermelho vença (quase o apocalipse). Tenho medo dos que tentam se aproximar dos humildes prometendo um salário migalha maior, digo salário mínimo maior, e um 13º Bolsa Família. Tenho medo dos que chamam os aposentados de vagabundos e anos depois prometem aumentar o salário dos pensionistas em 10%. Tenho medo dos que tentam comprar o povo com esmolas maiores ao invés de projetos de inclusão social.
Falam que o vermelho tá criando uma ditadura Chavista, que pintar tudo de azul irá oxigenar a política brasileira. Falam que a alternância de poder faz bem à democracia. Mas não foram vocês que criaram a reeleição para presidente? Contraditório... Criticamos a política americana pela falta de alternância no poder e fazemos igualzinho. Azul - Vermelho - Azul (de novo? Isso é alternar?). Pobre Plínio, que pena que daqui a 4 anos será a vez do Verde avermelhado em tons de azul chegar ao poder, queria tanto ver o seu vermelho sangue no poder... Que meu idolatrado Cristovam Buarque não ouça isso...
Só pra terminar, dizem que a Dilma é marionete e não sabemos de quem. É verdade. Marionete ela é. Mas garanto que aqueles que irão manipulá-la não fugirão muito da fórmula que deu tão certo nesses 8 anos, afinal, isso significaria perder o apoio popular. Meu medo é daqueles que estão junto com o Serra, pois esses conhecemos bem e SABEMOS do que são capazes, né, DEMOCRATAS? Sei que Dilma tende a ser 4 anos de estagnação, mas prefiro um mundo vermelho desbotando do que um novo velho mundo azul que irá descolorir todos aqueles que, enfim, ganharam cor a partir de 2002.
Desculpem a franqueza, mas prefiro ser claro no meu voto vermelho, assumir uma posição, do que me dizer imparcial, como a nossa imprensa covarde, e minar um candidato pelas costas, sem os leitores saberem claramente. Essa imprensa desrespeita a nós como público. Prefiro a sinceridade dos meios de comunicação americanos, que sempre assumem, PUBLICAMENTE, uma posição nas eleições. É pecado ser parcial? Não, desde que se avise isso ao público.
E o mundo continuará vermelho por mais 4 anos...
Anos depois e tudo ficou azul. A economia era azul. Diziam que o povo seria pintado de azul. Pintaram as empresas que sempre foram verde e amarelo de blue/bleu/青/blau/azzurro... Enfim, pintaram tudo que viram de azul, menos o povo. Esse, como sempre, manteve-se esquecido, esperando ansiosamente ser pintado com o mesmo azul que pintava as felizes pessoas que haviam recuperado o status social prejudicado anos antes por uma série de problemas econômicos vividos pelo país antes dele ficar azul. Uns poucos foram pintados de azul. Aqueles, de sempre. Querendo manter tudo azul, os azuis conseguiram por meio de uma manobra, um tanto o quanto marota, criar a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente. Era preciso pintar ainda mais de azul aqueles que já eram azuis por natureza. E conseguiram, afinal, aquele bando de gente pintada de invisível tinha muito medo do vermelho em 1998. Sei lá, vermelho assustava, lembrava sangue.
E lá fomos nós, para mais 4 anos azuis. Ou melhor. E lá se foram eles para mais quatro anos. Os invisíveis continuaram invisíveis, comendo as migalhas deixadas pelos azuis no prato. Migalhas como um salário mínimo de fome aqui, um tal de bolsa escola acolá. Mas tudo era azul, nunca se esqueça disso.
Então eis que chegamos em 2002 à beira do caos social. Era matar ou morrer. Ou os invisíveis recebiam uma cor ou iriam matar todos os azuis. O vermelho não assustava mais os "sem-cor", mas apenas os azuis. Para aqueles que nunca foram pintados, o vermelho não lembrava mais o sangue, mas a esperança, a esperança era vermelha. O vermelho representava o sangue dos azuis que iria jorrar à força naquele mês de outubro histórico. Aquelas eleições foram algo do tipo luta de classes: pobres invisíveis X ricos e classe média azuis. Os pobres, como maioria, venceram, enfim!
