terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ode à loucura

Uma vida não é mais suficiente.
É preciso duas:
Uma virtual que soe real
E uma real que seja virtual.

A vida real é só para morrer.
Luto!
Umas curtidas
E umas condolências fingidas.

É preciso compartilhar a dor,
Curtir o amor,
Fotografar o sabor,
Comentar o torpor.

O corpo parece nosso,
Mas não pode tocar!
Pode curtir,
E não deixe de comentar.

#nofilter
Só que não!
Deu ruim!
Mas foi bão.

Um jogo de atenção
E ostentação.
De luxo,
Sem nenhum tostão.

"Estou em um relacionamento sério com você."
Uma longa frase complexa.
Parece um paralelepípedo,
Porém é um "amo" na testa.

Que loucura!
Mas esta é a normalidade.
Nossa razão?!
É a insanidade.

Você transpira loucura
Só que cheira serenidade...
Se mantém à distância,
Ganha pela verdade.

A verdade?
Pensa que engana.
Olhe a loucura!
Ela te encanta.

Porque tu és ela,
Mas ela não pode ser você.
Olhe no espelho!
Tu precisas esconder!

Onde já se viu?
Um morto vivo?
E um normal maluco?

Por onde anda a normalidade deste mundo muito louco que pensa melhor parado?
Se perdeu pelas ruas de pedra neste nevoeiro de janeiro que você anda pensando.
Frases longas servem para dizer pouco se não se pensa a segunda metade do prontuário.
Fevereiro é o mês das sandálias do mercado se perderem no pensar de usados.