E vieram os vermelhos. A porrada vinha de todos os lados. "O país vai quebrar". "A inflação vai voltar". "O Brasil perderá investimentos externos". Sim, senhores. A preocupação era totalmente FINANCEIRA. O medo não era em relação ao nível de vida das pessoas. Sei que a economia é um dos fatores que levam a um bom nível de vida da população, mas não é TUDO (isso é meio óbvio, mas os azuis nunca perceberam isso, até hoje). Mas aquele vermelho não era o mesmo vermelho de anos atrás. Era um vermelho meio azul. Vermelho com azul é roxo? Se for, digo, sem pudor que os vermelhos foram perdendo um pouco daquele fogo inicial e ficando roxos. A economia continuou como era no tempo do mundo azul. Na verdade, ela ficou ainda melhor, afinal, enfim, os invisíveis começaram a aparecer. Foram incluídos na economia nacional. Populismo? Assistencialismo? É fácil dizer isso morando no sudeste e nunca tendo passado fome. Mas garanto que para aqueles que não tinham nem o que comer na época do mundo azul, os programas sociais representaram dignidade, representaram vida, representaram ser vistos pelos caras lá de cima. Para quem nada tem, metade é o dobro, senhores. Não negue o que comer a essas pessoas alegando que isso é assistencialismo e populismo, afinal, os azuis, em nome de não serem taxados de populistas, nunca nem botaram comida no prato de milhões de invisíveis por 8 anos! Prefiro a informalidade,a quebra de regras que alimenta do que o moralismo que causa fome e morte. Veja esse "assistencialismo populista" pelos olhos de quem sempre se acostumou a passar fome desde os primórdios desse país.
Corrupção. Mensalão. Dinheiro na cueca. Fizeram o caralho para derrubar os vermelhos. Mas eles nunca caíram. Por quê? Porque eles alimentaram e deram cor àqueles por quem os azuis nunca olharam. Quem antes morria de fome, será eternamente grato aos vermelhos, afinal, não tiveram suas vidas salvas pelos azuis em 8 anos.
Não nego que o governo vermelho não foi perfeito, longe disso. Mas também não sou hipócrita para afirmar que o mundo azul foi melhor.
Mas vamos ao que interessa: 2 º turno das Eleições 2010. Ou melhor. A guerra dos mundos: Mundo Vermelho X Mundo Azul. Não há propostas inovadoras para os velhos problemas. Há apenas uma rinha de galo na qual o Governo Lula duela contra o Governo FHC. Virou um duelo de desempate, algo como: seus 8 anos foram piores que os nossos. Estão discutindo o passado, senhores. Querem que domingo façamos o julgamento de qual governo foi melhor. Querem a prova real (aquela das continhas da 2ª série). Querem o tira-teima. O duelo de desempate, afinal, tá 8 a 8. As propostas de Serra e Dilma somem em meio ao debate de qual governo foi melhor. É como se estivéssemos que votar entre Lula ou FHC no domingo. Ninguém promete o novo, mas apenas retomar o velho. Saudades da 3ª via apontada por Plínio, que tinha razão em afirmar que Serra e Dilma eram muito parecidos. Vou além, a marionete dos intelectuais verdes, ops, Marina Silva, também não passava, no fundo, no fundo, de um vermelho com azul com uns retoques de verde. Discurso mole para questões sérias. Papo antenado com o século XXI, agradável aos ouvidos jovens e intelectuais, mas que no fundo queria agradar a gregos e troianos com um discurso meio molenga, que dizia querer mudar, mas sem mudanças radicais. Ou seja, ela também era vermelho com azul... Duvida? Pesquise o discurso dos Partidos Verdes da Europa e como eles governam quando no poder. Esse verde bonito e que parece esperança camufla muita coisa dentro...
Tá ridículo! Agressões recíprocas para todo lado. Até bolinha de papel na careca vira artefato de guerra e ameça à democracia (sim, a VEJA estampou o episódio da bolinha como um atentado à democracia). Os azuis dizem que os vermelhos são corruptos, apoiam Sarney, Collor. Mas e eles que sustentaram ACM (vulgo Toninho Malvadeza) por longos anos? Ah, esqueceram disso? Que partido HONESTO aceita fazer aliança com o DEMOCRATAS (ex-PFL), o partido mais corrupto de todos os tempos? Responda-me. Você acha normal o lema "O Serra é do BEM"? Isso não deveria ser algo presumido em um candidato à presidência? Por que é necessário reforçar essa ideia? Aí tem... Ah, o vice do Serra, Sr. Índio, é um ilustre desconhecido empurrado goela abaixo pelo DEMOCRATAS pra cima do Serra. Pareceu barganha. Quem é esse cara? Tenho medo dos azuis. Tenho medo dos que usam a religião como argumento para ganhar votos no século XXI. Tenho medo daqueles que mostram pastores pedindo votos para um candidato ao invés de propostas. Tenho medo daqueles que falam que se a candidata X ganhar o aborto será liberado. Por favor, alguém poderia avisar ao povo que o Presidente da República não cria leis, e sim o Legislativo? Alguém poderia avisar ao povo que um presidente não pode instituir o aborto por Decreto ou Medida Provisória? Tenho medo dos que exploram a ignorância dos mais humildes para ganhar voto. Tenho medo dos que pregam um futuro de depravações morais caso o vermelho vença (quase o apocalipse). Tenho medo dos que tentam se aproximar dos humildes prometendo um salário migalha maior, digo salário mínimo maior, e um 13º Bolsa Família. Tenho medo dos que chamam os aposentados de vagabundos e anos depois prometem aumentar o salário dos pensionistas em 10%. Tenho medo dos que tentam comprar o povo com esmolas maiores ao invés de projetos de inclusão social.

Falam que o vermelho tá criando uma ditadura Chavista, que pintar tudo de azul irá oxigenar a política brasileira. Falam que a alternância de poder faz bem à democracia. Mas não foram vocês que criaram a reeleição para presidente? Contraditório... Criticamos a política americana pela falta de alternância no poder e fazemos igualzinho. Azul - Vermelho - Azul (de novo? Isso é alternar?). Pobre Plínio, que pena que daqui a 4 anos será a vez do Verde avermelhado em tons de azul chegar ao poder, queria tanto ver o seu vermelho sangue no poder... Que meu idolatrado Cristovam Buarque não ouça isso...
Só pra terminar, dizem que a Dilma é marionete e não sabemos de quem. É verdade. Marionete ela é. Mas garanto que aqueles que irão manipulá-la não fugirão muito da fórmula que deu tão certo nesses 8 anos, afinal, isso significaria perder o apoio popular. Meu medo é daqueles que estão junto com o Serra, pois esses conhecemos bem e SABEMOS do que são capazes, né, DEMOCRATAS? Sei que Dilma tende a ser 4 anos de estagnação, mas prefiro um mundo vermelho desbotando do que um novo velho mundo azul que irá descolorir todos aqueles que, enfim, ganharam cor a partir de 2002.
Desculpem a franqueza, mas prefiro ser claro no meu voto vermelho, assumir uma posição, do que me dizer imparcial, como a nossa imprensa covarde, e minar um candidato pelas costas, sem os leitores saberem claramente. Essa imprensa desrespeita a nós como público. Prefiro a sinceridade dos meios de comunicação americanos, que sempre assumem, PUBLICAMENTE, uma posição nas eleições. É pecado ser parcial? Não, desde que se avise isso ao público.
E o mundo continuará vermelho por mais 4 anos...
Um dos últimos textos deste blog
sábado, 2 de outubro de 2010
E se hoje fosse o último dia?
Já faz algum tempo que tenho pensado nisso...
Você aceita fazer um exercício de imaginação comigo? Se sim, vamos lá!
Você aceita fazer um exercício de imaginação comigo? Se sim, vamos lá!
Situação hipotética 1: Por algum motivo fui informado de qual será o dia exato de minha morte. Sim. Com precisão e sem chances de erro. Inclusive, morrerei às 23:50 (o mesmo horário em que nasci). Hoje é a véspera desse dia. Já cuidei de todas as questões burocráticas e agora me resta um dia todo para que eu dê os últimos suspiros. São 22 horas da véspera e paro para pensar no que farei amanhã para usar as últimas horas que me restam. Virar a noite acordado? Não... Uma das coisas que sempre tive prazer em fazer na vida foi dormir, logo, não quero perder essa última chance. Acordar que horas? Umas 4 da matina e ir até a praia ver o sol nascer? Não. Acordando todos os dias às 5:30 eu sempre vi o nascer do sol, apesar de nunca ter me atentado muito para isso. Por que fazer isso só agora, no último dia? Eu estaria enganando a mim mesmo! Ok, então, nada de nascer do sol. Acordarei umas 9 horas. E o resto do dia? O que fazer? Como planejar o que fazer no último dia? Já sei. Farei coisas que nunca tive coragem e/ou tempo de fazer. Hum, o dia será chuvoso, do jeito que sempre gostei! Então vou tomar um último banho de chuva, daqueles bem demorados, capaz de deixar a camisa colada ao corpo. Depois vou entrar no meio de uma pelada de rua com crianças e jogarei com elas uns minutos, no meio da lama deixada pela chuva. Quero um último momento com os meus amigos. Não uma festa, porque nunca fui o tipo de cara que curtiu festas, principalmente, aquelas feitas para mim, afinal, sempre fiquei um tanto o quanto envergonhado, sem jeito (tímido), apesar da gratidão que festas assim proporcionam. Quero um encontro casual com eles. Ouvir a história do alistamento do Tob's e das morsas uma última vez. Rir ao relembrar de alguns momentos hilários vividos juntos. Ah, também quero ver um bom jogo de futebol: um Boca Juniors X Palmeiras como aqueles das Copas Libertadores da América de 2000 e de 2001 (mas com o Palmeiras vencendo no fim). Quero dizer um "hasta la vista" e um "eu te amo" para alguns familiares. Quero ler um pouco de literautra. Quero também tocar a campainha da casa (que não sei onde fica) daquela garota e dizer assim: "Desde que te vi a 1ª vez, gostei de você. Tentei te dizer isso de "n" modos, mas acho que não me fiz entender claramente ou você fingiu não perceber. Nunca tive a certeza da sua certeza, por isso hoje quero tê-la. Me diz apenas um 'sim' ou um 'não' e terás dado a resposta que nunca encontrei. De qualquer modo, queria passar aqui para te ver uma última vez." O fim da cena pode ser um beijo de filme ou um "não" educado. Mas de qualquer forma eu poderia "dormir em paz", arrependido do tempo perdido ou certo de que não perdi nada. Eu também quero dar abraços em estranhos, sorrir e gargalhar com desconhecidos, ouvir histórias de mendigos, ser amigo dos sem amigos. Enfim, não sei se dará tempo de fazer tudo, afinal, como diria Paulo Leminski: "Haja hoje para tanto ontem", mas eu quero fazer todas essas coisas amanhã...
Situação hipotética 2: Já são 16 horas de mais um dia comum, de um dia em que nem me passa pela cabeça morrer. Mas e se, de surpresa, eu morrer hoje, agora? O que eu não terei feito? Terei deixado de dizer aos meus amigos o quanto eles são importantes para mim. Terei deixado de dizer "eu te amo" a muitas pessoas por vergonha ou por achar que isso sempre esteve implícito no conviver do dia-a-dia junto delas, por exemplo, à minha mãe (não devo ter dito isso para ela nem umas 50 vezes na vida, o que é muito pouco, apesar do amor incondicional que tenho por ela). Terei deixado de ter feito coisas que deram vontade por falta de tempo ou por pura vergonha. Terei deixado de dizer, hoje de manhã (02/10) àquela garota da hipótese 1, ao invés de um tímido "oi", que ela estava muito bonita de amarelo, apesar de eu a achar sempre linda e de ela ser mais bonita de roxo; terei deixado de dizer muitas outras coisas a essa mesma garota. Terei deixado de começar a escrever o meu livro. Terei deixado de abraçar e de gargalhar com desconhecidos na rua. Terei deixado de ter sentido "n" sensações que nunca senti. Terei deixado de ir à Buenos Aires e à "La bombonera". Terei deixado de começar a correr (sim, correr; simplesmente correr, como o Forrest Gump). Terei deixado de ajudar muitas pessoas quando pude. Terei deixado de ter feitos muitas perguntas que teriam mudado o rumo da vida. Terei deixado de arriscar, de "pôr a faca entre os dentes" em momentos que me acovardei. Terei deixado uma vida inacabada.
Enfim, o que quero dizer é que seu último dia pode ser daqui a muitos anos ou pode ser... HOJE. Você não sabe e NUNCA saberá quando ele será. Então, não desperdice o seu tempo, faça tudo que puder para aproveitar tudo; busque tornar certeza algumas incertezas. Na pior das hipóteses, hoje não será o seu último dia e você poderá viver tudo de novo amanhã, com ainda mais intensidade. Você pode usar amanhã para fazer tudo aquilo que não deu tempo de fazer hoje, já pensou?
Não digo que seja fácil viver assim, mas digo que dá, isso só depende de você e da sua vontade. O depois pode ser tarde demais e pode nem chegar...
[Fui inspirado por uma propaganda de carro na qual um cara acorda, pega uma lista e faz todas as coisas que têm anotado nela, como se fosse o seu último dia. Mas no dia seguinte ele acorda e pega uma nova lista para fazer tudo aquilo que ainda não fez, como se o novo dia pudesse ser o seu último dia. Detalhe que dentro da gaveta que ele pega a nova lista tem muitas outras do mesmo tipo]
Situação hipotética 2: Já são 16 horas de mais um dia comum, de um dia em que nem me passa pela cabeça morrer. Mas e se, de surpresa, eu morrer hoje, agora? O que eu não terei feito? Terei deixado de dizer aos meus amigos o quanto eles são importantes para mim. Terei deixado de dizer "eu te amo" a muitas pessoas por vergonha ou por achar que isso sempre esteve implícito no conviver do dia-a-dia junto delas, por exemplo, à minha mãe (não devo ter dito isso para ela nem umas 50 vezes na vida, o que é muito pouco, apesar do amor incondicional que tenho por ela). Terei deixado de ter feito coisas que deram vontade por falta de tempo ou por pura vergonha. Terei deixado de dizer, hoje de manhã (02/10) àquela garota da hipótese 1, ao invés de um tímido "oi", que ela estava muito bonita de amarelo, apesar de eu a achar sempre linda e de ela ser mais bonita de roxo; terei deixado de dizer muitas outras coisas a essa mesma garota. Terei deixado de começar a escrever o meu livro. Terei deixado de abraçar e de gargalhar com desconhecidos na rua. Terei deixado de ter sentido "n" sensações que nunca senti. Terei deixado de ir à Buenos Aires e à "La bombonera". Terei deixado de começar a correr (sim, correr; simplesmente correr, como o Forrest Gump). Terei deixado de ajudar muitas pessoas quando pude. Terei deixado de ter feitos muitas perguntas que teriam mudado o rumo da vida. Terei deixado de arriscar, de "pôr a faca entre os dentes" em momentos que me acovardei. Terei deixado uma vida inacabada.
Enfim, o que quero dizer é que seu último dia pode ser daqui a muitos anos ou pode ser... HOJE. Você não sabe e NUNCA saberá quando ele será. Então, não desperdice o seu tempo, faça tudo que puder para aproveitar tudo; busque tornar certeza algumas incertezas. Na pior das hipóteses, hoje não será o seu último dia e você poderá viver tudo de novo amanhã, com ainda mais intensidade. Você pode usar amanhã para fazer tudo aquilo que não deu tempo de fazer hoje, já pensou?
Não digo que seja fácil viver assim, mas digo que dá, isso só depende de você e da sua vontade. O depois pode ser tarde demais e pode nem chegar...
[Fui inspirado por uma propaganda de carro na qual um cara acorda, pega uma lista e faz todas as coisas que têm anotado nela, como se fosse o seu último dia. Mas no dia seguinte ele acorda e pega uma nova lista para fazer tudo aquilo que ainda não fez, como se o novo dia pudesse ser o seu último dia. Detalhe que dentro da gaveta que ele pega a nova lista tem muitas outras do mesmo tipo]
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